Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Remotos Cânticos de Belém

dezembro/2014 - Por Maria Helena Marcon

Nestes tempos em que estamos habituados a ouvir ou ler notícias sobre sequestros, um tanto de temor toma conta das nossas almas, a cada noticiário.

Qual será o desfecho? Será resgatado o sequestrado, ileso, sem maiores traumas? O que ocorrerá ao sequestrador? Quantas horas de angústia viverão os familiares do que se encontra  em mãos criminosas?

Por fim, a indagação: algo de útil, bom, pode ocorrer durante um sequestro?

E se for o sequestro de um avião comercial, em plena véspera de Natal? Quais as chances de se preservar a calma entre os passageiros, alguns deles familiares com crianças, pessoas maduras, idosas? E como fazê-lo?

Wallace Leal V. Rodrigues, espírita, que foi ator, diretor de teatro, diretor de cinema, escritor e jornalista, concebeu esse panorama em sua obra Remotos Cânticos de Belém.

Segundo ele, se trata de uma novela montada em forma de script cinematográfico (…). Todos os personagens e situações são fictícios. Qualquer semelhança só pode constituir mera coincidência.

Em meio ao medo de nunca mais retornarem aos seus lares, chegarem ao seu destino, passarem o dia de Natal com os amigos ou parentes que os aguardam, os passageiros iniciam uma conversa, no sentido de distrair as crianças, aliviar a tensão, tranquilizar os mais ansiosos, e trocam experiências, conhecimentos e histórias natalinas que asserenam e ensinam os verdadeiros valores de que se constitui o Natal.

A mesma leveza que se detecta em outra obra da autoria de Wallace, E… para o resto da vida, é encontrada nos doze capítulos em que se divide este livro,  correspondendo às mesmas horas de duração do sequestro, que se inicia a uma hora da manhã  e tem seu epílogo ao meio-dia. Óbvio que não relataremos o desfecho do evento mas, nesse desbordar das horas, as mais interessantes histórias, contos, tradições de vários países são relatadas, vez que o voo conduzia passageiros de diversas nacionalidades.

Naturalmente, não faltaram brasileiros para discorrer sobre as tradições natalinas em nosso país.

Houve quem relatasse as próprias experiências, houve quem falasse somente das tradições de seu país, de sua raça ou de sua religião. O livro encanta, de tal forma que, absorvendo-se na leitura, facilmente se esquece o cenário de intranquilidade que vivem aqueles passageiros, com homens de armas em punho e faces agressivas, não fosse sua menção em um ou outro trecho.

A narrativa do quarto mago, aquele que não conseguiu chegar ao encontro com os demais para empreenderem, juntos, a grande viagem ao local de nascimento do Rei, é das mais emocionantes.

É uma história de intenso amor, que se desdobra ao longo de mais de trinta anos, e que demonstra que, em verdade, ele foi aquele que encontrou Jesus verdadeiramente, pois que exerceu a Lei de Amor, renunciando sempre em favor de outrem, dando tudo que possuía, mesmo os preciosos presentes que adquirira para honrar o Rei Solar.

Comovedor o seu encontro com o Nazareno, exatamente no dia em que Ele estava sendo conduzido para a cruz, em Jerusalém.

Não menos emocionante a história do colar de contas azuis, traduzindo amor, renúncia e gratidão.

Possivelmente, no entanto, poucos saberão a história da origem da Canção de Natal, Noite de Paz ou Noite Silenciosa, nossa Noite Feliz. Pelos olhos desfilam, com riqueza de detalhes, as figuras do pastor Joseph Mohr, autor dos versos e do professor de música na escola da aldeia de Hallein, nos Alpes austríacos.

Dizem que, ao longo de toda sua vida, Gruber não produziu nada de mais significativo. Talvez porque o que compôs naquele inverno de 1818, não foi nada mais do que o que ele ouvira do mundo espiritual.

Escreveu Wallace que Gruber voltava para casa, a pé, pelos atalhos da montanha.

Havia uma paz tão grande na noite prateada, uma doçura tamanha no olhar amigo das estrelas, que seus olhos nublaram de pranto. E foi quando percebeu que o silêncio absoluto era repentinamente quebrado por um sublime e misterioso coro de maravilhosas vozes que partiam do recesso mesmo da noite. Herr Gruber estremeceu. Seus ouvidos se apuraram, e transido, perplexo, ouviu, de começo a fim, a sublime, a divina e pura canção que o céu deixava se derramasse por sobre sua cabeça.

Extasiado, correu à capela, assentou-se ao órgão e reproduziu a canção celestial.

Foi um coro de vozes homenageando a Cristo, numa esfera espiritual não muito distante, talvez, da crosta terrena. – Disse um passageiro.

Recomendamos a leitura. Também sugerimos se constitua em presente de Natal a um amigo ou familiar. Encantador presente, de desdobradas emoções, relembrando a magia de um natalício distante quando um Rei abandonou as estrelas e veio viver entre nós.

Publicação da Casa Editora O Clarim, de Matão, SP.

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