Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

Excesso de proteção

maio/2018

Seria equívoco supor não haver excessos ao se exercer proteção moral sobre outrem. Há sim! E de modo assaz pernicioso… Toda proteção (em termos de espiritualidade, ou fisicidade), que não se limita a instruir o protegido, mas que, ultrapassando as criteriosas lindes da ética, passa a determinar a forma pela qual o assistido deva agir face a algum obstáculo, constitui ingerência indesejável do ponto de vista da alta e sadia moralidade; pois um dos grandes e importantes afazeres de cada homem, em sua trajetória evolucional seja aquém, ou além- túmulo, se posiciona no exercício de sua capacidade de opção, deliberação,  ante os múltiplos obstáculos da vida.

Ora, se além do esclarecimento ético, o Espírito protetor ou qualquer outro, fornecer, também, toda uma linha de comportamento para superação de determinado obstáculo que se interponha à vida do assistido, tirar-lhe-ia todo o mérito do livre-arbítrio, reduzindo-o a mero instrumento das instruções emitidas pelo conselheiro, porquanto, tal modo de agir tornaria inerme todo potencial ético do assistido, por se lhe descartar a necessidade de pensar – sentir – querer, face a tal ou qual problema.

Se uma criancinha que começasse andar, fosse permanentemente carregada ao colo pela mamãe até o lugar que quisesse ir; e quando desejasse voltar, seu pai a tomasse nos braços para poupar-lhe os esforços da caminhada e a incipiência própria dos primeiros passos, poderíamos vaticinar, com segurança, que tal criança jamais aprenderia andar; e, muito menos, deliberar sobre o rumo a tomar e as coisas a fazer…

Tem-se visto pessoas, na vida espírita, que jogam fora a preciosa oportunidade de deliberar, preferindo ir à busca de orientação para solver, até mesmo casos triviais… Para tanto se valem não só de entidades pseudo-sábias como de personalidades do mundo físico, pseudo-rabis, aos quais se enquistam por uma vida inteira, tomando-lhes, sistematicamente, as orientações, o que seria bom e certo, caso não se tratasse de questões ao nível de suas compreensões e capacidades de entendimento e, por conseguinte, de problemas que elas muito lucrariam em se dando a equacionar através de méritos próprios, dando às questões o devido provimento, através de recursos morais pessoais e íntimos.

lsso é que se conta na Espiritualidade. Isso é que soma pontos a favor da experiência dos Espíritos em aprendizado.

Buscar instruções quanto àquilo que não se sabe sempre é bom; mau, porém, é parasitar-se em outrem, a ponto de permitir-se o completo estiolamento da capacidade de pensar, agir e suportar as decorrências do nosso livre-arbítrio…

Hélio Rossi
Jornal Mundo Espírita, março de 1980.

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