Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

Revivendo ensinos

Quanto custa a imoralidade?

junho/2017

Não estranhe o prezado leitor, porque iremos tratar do custo monetário da imoralidade reinante na Terra. Temos visto, inúmeras vezes, a abordagem desse tema sob o aspecto espiritual, por isso que nos ocorreu falar das suas consequências financeiras e econômicas.

Porventura já meditamos a respeito dos gastos despendidos com a chamada segurança, sobre as despesas realizadas com armamentos, munições, tanques de guerra, aviões de combate, camburões, viaturas, pessoal humano? É possível, ao menos, imaginarmos o montante desses ônus para os governos, as nações, os povos? Qual é a nossa responsabilidade nesse processo e o que podemos fazer para melhorar o quadro atual?

As questões acima são de alto alcance filosófico e de elevado valor pecuniário. Realmente, é incomensurável o valor desses gastos, que estão palidamente refletidos nos orçamentos oficiais. São verbas e mais verbas destinadas à segurança, em virtude da existência do crime, do vício. Enquanto isso, milhões de criaturas padecem por necessidades as mais primárias, como subsistência, saúde, moradia, alem de instrução e lazer.

Sabemos perfeitamente que não se trata de problema físico do planeta Terra, uma vez que a natureza daqui é bela e rica, oferecendo-nos tudo gratuitamente, mercê da bondade de Deus. É o homem que utiliza mal as maravilhas, generosamente colocadas à sua disposição, carecendo ainda de ser educado.

Problema de política? Não, o problema é  moral. Ensina-nos o Espiritismo que o melhor partido é o de Jesus e o programa é o Evangelho.

Acreditamos que seria bem mais proveitosa, inclusive monetariamente, a busca direta da moralização das pessoas, trabalho que pertence essencialmente às religiões. O Espiritismo, de sua parte, deve procurar evangelizar as crianças, trabalhar com a mocidade, burilar as almas, para reformar o mundo.

Aonde vão os filhos dos pais espíritas? Os filhos dos médiuns? Dos tomadores de passe? Que religião frequentam ou não tem religião? Pensemos nessa grande responsabilidade e, sem desrespeitar o livre-arbítrio de cada um, cumpramos o nosso dever de orientação.

A Doutrina dos Espíritos propugna pelo combate à causa do problema, que é a deseducação moral, a falta de evangelização. Esse desregramento tem reflexos em nosso bolso, porque contribuímos com os impostos.

Em virtude de irmãos em desalinho, no crime, no vício, são mobilizados milhões de homens e equipamentos para proteger a civilização ordeira. Há ainda o problema da deficiência da saúde pública com a qual também são efetuados enormes dispêndios, em virtude, muitas vezes, de exageros na alimentação, inserção de fumo, álcool, drogas.

Não criticamos, absolutamente, os responsáveis pela segurança, pela saúde, nossos irmãos, pessoas honradas e dignos pais de família. O que alertamos é para a conduta imoral na Terra e suas consequências danosas para a nossa economia. O expurgo anunciado pelo Consolador corrigirá os extremos, mas temos que fazer a nossa parte, a reforma íntima, pelo menos.

Devemos colaborar nas aulas de evangelização para crianças, que todo Centro Espírita deve ter. Dediquemos especial atenção à orientação dos Espíritos necessitados, pois assim procedendo, eles reencarnarão em melhores condições.

O Espiritismo abrange os dois campos: o físico e o espiritual. Somos todos irmãos.

A maior caridade é a caridade de Espírito para Espírito e a maior cura é a do esclarecimento, a água que sacia externamente. O homem educado não mata, não rouba, não malbarata a sua saúde, não dá trabalho às autoridades, não pesa nos orçamentos.

É uma despesa a menos para a comunidade. Jesus e Kardec são os maiores contribuintes para os orçamentos das nações, porque trouxeram o resumo das Leis de Deus que, uma vez cumpridas, não deixarão margem a nenhum comportamento imoral.

O mundo atual está precisando de Espiritismo.

Nós, que às vezes reclamamos da Terra, do seu estágio evolutivo, das misérias aqui existentes, da falta de recursos, devemos meditar profundamente sobre o assunto ora enfocado, participando da solução do grave problema e colaborando ativamente para a próxima promoção do planeta, porque a questão é de alto valor: Quanto custa a imoralidade?

Elias B. Ibrahim
Jornal Mundo Espírita, janeiro.1989.

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