Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88

Qual o valor da vida?

maio/2012

Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião.

Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais…

Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância…

Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinquência, erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão.

Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza…

 Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.

Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a bênção da luz.

EMMANUEL
(Religião dos Espíritos, psicografia de Francisco C.
Xavier, 17. ed. FEB).

Segundo questão proposta por Kardec aos Espíritos (O Livro dos Espíritos, questão 880), “o primeiro de todos os direitos naturais do homem é o de viver. Por isso é que ninguém tem o direito de atentar contra o seu semelhante, nem fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal”.

Com o desenvolvimento da Ciência não se pode negar as potencialidades do embrião, sua extraordinária força germinativa, seu DNA inconfundível e único, diferente da mãe demonstra que ele é uma personalidade independente  e a genitora apenas o hospeda em seu ventre durante a gestação.

Em um mês a célula terá um aumento de massa de dez mil vezes e esta velocidade de desenvolvimento jamais se repetirá em nenhum momento da existência de qualquer indivíduo, portanto, o abortamento induzido significa eliminação de uma pessoa biologicamente viva.

Os avanços nos estudos da psicologia fetal e no campo da memória, as pesquisas com ultrassom, revelam as personalidades dos bebes e a riqueza de sua vida psicológica pré-natal, mesmo na fase inicial do desenvolvimento do embrião.

Com diz André Luiz no livro Ação e Reação, psicografado por Chico Xavier, “(…)Arrancar uma criança ao materno seio é infanticídio confesso. A mulher que o promove ou que venha a cometer semelhante delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades(…).

O respeito à vida, desde que se inicia é fundamental. O acaso não existe, portanto, mulher nenhuma engravida por acaso. O espírito ligado a ela no momento da concepção é alguém que depende dela para crescer, educar-se e evoluir.

Nada acontece por acaso, o que nos parece, por ora, uma calamidade, tem sempre uma programação prévia nas esferas superiores, por mais que nosso entendimento limitado ainda não a compreenda. Tudo no Universo é harmonia, perfeição. À cada causa desviada do propósito do bem advirá uma correção através de experiências por vezes dolorosas, mas necessárias no retorno ao caminho reto.

Diz Joanna de Ângelis:

“(…)Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila…

(…)É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.(…)” (Anencefalia, psicografia de Divaldo Franco – ver mensagem na íntegra na página 9)

Conforme sabemos, o acaso não existe. Ninguém é vítima de ninguém. Portanto, a mãe que recebe em seu ventre este irmão necessitado também é carente de reparação dos erros pretéritos que devem ser expurgados nesta ocasião.

É a chance de recuperar a paz e o equilíbrio outrora destruídos.

É na carne que aprendemos as lições profundas do amor que nos elevará, um dia, em definitivo, da Terra para o Céu.

O homem é convocado a exercer a vida em toda sua extensão. Pois a vida se estende muito além do campo da matéria, na dimensão do espírito.

Jesus nos disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”.

Todo homem reconhece na lei natural o direito de viver, que traz inscrito na sua consciência, portanto, o direito desse bem deve ser inteiramente respeitado, a despeito de nossa ignorância nos propósitos divinos.

É importante respeitar, defender, amar e servir à vida. Este o caminho para a justiça, o progresso, a liberdade, a paz e a felicidade.

É no esforço conjunto que cresceremos para edificar uma nova civilização, voltada para a Verdade e para o Amor.

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