Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Quando o sucesso incomoda

junho/2010

Ao longo dos milênios, ideais foram perseguidos e idealistas foram martirizados, sem exceção, nas épocas em que viveram.

Sócrates foi envenenado; Jesus, crucificado; Estêvão, apedrejado; Paulo, degolado; Galileu Galilei, humilhado; Martinho Lutero, desprezado; John Huss, queimado; Allan Kardec, caluniado…

Não foi por outra razão que se deu o Auto de Fé em Barcelona, Espanha, na data de 9 de outubro de 1861. O Santo Ofício, às 10h30, queimava 300 volumes espíritas.

“O Livro dos Espíritos” anunciava a Nova Era, contrariando interesses e implodindo o carcomido edifício de dogmas inaceitáveis. A efeméride deu-se em 18 de abril de 1857 que, no futuro, será comemorada em todas as pátrias.

Em sua segunda edição, lançada em 1860, no item IX da Introdução, Kardec comemorava: “A Doutrina Espírita conta, hoje, milhões de adeptos”.

Nos Prolegômenos desse livro-luz, benfeitores espirituais que organizaram a vinda do Consolador à Terra, fizeram questão de advertir

o nobre Codificador: “Não te deixes desanimar pela crítica. Encontrarás contraditores obstinados, principalmente entre as pessoas interessadas nos abusos. Encontrá-cinematografia brasileira.

É sempre assim! Alos-ás mesmo entre os Espíritos, porque os

que ainda não estão completamente desmaterializados procuram muitas vezes semear a dúvida, por malícia ou ignorância. Prossegue sempre; crê em Deus e marcha com confiança: aqui estaremos para te amparar e está próximo o tempo em que a verdade brilhará de todos os lados.”

Mas os livros queimados na bela metrópole surtiram efeito contrário. O fato despertou a indignação da Europa que passou a debruçar-se sobre a Doutrina nascente, respondendo positivamente aos seus nobres e esclarecedores princípios.

Chico Xavier, como esperado, também não foi poupado ao longo dos seus 75 anos de ministério de amor e sacrifício. Dos 5 aos 92, quando desencarnou, foram anos de lutas contínuas, irrigando com lágrimas o bendito caminho que perlustrou.

Agora, por ocasião do primeiro centenário de seu nascimento, que empolgou a mídia em todo o País, não poderia ser diferente. Bastou o anúncio do filme que leva seu nome, para que os renitentes inimigos da fé renovadora disparassem suas pobres baterias, na vã tentativa de promover o seu insucesso.

Mais uma vez, o efeito foi o inverso.

O filme superou todos os recordes da  tempestade em noite fria assusta, mas cede lugar à matina sorridente, como brinde do Sol, trazendo boas novas.

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