Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Revivendo ensinos

O conhecimento do futuro

agosto/2016

Não é somente entre leigos do Espiritismo que encontramos pessoas interessadas no conhecimento do futuro. Entre os espíritas também há os que se interessam por conhecer o que virá a acontecer durante sua caminhada terrena e, para isso, consultam as sortistas, como são geralmente conhecidas as pessoas dotadas da faculdade de premonição, isto é, as que procuram predizer o futuro.

Como todo espírita sabe, essa faculdade existe. Está muito disseminada, mas o que realmente ocorre é a falta de critério dessas ledoras de sorte, que se intitulam espíritas sem, entretanto, nada conhecerem de Espiritismo, ou se o conhecem não seguem as normas por ele prescritas.

Ao verdadeiro espírita cabe esclarecer àqueles que lhe interrogam quanto à possibilidade ou não de se conhecer o futuro, consultando essas médiuns, que outra coisa não fazem senão arrancar alguns cruzeiros de incautos que, muitas vezes na boa fé, as procuram […].

O Espiritismo não veio para tratar de assuntos dessa natureza. É uma doutrina que visa reformar o homem através do cumprimento dos ensinos legados por Jesus, agora interpretados à Sua luz. Portanto, quem quiser saber o que lhe acontecerá no futuro prepare-se, praticando o bem sem olhar a quem, porque o futuro é uma decorrência do presente, assim como o presente o é do passado.

Não há efeito sem causa, nem causa sem efeito. Tudo quanto fizermos no presente refletirá em nós próprios durante nossas existências, neste ou em outros planos da vida. Mas, dirá alguém: Consultei a uma sortista e ela me revelou, com precisão, não só o meu passado como também o presente. Diante dessa prova insofismável acredito que sua previsão a respeito do que terei de passar não falhará.

Pois bem, falar sobre o passado de alguém, quando o médium está assistido por um Espírito encarregado da realização desse trabalho (geralmente um Espírito inferior) é possível, uma vez que, quando o consulente se apresenta diante de tal médium, seu próprio Espírito familiar poderá dizer tudo ao guia do médium adivinho e, dessa forma, relatar o que se passou com ele, bem como o que está passando. Até aí, nada de novo. Todavia, quanto ao que lhe vai acontecer no futuro, qualquer previsão será duvidosa, embora exista, como dissemos linhas atrás, médiuns que possuem a faculdade de premonição.

Diante do exposto, não resta dúvida nenhuma de que, a nós, médiuns espíritas, compete orientar a todos quanto à possibilidade de falhas por parte dos que pretendem predizer o futuro de alguém.

Somente os Espíritos superiores, isto é, os que já alcançaram determinada elevação espiritual, podem saber o que nos irá acontecer amanhã ou depois. Esses nada dizem, uma vez que tal revelação poderá nos prejudicar, tolhendo nosso próprio livre arbítrio. Os Espíritos de categoria inferior pouco se importam com a verdade. Dizem tudo sem nenhuma responsabilidade.

Em Atos dos Apóstolos encontramos interessante relato sobre uma moça (médium) que era muito afamada, pois recebia Python – Espírito adivinho – e, com suas adivinhações dava muito lucro a seus amos.

Quando o Apóstolo Paulo e os demais companheiros dela se aproximaram, gritou: Estes homens são servos do Deus excelso, que vos anunciam o caminho da salvação.

Paulo, percebendo que se encontrava diante de um Espírito inferior, repreendeu-o, dizendo: Eu te mando, em nome de Jesus Cristo, que saias desta mulher. O Espírito obedeceu e, desse dia em diante, a moça deixou de adivinhar.

Assim é com os médiuns mercenários que procuram desvendar o futuro de quem os consulta. O passado e o presente por eles são revelados, muitas vezes com precisão incrível, mas o futuro somente os Espíritos elevados o sabem, embora nada digam para não prejudicar o progresso de cada criatura em experiência neste plano terreno, que é realizado através do seu próprio esforço.

Victor Ribas Carneiro
Reproduzido do Jornal Mundo Espírita de março de 1980.

 Victor Ribas Carneiro exerceu a direção do jornal Mundo Espírita por mais de doze anos consecutivos, mantendo estreita relação com as atividades gerais da Federação Espírita do Paraná, através da qual publicou três livros: ABC do Espiritismo, O Espiritismo em páginas simples e Mensagens versificadas.

Desencarnou no dia 18 de abril de 1991.

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