Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Revivendo ensinos

Dever primordial

julho/2016

A hora que estamos vivendo é de aflição, apreensões, angústias e dores de toda sorte. Todos os homens estão envolvidos e dominados, mau grado seu, pelo tremendo potencial de forças maléficas, geradas pelos atos individuais que, acumulados em todas as nações, criaram o ambiente maléfico coletivo, propício à deflagração da catástrofe social que ora tortura a Humanidade.

Os espíritas sabem como se originam esses fenômenos sociais, alcançando a sabedoria da velha frase popular: Quem semeia ventos colhe tempestades.

Realmente, nenhuma doutrina explica melhor os fenômenos da vida, individual e coletiva, em seus múltiplos aspectos, nos diversos planos do universo, como o faz o Espiritismo. Doutrina de clareza meridiana, posta ao alcance de todos, em linguagem simples, sem prejuízo dos profundos ensinamentos que contém, o Espiritismo, e só ele, é capaz de esclarecer e orientar a Humanidade para extinguir os erros multisseculares em que os homens têm caído, orientados por doutrinas religiosas e filosóficas que jamais conseguiram fazer luz suficiente para iluminar o triste tugúrio da consciência de seus adeptos.

Os espíritas, portanto, estão plenamente capacitados para transmitir com relativa segurança os ensinos de Jesus, acrescidos dos que o Consolador, que Ele prometera pedir ao Pai para enviar ao mundo, já ditou e continua a transmitir por intermédio dos Espíritos Superiores, através dos médiuns mais ou menos defeituosos, em consequência do ambiente de ignorância e de tragédia em que vivemos.

Compreendemos, também, que os orgulhosos e falsos maiorais das religiões e doutrinas filosóficas que se supõem detentoras da Verdade, não queiram estudar o Espiritismo e rancorosamente o hostilizem. O egoísmo e o orgulho, a inércia espiritual e o medo, o horror às inovações e os interesses terra-a-terra que defendem, não lhes permite outra atitude. A natureza não dá saltos.

Uma coisa, porém, todos esses maiorais já sabem: é que o Espiritismo não poderá ser destruído. Seus adeptos poderão ser perturbados, presos, maltratados, mas a Doutrina Espírita permanecerá indestrutível como obra de Deus que é, destinada à salvação dos homens.

Dissemos, linhas acima, que quem semeia ventos colhe tempestades. Passemos à explicação do mecanismo das consequências dos atos de cada homem, no correr da vida eterna.

Todo indivíduo responde pelos atos que pratica. Se os atos são maus, ele cria para si mesmo, irrevogavelmente, uma situação futura de que só se libertará pela reparação que poderá vir pelo sofrimento ou por atos bons que pratique. As faltas, as más ações, predispõem o indivíduo para as perturbações psíquicas, que poderão ter, entre outras, as seguintes características: a) desorientação intelectual e moral: b) obsessão, possessão e subjugação por Espíritos inferiores; c) manias e excentricidades prejudiciais, demência, etc.

Geralmente, a ciência materialista abandona os fatores psíquicos ou se limita a apreciá-los sob um prisma errôneo, visto não possuir meios para a solução dos problemas, os quais estão vinculados à existência do Espírito.

A soma dos atos maus de todos os homens cria um ambiente psíquico coletivo dentro do qual os Espíritos inferiores encontram meios para praticar os mais horríveis malefícios, não só sobre os indivíduos isoladamente, levando-os aos vícios, ao crime e ao suicídio, como sobre os lares, sobre os povos, sobre as nações e sobre a Humanidade, como acontece atualmente.

Em face do exposto chegamos à conclusão de que é um dever primordial de todo homem, medianamente equilibrado, estudar o Espiritismo, porquanto só assim poderá compreender verdadeiramente a vida, aqui e além da morte, e educar desde já os seus filhos para a constituição da sociedade nova, moldada na suprema Sabedoria das divinas leis de Deus.

Lins de Vasconcellos.
Reproduzido do Jornal Mundo Espírita de 30 de setembro de 1954.

Assine a versão impressa
Leia também