Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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Raul Teixeira – um homem no mundo – 40 anos de oratória espírita

janeiro/2014 - Por Marco Antonio Negrão

Cezar Braga Said, jovem escritor e orador espírita, valeu-se do transcurso dos quarenta anos de oratória de Raul Teixeira para garimpar curiosos, instrutivos e intrigantes fatos, decorrentes da sua intimidade com o Mundo dos Espíritos e de sua convivência com o Movimento Espírita no Brasil e pelo mundo afora. Visões mediúnicas, mistificações de desencarnados, agressões espirituais e prestação de socorro durante desdobramento são alguns dos registros desse bem chegado livro, pois que já fazia falta, principalmente, aos que acompanham, ao longo das décadas, o caminho de lutas e de bênçãos elegido pelo orador niteroiense.

Apresenta-nos um relato de Divaldo Pereira Franco sobre sua amizade com Raul, bem como um comovedor testemunho acerca da sua qualidade mediúnica. Cezar Said nos permite conhecer um pouco mais sobre diversos momentos e aspectos da lida socioespiritual desse incansável trabalhador da Seara Espírita, que é Raul Teixeira.

O livro teve sua primeira edição em 2008, pela Editora Fráter.

No sumário, encontraremos a divisão em quatro capítulos: A iniciação espírita, O aprendizado com os médiuns, Os Espíritos afins, Experiências em desdobramento e Raul por Raul, dando-nos uma ideia preliminar do que tratará a obra.

Conheceremos as dificuldades que os grandes oradores e orientadores espíritas enfrentaram e enfrentam para alcançar o nível de excelência no trabalho do bem. Vemos esses irmãos e, mais especificamente, Raul Teixeira, nas salas fazendo suas apresentações, exposições e acreditamos que as coisas são fáceis. Porém, não nos lembramos de avaliar o nível de sacrifício que precisam ter, quanta dedicação, quanto compromisso a ser atendido. E, no caso de Raul, que hoje vive uma realidade que nos dá um exemplo de superação e resignação para vencer o seu atual momento.

No prefácio, encontramos a transcrição de parte de uma entrevista da notável médium Yvonne do Amaral Pereira (Pelos caminhos da mediunidade serena, Pedro Camilo): O médium não tem que receber privilégios, nem elogios, nem homenagens especiais. Esse erro tem entravado, prejudicado e até destruído o progresso de muitos médiuns. O médium é um ser no bem como outro qualquer e, como intermediário entre o invisível e a Terra, está cumprindo o seu dever como os demais adeptos cumprem o deles. Precisa, sim, é de caridade e orações que lhe deem forças para o mandato que deverá desempenhar.

Desde as primeiras linhas, tomamos consciência de que o livro não tem a finalidade de elogiar o querido trabalhador da Seara de Jesus – Raul Teixeira, mas de reconhecer as lutas íntimas, a perseverança e, principalmente, o caminho percorrido até que o insigne orador espírita atingisse o lugar destinado àqueles trabalhadores de Jesus que têm que dar sua cota de sacrifício e abnegação para poderem trabalhar em nome do Cristo. É o reconhecimento do esforço e também, o exemplo a ser seguido.

No capítulo 1, A iniciação espírita, o autor nos mostra os fenômenos na infância, a chegada ao Centro Espírita, a primeira palestra no Rio de Janeiro e o torneio de oratória.

Cezar Said narra as primeiras manifestações espíritas de Raul, utilizando-se de recordações dele próprio, extraídas da obra Correnteza de LuzDesde muito criança convivi com as manifestações mediúnicas na minha casa. Minha mãe era médium de incorporação, de efeitos físicos, vidente, e eu lhe via expandir essa mediunidade, vivendo e convivendo com ela nesse universo de fenômenos… Quando ela recebia as pessoas no quarto de oração, eu via outras que chegavam, que atravessavam as paredes…

Em O aprendizado com os médiuns, o autor descreve as impressões de Raul, no contato com os médiuns Francisco Cândido Xavier, Yvonne do Amaral Pereira, Júlio César Grandi Ribeiro e Divaldo Pereira Franco.

Conheceremos detalhes e a surpresa de Raul, em sua primeira visita à cidade de Uberaba – MG, em julho de 1969, quando, conversando com a dirigente do Centro Espírita Caminho da Luz, teve uma informação que o deixou muito sensibilizado. E teremos um perfil de Raul, pela palavra de Divaldo Pereira Franco.

No capítulo Os Espíritos afins se encontram as informações acerca da iniciação espírita de Raul, a preparação e desenvolvimento das possibilidades psiconeurológicas para a psicografia e a psicofonia e qual o Espírito responsável por esse trabalho.

O autor inicia o capítulo Experiências em desdobramentos, explicando que os quadros aqui narrados foram vividos por Raul em alguns desdobramentos, ou seja, instantes em que o Espírito se liberta, se emancipa momentaneamente do corpo físico e, mesmo estando a ele ligado por laços fluídicos, vai a lugares, participa de encontros, experimenta sensações, conversa com outros Espíritos, socorre corações, vive obsessões, enfim, se depara com as suas construções mentais.

São três situações ligadas à ação de Espíritos inferiores e duas onde os Benfeitores Espirituais atuam ostensivamente: numa delas para evitar um suicídio e noutra para beneficiar o próprio Raul numa situação que poderia ter um desfecho trágico.

Finalmente, em Raul por Raul, leremos a respeito dos livros que mais marcaram a vida desse trabalhador do Bem e as razões pelas quais esses livros o marcaram. Porém, o mais interessante é a resposta que Raul dá à pergunta: Quem é Raul Teixeira?

Sugerimos a leitura desse livro, não só para se conhecer melhor nosso Raul Teixeira e passarmos a admirá-lo cada vez mais. Mas, sobretudo para que o seu exemplo de vida, seu comportamento reto e resignado seja, para todos nós, exemplo a ser seguido.

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