Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Revivendo ensinos

Mistérios do mundo oculto

julho/2017

O Tenente Luiz de Campos Vallejo, delegado de polícia de Porto Amazonas/PR, narrou-nos um fato curioso, que se passou naquele distrito, verificado por várias pessoas de conceito, entre as quais o venerado Comendador Alfredo Munhoz.

Reside, nas imediações daquela localidade, uma família de lavradores, cujo chefe dava-se ao trabalho de, sempre que se lhe deparava um formigueiro, removê-lo para a mata distante, poupando a lavoura da devastação dos terríveis insetos, sem todavia levar a efeito a sua destruição.

Era tal o seu amor pelos animais que, embora com os maiores sacrifícios, evitava sempre destruí-los.

Morreu um dia o zoófilo lavrador. Várias pessoas amigas e da família velavam o cadáver, em meio a profundo silêncio, quando a sala mortuária foi de súbito invadida por uma aluvião de formigas de todos os tamanhos, empavesadas com folhas verdes e pétalas de flores. Como que dirigidos por uma força oculta, os insetos galgaram o esquife, depositando as partículas multicolores que traziam. Prestada a sua significativa homenagem, o formidável exército retirou-se da sala, deixando os assistentes, antes aterrorizados, agora tomados de indizível estupefação.

O fato foi muito comentado e tem dado curso a várias e interessantes versões.

A explicação mais plausível para o fenômeno é que as formigas hajam sido instrumentos de agentes espirituais do mundo invisível que, por essa forma, procuraram homenagear o amor do lavrador pelos animais e testemunhar aos homens a sua admiração profunda por todas as obras que se destinam à proteção desses seres.

O caso de Porto Amazonas não é único. Quando ocorreu a pomposa cerimônia dos funerais de Carlos Gomes, o insigne compositor brasileiro, achava-se a Catedral do Pará repleta de fiéis e curiosos.

Uma rica eça erguia-se ao centro do templo. Aberto o ataúde para a encomendação do ritual, o silêncio da grande assistência foi quebrado pelo esvoaçar de um pássaro que, penetrando por uma abertura do teto, veio pousar à beira do caixão. Era um belo rouxinol que, alheio àquela multidão de espectadores assombrados, vinha tributar ao grande morto a mais verdadeira das homenagens da natureza. Desferindo as mais belas melodias, o pássaro mensageiro fez a volta do caixão e, detendo-se à cabeceira, entoou um cântico de despedida. Viram-no depois partir em demanda da abertura por onde havia penetrado.

O lindo rouxinol desempenhara-se da sua celestial missão, deixando em todos os semblantes um misto de espanto e de admiração pelas forças ocultas da natureza.

A Redação
Revista de Espiritualismo, julho de 1919

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