Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2019 Número 1623 Ano 87

Revivendo ensinos

Natal

dezembro/2016

O natalício de Jesus, não obstante o espesso e negro véu que desceu e pesa sobre o mundo, continua a empolgar com a sua encantadora poesia uma grande parcela da família humana.

A sublimidade espiritual do Mestre e a Sua imensa e incomparável bondade dulcificam os corações amargurados pela dor e aliviam os sofrimentos dos Espíritos atormentados pelos graves problemas da atualidade. Não só isso. Conseguem suavizar as torturas e balsamizar o ambiente tenebroso que os homens criaram com o seu egoísmo e as suas inqualificáveis maldades.

A luz suavíssima do Divino Enviado, que se fez criança, nascendo, para exemplo, em manjedoura humilde, tem o poder de iluminar o horizonte da vida, produzindo instantes de paz íntima e de alegrias puras, como entremostras do futuro que a todos aguarda, depois que tiverem vencido os seus graves defeitos.

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Até hoje os homens, em sua maioria, não compreenderam a missão de Jesus Cristo. Mesmo os que se dizem cristãos não alcançaram a alta significação desse fato. E quando pensam ter compreendido adotam, infelizmente, muitos deles, processos idólatras e fetichistas que os levam a fazer do Mestre um parceiro para aumentar os seus proventos e possibilidades materiais.

Triste engano o desses cegos. Se eles soubessem quão felizes seriam se seguissem as pegadas do Mestre, certamente abandonariam as armas de que vivem munidos e as substituiriam pelos instrumentos de trabalho e santificação para alcançarem a tranquilidade espiritual com que sonham.

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A peregrinação de Jesus no plano denso, em contato direto com as ovelhas do rebanho que o Pai Lhe confiou, precisa ser estudada de verdade e compreendida por todos os homens.

O Cristo de Deus é muitíssimo maior do que julgamos. Sabedoria e Virtudes excelsas Ele já as possuía antes do mundo ser mundo, antes que a Terra existisse. Há milhões de anos Ele já era um dos grandes e Divinos Pastores de Deus. Tendo recebido a missão de governar este planeta, a Terra, e tudo quanto aqui existe, Jesus é o Mestre sábio e clemente, que orienta e conduz sem violentar ninguém.

Os poderes que Ele mostrou possuir sobre os seres e as coisas da Terra são naturais conquistas de todo Espírito que atinge um alto grau de perfeição. Daí o ter Ele dito: Vós podeis fazer tudo quanto eu faço e mais alguma coisa. Faltou acrescentar: Tudo depende de vós, do vosso trabalho, do vosso sacrifício, da vossa abnegação, da vossa renúncia, do vosso amor, da vossa fé, não infringindo jamais as leis de Deus.

Andando sobre as águas, transformando a água em vinho, multiplicando os pães, acalmando a tempestade, dominando os elementos, expulsando os maus Espíritos, limpando os leprosos, curando os cegos, levantando os paralíticos, fazendo os mudos falarem e os surdos ouvirem, Ele apenas exemplificava a Lei de Deus. Vivia e vive na glória do Pai, identificado com o Seu amor.

As Suas atitudes, as Suas palavras, a orientação que seguia não podiam deixar de exacerbar o ânimo dos escribas e fariseus hipócritas, que obedeciam ao formalismo das normas externas, enquanto abarrotavam o seu íntimo com crimes e impiedades, tal como acontece com os seus sucessores de hoje, que vivem da degradação moral a que desceu a sociedade contemporânea.

Na parábola do bom samaritano, na observação do gazofilácio, na lição da mulher adúltera, no resumo que fez da Lei e dos profetas, sintetizando estes e aquelas no Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, nós O vemos sempre buscando deixar um roteiro para os homens do futuro.

No famoso Sermão da Montanha encontramos a luz da esperança eterna para todos os sofredores conformados com a constância ou a violência das adversidades.

Os espíritas, que constituem hoje um dos grandes conjuntos de milhões de cristãos, buscam dar realce à Doutrina Cristã do Novo Testamento com o qual o Espiritismo, que é o Consolador prometido, está perfeitamente identificado.

Resta que cada um compreenda e siga os ensinos cristãos, purificando a mente e o coração, como o Divino Mestre ensinou.

Lins de Vasconcellos.
Jornal Mundo Espírita nº 846, de 30.12.1954.

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