Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Revista Espírita – A tribuna do Espiritismo

abril/2018 - Por Alessandro Viana Vieira de Paula

Este ano, além do movimento espírita celebrar os 150 anos de lançamento da obra A Gênese – os milagres e as predições segundo o Espiritismo, também comemoramos os 160 anos da Revista Espírita, cujo conteúdo, durante onze anos e quatro meses (janeiro de 1858 a abril de 1869), ficou sob a responsabilidade do nobre Codificador, Allan Kardec.

Os meses de maio e junho de 1869 enfocaram principalmente a desencarnação de Allan Kardec, que se deu em 31 de março de 1869, vitimado por um aneurisma cerebral.

A Revista Espírita era de propriedade de Allan Kardec e, após sua morte, tornou-se propriedade de muitas pessoas. Atualmente, está sob a responsabilidade do movimento espírita francófono, com a supervisão do Conselho Espírita Internacional.

Na introdução da Revista, consta que ela seria uma tribuna, onde haveria discussões saudáveis em torno de variados temas, mas não haveria disputa (janeiro de 1858), porque Allan Kardec sempre deixou claro que o pensamento espírita não deveria ser imposto a ninguém.

Sobre a sua finalidade, Kardec ainda fez constar que ela seria o complemento e o desenvolvimento de suas obras doutrinárias. Acrescentou que sua forma periódica permitiria a introdução de mais variedades e registraria a atualidade, bem como anotaria as diferentes fases de progresso da ciência espírita e permitiria a inserção de teorias novas que somente poderiam ser aceitas após a sanção do controle universal dos ensinos dos Espíritos (novembro de 1864 – Periodicidade da Revista Espírita).

Dessa forma, diante das diversas abordagens possíveis, gostaria de destacar a postura moral, elevada de Allan Kardec em relação aos variados temas que teve que enfrentar, a servir de modelo para todos nós que hoje lidamos com as redes sociais.

Não temos dúvida de que Kardec, se estivessem disponíveis à sua época, utilizaria as redes sociais para divulgar o Espiritismo. Servir-se-ia do instagram, do facebook, do whatsapp etc.

O Espiritismo sofreu diversos ataques, distorções e até acusações levianas (por exemplo, de causar suicídio, loucura etc.), que não pouparam a pessoa de Allan Kardec (acusado de se enriquecer à custa do Espiritismo).

Como ele defendia o Espiritismo e a si mesmo?

Com extrema educação, não revidando os ataques, mas esclarecendo a improcedência dessas acusações e distorções.

Ele chega a afirmar que não desejava qualquer mal para esses acusadores (março de 1859 – Diatribes), portanto, não se aproveitava da mídia que tinha à sua disposição para destilar ódio contra alguém.

Às vezes, ao sermos atacados, difamados e caluniados usamos as redes sociais para revidar o mal com mal, ou utilizamos expressões chulas, deselegantes para a nossa defesa.

Outras vezes, passamos adiante fofocas ou mentiras.

As fake news tomam conta de parte das informações movimentadas nas redes sociais.

Allan Kardec somente divulgava fatos que sabia reais e os comentava à luz da veneranda Doutrina Espírita.

Observamos alguns confrades passando adiante mensagens atribuídas a Divaldo Pereira Franco, Francisco Cândido Xavier e outros notáveis médiuns, sem que façam o mínimo exame. Há mensagens de péssimo teor doutrinário atribuídas a esses vultos do Espiritismo.

Há que se ter muita responsabilidade nas redes sociais, agirmos como legítimos espíritas, seguindo o modelo de Allan Kardec na Revista Espírita.

Afirmam alguns que temos ampla liberdade de expressão.

É verdade, mas toda liberdade tem que ser exercida com responsabilidade e moralidade.

Não temos que opinar sobre tudo ou responder qualquer ofensa. Para certas questões o silêncio é a melhor resposta.

Allan Kardec anotou que as pessoas queriam vê-lo opinar sobre tudo, sobre teorias novas que surgiam, mas, em muitos casos, ele, serenamente, optava pelo silêncio (março de 1864 – artigo Da perfeição dos seres criados).

As redes sociais são instantâneas. Às vezes, sem refletir, postamos algo indevido ou respondemos agressivamente alguém. Não há como voltar atrás. O dano está causado.

Notamos, pelos artigos de Kardec, que ele refletia e muito sobre aquilo que publicava na Revista Espírita.

Certamente, quando foi acusado falsamente de enriquecimento à custa do Espiritismo (junho de 1862) ou quando tomou conhecimento da primeira ordenação lançada contra o Espiritismo (novembro de 1863 – Pastoral do Sr. Bispo de Argel contra o Espiritismo), ele não redigiu os textos de defesa com a cabeça quente. Deve ter orado, meditado e aí escreveu os artigos.

Diante de determinadas situações, nas redes sociais, devemos seguir esse perfil de Kardec. Orar e meditar, e somente com a mente mais calma é que deveremos, se necessário, postar alguma resposta.

Outrossim, há tantas notícias nas redes sociais sobre criminalidade, violência, corrupção, que devemos evitar as postagens que revelam nosso ódio contra aqueles que promovem essas barbáries.

Como cristãos, devemos exercitar a compaixão. Não concordamos com a atitude do indivíduo, mas não podemos odiá-lo, estar contra ele. Temos que orar por sua reabilitação espiritual.

Diante desses singelos apontamentos, verificamos o desafio que é ser espírita nas redes sociais.

Sigamos o modelo de Allan Kardec na Revista Espírita, que revelou a sua elevada evolução espiritual na forma como se expressava nos textos e artigos, sempre pautado pela amorosidade.

Aliás, ainda enaltecendo a grandiosidade da Revista, trago à baila duas mensagens espirituais nela inseridas.

A primeira é de Johannes Gutenberg, inventor dos tipos móveis que deu início à revolução da imprensa, o qual nos apresenta um histórico da evolução da imprensa e afirma que com ela temos uma arma tão forte (abril de 1864), portanto, saibamos usar essa arma, que hoje se ampliou com as redes sociais, para o bem e sem ferir a ninguém.

Em complemento à essa ideia, a mensagem do Sr. Sanson, que foi membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e desencarnado pede para que possamos diminuir o número de ignorantes, divulgando a instrução espírita às massas, ajudando a criar homens que viverão e morrerão bem (dezembro de 1864 – Sessão comemorativa na Sociedade de Paris).

Assim sendo, utilizemos as redes sociais também para postar mensagens espíritas, que levarão instrução, consolo e esperança a muitas pessoas, fazendo com que o ideal do bem floresça nos corações.

Bendita seja a Revista Espírita, onde podemos encontrar esse complemento indispensável das obras básicas, e mais, podemos ver mais diretamente a postura moral nobre de Allan Kardec e a sua forma de se utilizar da mídia escrita, sempre com educação, respeito e fraternidade.

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