Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Repercussões do movimento você e a paz em Londrina

julho/2015

O Movimento, que teve lugar em Londrina, em março, ganhou repercussão na mídia. O jornal Folha de Londrina publicou, no dia 15 daquele mês, entrevista concedida por Divaldo Pereira Franco a Antoniele Luciano.

Reproduzimos alguns trechos.

FL – O senhor veio a Londrina participar de um evento em prol da paz. Por onde podemos começar para tentar alcançar esta condição de não-violência? 

Nosso movimento tem características especiais, se trata de atividade ao alcance de todas as pessoas. Todos somos unânimes em achar que a violência atingiu índices insuportáveis, porém, a maioria cruza os braços. Martin Luther King Jr. dizia que pior que a gritaria dos maus é o silêncio dos bons. Porque é exatamente o nosso silêncio que permite que sejam ouvidas as vozes do desespero. Pensamos durante muito tempo como contribuir para mudar ou abrir espaço para uma visão diferente.  (…)

Sob a inspiração dos bons Espíritos, veio a ideia de uma proposta nos seguintes termos: Você e a paz. Isto é: realizar primeiro a paz interior. O indivíduo que não tem paz interna não pode, de maneira nenhuma, colaborar numa sociedade equilibrada porque ele está em desajuste. Não adianta o mundo estar em paz e estar guerreando em casa. (…)

 

Ainda sobre paz interior, que ferramentas as pessoas podem usar para chegar a esta condição?

Meditação, a busca de uma religião, seja ela qual for, que não leve ao fanatismo nem ao combate de outras religiões. A presença de Deus é muito importante no íntimo do ser humano, é uma verdadeira meta. Frankl e Jung diziam que a vida tem que ter sentido. A vida sem sentido é uma vida morta e o indivíduo sem incentivo é um parasita social, que vive às custas dos outros. Se colocarmos nossa imortalidade como meta, porque todo aquele que tem religião acredita na imortalidade, vamos nos esforçar. Pode ser uma pessoa sem cultura, mas ela tem consciência do dever, sabe do elemento básico de todas as religiões que é o amor ao próximo, o amor a Deus. (…)

Gandhi tinha uma frase fantástica: numa casa com uma pessoa de paz, a casa é pacífica. Numa rua que tem uma casa pacífica, a rua fica pacificada. Num bairro com rua de paz, ele fica em paz. Uma cidade com um bairro de paz fica também pacífica. E assim por diante. Se cada um de nós fizer um pouco de esforço e descobrirmos que a paz está dentro de nós, é fantástico. Jesus, o vulto mais notável da Humanidade, do ponto de vista filosófico, sintetizou toda a Sua doutrina em duas frases: Ama o teu próximo como a ti mesmo e Não faças a outrem o que não desejares que outro te faça. 

 

O senhor fez uma visita ao Papa Francisco recentemente. (…) Como foi? 

O Papa é uma das pessoas mais notáveis do século. É um jesuíta com uma conduta franciscana. Ele reflete, de alguma forma, os ensinamentos de Jesus na visão de São Francisco.

Quando ele foi passando, o saudei: Sou brasileiro. Ele sorriu e continuou. Não houve margem para conversarmos. Pode-se compreender o número de pessoas importantes a quem ele tem que atender. Mas foi muito gratificante estar ali e sentir o amor, porque lá fora havia mais de dez mil pessoas, na sala havia cinco mil.

Ele fez um discurso que foi fascinante, pedia aos pais para voltarem para casa para tirarem seus filhos das mãos dos traficantes de drogas, que eram seus verdadeiros pais, com quem eles conviviam.
O senhor gostaria de acrescentar alguma coisa? 

Eu gostaria de deixar uma mensagem: vale a pena amar, em qualquer circunstância. O amor é sempre melhor para quem ama. Se alguém não me ama, o problema é da pessoa. Quando sou eu quem não ama, o problema é meu. Se alguém me odeia, pior para esse alguém, porque vive atormentado. Mas quando sou eu quem odeia, pior para mim porque sou razão de tormentos. O amor é a essência da vida. Quem ama é feliz, saudável e grato a Deus. Se tem qualquer dúvida, experimente amar.

Foto: Ênio Medeiros

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