Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88

Repensando o lar

maio/2010 - Por Alan Robertson Archetti

Vivem-se dias difíceis na Terra. O mundo em violência, guerras, crimes hediondos, corrupção, desrespeito, toxicomania desenfreada, sexolatria, uniões frágeis, etc, etc.

É hora de a Humanidade repensar seus passos desenhando novos rumos para o futuro, a fim de cessar os processos em desalinho vistos na Sociedade moderna.

A educação, que é um pilar fundamental para um novo momento, anda combalida na sua nascente, gerando os dramas que se assiste, deixando atônitos os que anelam por um mundo melhor.

Platão afirmava que A EDUCAÇÃO É O ÚNICO BEM QUE SE LEVA PARA O ALÉM. Na mesma linha de pensamento, Pitágoras dizia: EDUQUEMOS NOSSAS CRIANÇAS E NÃO TEREMOS QUE PUNIR OS ADULTOS, demonstrando que na Grécia Antiga, antes do Cristo, a preocupação com a EDUCAÇÃO era vital para a aquela sociedade.

Percebe-se, na atualidade, que o tema EDUCAÇÃO está sendo deturpado na sua análise. Há um descuido de compreensão, pois a maioria transfere para as escolas o processo educacional, como se escolhendo e algumas vezes pagando uma ótima escola, se garanta a educação dos filhos. Não é assim, senão vejamos: a ESCOLA tem o dever de INSTRUIR, que significa o CULTIVO DO INTELECTO e o LAR, o dever de EDUCAR, que é o CULTIVO DO CARÁTER.

Assim, não resta outra alternativa senão REPENSARMOS O LAR, sabendo-se que o LAR é a representação minúscula da Sociedade. É sua célula inicial. Os hábitos adquiridos no ambiente doméstico terão, em regra, caráter permanente, pois se fixarão na intimidade do educando, facultando comportamentos felizes ou conflituosos.

Dentro e fora do LAR há diferentes tipos humanos, que proporcionam confrontos, mas que a BOA FORMAÇÃO sobrepor-se-á nas lutas diárias. Para isso, cabe aos PAIS, além de sua autovigilância, OBSERVAR O FILHO com cuidado e particularidade, a fim de descobrir o nível espiritual em que ele se encontra, analisando suas INCLINAÇÕES, ASPIRAÇÕES, etc. Trata-se de um dever impostergável dos pais, que não pode ser transferido para funcionários remunerados. Daí a importância da convivência maternal, auxílio paternal, contato consistente com os filhos para dar-lhes segurança.

Lamentavelmente, constata-se que, na psicogênese de muitos transtornos depressivos na infância, destaca-se a ausência dos pais. Veem-se sentimentos de abandono que se converte em amargura na criança, que desamparada tomba em melancolia. É preciso entender que o Lar não é somente o lugar de deveres, mas de prazeres. Deve haver a alegria da convivência em família, e para isso é necessário criar um clima emocional agradável, de equilíbrio, ao invés de queixas, reclamações, mau humor e pessimismo. É imperioso não escamotear, aparentando que “está tudo bem” e sim procurar soluções saneadoras.

Quando o LAR é carente dos valores da alegria, do bem-estar e do respeito, o educando busca, fora dele, as informações que formarão sua personalidade, dando guarida aos problemas comuns dos dias atuais, pois falta-lhe discernimento e senso crítico.

As “célebres proibições”, características de adultos impacientes e imaturos, que optam por não explicar as razões das vedações, (do que é bom, do que é ruim), despertam no educando a curiosidade e o desejo de conhecer. A orientação e zelo das explicações ajudam, quando associados ao diálogo franco, aberto. Os filhos sentem-se amparados diante da preocupação lógica dos pais, por mais que neguem isso.

É preciso compreender que a família é constituída por Espíritos de diferentes procedências. Alguns filhos chegam como cobradores empedernidos e se manifestam com azedume, constantes insatisfações, agressividades e rebeldia. Reacionários, são os CHAMADORES DA ATENÇÃO, criadores de problemas. Fragilizados espiritualmente, correm o risco de tombar na fuga encetada pelas drogas, pelo álcool, etc.

Cabe aos espíritas aplicarem a máxima que a REENCARNAÇÃO tem por finalidade o desenvolvimento dos valores que dormem inatos no ESPÍRITO. Os filhos poderão se apresentar em caráter expiatório, portando enfermidades degenerativas, cegueira, surdez, paralisia, distúrbios mentais irreversíveis, ou adquirindo, na atual existência, doenças infectocontagiosas, acidentes que mutilam, dores morais, distúrbios psicológicos, transtornos de conduta, etc. São poucas as famílias onde a dor não se apresenta, convidando ao amadurecimento espiritual.

Muitos acham que a existência terrena é uma encantadora viagem ao país das ilusões, esquecendo a TRANSITORIEDADE do corpo, que dilui as fantasias. O sofrimento é o amigo silencioso que se infiltra no Espírito, educando-o ou reeducando-o,

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