Jornal Mundo Espírita

Abril de 2019 Número 1617 Ano 87

Reflexão oportuna!

janeiro/2009

Inegavelmente o Movimento Espírita vive época de tensões produzidas pelo açodamento das discussões travadas nos mais diferentes rincões. Um sem número de pessoas e movimentos, auto intitulados de vanguarda, pregam a necessidade de revisão dos postulados doutrinários ou, no mínimo, atualização dos conceitos. Essas vertentes, acintosamente, renegam o tríplice aspecto do Espiritismo, sob a simplória alusão à prática de igrejismo e/ou esoterismo, tentando subtrair o seu lado religioso.

Em artigos diversos, tentam obter apoios para suas opiniões, sem maior aprofundamento no campo da Codificação e no próprio pensamento kardequiano. Tentam a posse da verdade, escondidos sob o manto da pseudo-racionalidade que, segundo eles, não pode aceitar o misticismo. Dessa forma, colocam a fé como verdadeira utopia. Há também aqueles que se aborrecem em face das exigências naturais quanto à disciplina e à hierarquia moral e doutrinária, que devem vigir no seio das comunidades espiritistas. Sob o pálio indefensável do disfarce, apelam para os sentimentos, como se tudo pudesse ser resolvido na Terra, sem regras, sem normas, sem direção.

Também há descontentes que, uma vez transitados pelo poder, pelo mando e superados pelo tempo, pela renovação natural e necessária, sustentam suas pretensões no continuísmo, achando-se infalíveis e indispensáveis, encastelados na ilusão de que somente por eles é que o Movimento Espírita caminha em frente.

Nesse torvelinho de insensatez e vaidades, não se pode descurar do destaque que se deve dar ao bastião de resistência que é o Centro Espírita, já muito bem definido como escola, hospital, universidade… que curam as chagas da alma, libertando consciências.

Nesses tempos difíceis, aqueles que temos na conta de trabalhadores espíritas, devem proceder urgente reflexão sobre o papel e o trabalho de nossos Centros Espíritas, formulando indagações como: o Centro Espírita que freqüento tem boa ou ótima organização? Tem disciplina? Tem metas? Tem companheiros motivados? Tem estudos doutrinários sérios? Tem prática equilibrada da mediunidade? Tem promoção social fraterna e caridosa?

Se positivas as respostas, esse será o Centro Espírita que ofertará campo de resistência às investidas das teorias esdrúxulas prejudiciais às realidades espiritistas, da ganância pelo poder, do interesse particular, e será, sem dúvida, o local onde a comunhão entre os dois planos da vida e se acentuará, de forma firme e segura, com respeito e com dedicação, ensejando o cumprimento do papel a que se destina efetivamente.

Os responsáveis pro decisões nesses ambientes de reconstrução da alma necessitam estar atentos às arremetidas do desequilíbrio que, vez por outra, se apresenta na forma do desânimo e das cizânias. Devem buscar o bom enfrentamento dessas questões, sem jamais descuidar do bom senso, que se exala do próprio seio da Doutrina dos Espíritos, estando atento ao conselho evangélico do “Vigiai e Orai”.

Portanto, essas reflexões, além de oportunas, são prioritárias, a fim de que não se permita o crescimento de tais absurdos, que contrariam o texto evangélico, como consta de João (cap. 14), em que o Consolador viria para ficar eternamente conosco. Sendo eterno, não cabe mudanças, muito menos de forma precitada.

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