Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

Reflexões

agosto/2017 - Por Antônio Moris Cury

Estamos vivenciando dias de grande turbulência, agitação, incerteza, dúvida, insegurança e violência física em todos os quadrantes da Terra, e não apenas no Brasil.

Algumas pessoas se mostram indignadas, desesperançadas, desanimadas mesmo, imaginando que tudo está mudando para pior, a despeito de as que têm mais idade já terem visto ou pelo menos lido que crise, de tempos em tempos, sempre houve, assim como também ocorreu oportunamente a sua superação.

Para os seguidores do Espiritismo e seus simpatizantes, a situação é vista por outro ângulo, que não apenas o material.

Com efeito, especialmente para os que leram, estudaram e compreenderam o conteúdo das cinco obras fundamentais da veneranda Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese), nesses momentos, mais que nunca, não perdem de vista que todos somos Espíritos, agora encarnados. Temos origem divina, somos imortais e, portanto, indestrutíveis, viveremos para sempre no corpo físico ou fora dele, uma vez que a Vida não cessa e que a nossa individualidade estará preservada em qualquer hipótese.

Como Espíritos imortais, encontramo-nos na Terra para aprender. Aprender e progredir cada vez mais, pensar mais e melhor, pois que viveremos para sempre, razão pela qual tudo o que tivermos aprendido e consolidado passará a fazer parte integrante de nosso cabedal, de nossa bagagem. E pensar, cada vez mais e melhor, a fim de tornar mais aguçado nosso senso crítico e também para aumentar nosso nível de discernimento e de lucidez, é um convite permanente que recebemos através da leitura e do estudo das cinco obras basilares, pois que o Espiritismo é todo racional, a ponto de recomendar que tudo o que não passar pelo crivo da lógica, do bom senso e sobretudo de nossa razão deve ser rejeitado ou, no máximo, deixado de lado para posterior, acurada e cuidadosa análise.

A razão é tão forte e enfatizada pelo Espiritismo que integra até mesmo a sua definição de fé: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente e frente a razão, em todas as épocas da Humanidade, tal como se pode ver na página de abertura de O Evangelho segundo o Espiritismo, uma de suas obras fundamentais, que, por sinal, deveria ser de nosso uso bastante frequente [particularmente naqueles momentos em que nos encontrarmos aflitos, angustiados, em dúvida, inseguros e sobretudo com medo] e seria muito bom que se tornasse nosso livro de cabeceira, visto que, abrindo-o, com certeza, nele encontraremos esclarecimento, orientação e consolo, para dizer o mínimo.

Por outra parte, e como já bem o sabemos, A finalidade do Espiritismo é a de tornar melhores os que o compreendem, tal como registrado pela Revista Espírita (também chamada Jornal de Estudos Psicológicos) de julho de 1859, o que plenamente reforça a recomendação da leitura, do estudo e da compreensão dos livros fundamentais.

Já tivemos a oportunidade de escrever (jornal Mundo Espírita, maio 2017): Em nosso dia a dia bastará que não façamos o mal? Não fazer o mal, reconheça-se, é um passo, um avanço, mas não o suficiente, uma vez que nos compete fazer o bem, no limite de nossas forças, porquanto responderemos por todo o mal que haja resultado de não havermos praticado o bem, como consta, em outras palavras, na questão 642 de O Livro dos Espíritos. Com o conhecimento adquirido, veremos como é importante, e até mesmo fundamental, a busca pelo nosso aperfeiçoamento intelectual e especialmente o moral, com persistência, com perseverança, com esforço, com vontade, quando menos porque viveremos para sempre. A toda evidência, seremos os primeiros e maiores beneficiários dessa conquista que, por fazer parte  integrante e inseparável de cada um de nós, não se perde jamais.

Com essas brevíssimas reflexões, acreditamos ser possível retirar algumas conclusões.

Como antes referido, crise, de tempos em tempos, sempre existiu, assim como em algum momento passa; pode causar dor, perda e sofrimento, mas igualmente dela decorrem experiência, aprendizado e amadurecimento. E, que não se perca de vista, a crise se instala por obra exclusiva do ser humano.

Com os atos e fatos dos últimos tempos, salta aos olhos a conveniência e a importância da proposta espírita de reforma íntima dos seres encarnados na Terra, para que deixem para trás o homem (ser humano) velho, de antigas ideias e práticas, em geral apoiadas no orgulho e no egoísmo, as grandes chagas da Humanidade, e o substituam, por exemplo, por um novo ser, com outras ideias e práticas, a começar pelo exercício da compaixão, com mais tolerância, com mais boa vontade, com mais compreensão, com altruísmo, com melhores postura e compostura, com mais humildade, com decência, com honradez, com ética, com honestidade material e intelectual, com amor na mente e no coração, que procure enxergar no próximo um irmão e faça a ele somente o que gostaria que ele lhe fizesse, tal como nos ensinou Jesus, o Cristo, ao proferir a célebre, milenar e enxuta sentença, com a qual resumiu toda a lei e os profetas: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Por outra parte, temos recebido e visto pedidos de formação de correntes de orações, formulados através da tecnologia da informação, insinuando que, se não forem feitas, o globo terrestre estará em perigo e poderá simplesmente desaparecer do Universo. Enorme exagero. Não há razão para tal, e muito menos para desespero (nada obstante, em outros artigos sobre outros temas, vimos repetidamente enfatizando que A oração é a chave que abre as portas do Infinito).

As pessoas que formulam tais pedidos, sem sombra de dúvida, têm a melhor das intenções. É uma pena que, pelo visto, não conheçam o Espiritismo.

Se minimamente o conhecessem, saberiam que para tudo há uma razão de ser e que nada acontece por acaso.

Saberiam, principalmente, que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Governador Espiritual da Terra, de tal modo que o planeta não está à deriva, ao sabor da corrente ou do vento.

Mantenhamo-nos calmos e confiantes, pois. A despeito das aparências, o planeta Terra está sob controle.

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