Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Protagonismo da juventude espírita

julho/2018

Do plantio à colheita

Neste mês de julho completam-se 70 anos da realização do 1º Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, no período de 18 a 25 de julho de 1948.

Idealizado e organizado pelo incansável trabalhador espírita, Leopoldo Machado, o evento foi pleno de êxito, congregando mais de seiscentos jovens espíritas de todo o Brasil, numa grande festa que combinou a alegria e o entusiasmo do jovem, com o compromisso fortalecido naquele momento para com a responsabilidade do estudo e da divulgação da Doutrina Espírita pelas vastas terras do nosso querido país.

Com abertura no Teatro João Caetano, contou com a presença de instituições culturais e religiosas, autoridades civis e militares, incluindo-se deputados e senadores.

Imagens podem ser conferidas no Canal FEP https://www.youtube.com/watch?v=zZju8Cgl9NQ&t onde vemos os jovens espíritas em ampla atividade, conduzidos por mãos seguras de expoentes do movimento espírita nacional, tendo, inclusive, como presidente de honra do evento Arthur Lins de Vasconcellos Lopes, denotando a importância de tal acontecimento para o movimento espírita nacional.

Verificamos que o que movia os jovens da época não eram somente a empolgação e o entusiasmo característico da idade juvenil, pois, com certeza, o crescimento e a organização do movimento espírita, que encontramos nos dias de hoje, são fruto do árduo trabalho desses confrades pelo Brasil afora.

E o plantio continua…

E o trabalho com as nossas mocidades e juventudes espíritas continua, demonstrando, cada vez mais, esforços das federativas nacional e estaduais, no sentido de aprimorar a tarefa, dada a importância percebida da atuação junto aos jovens, na certeza de que a mensagem de Jesus à luz do Espiritismo representa roteiro seguro e convida o jovem a assumir-se como tarefeiro no bem e a colaborar na construção do mundo novo, como fiel colaborador do Cristo nas transformações da sociedade.1

Nesse sentido, observa-se  sempre mais a necessidade de estímulo à efetiva participação do jovem nas atividades do Centro Espírita, não se limitando ao seu grupo de estudos, mas de forma ampliada, onde ele se sinta pertencente e responsável pela Instituição que o abriga e lhe permite ampliar seus horizontes de conhecimento acerca das Leis da Vida, através do estudo da Doutrina Espírita, assim como de vivência evangélica e convivência amorosa com companheiros de Ideal. Mais ainda, lhe permita e estimule a perceber-se como responsável pelo seu próprio progresso enquanto Ser Espiritual, mas também pelo aprimoramento do meio e da sociedade onde está inserido.

É o esforço para que se desenvolva o protagonismo juvenil, entendido como a atuação dos jovens como personagem principal de uma iniciativa, atividade ou projeto voltado para a solução de problemas reais, portanto, é a participação ativa e construtiva do jovem na vida da escola, da comunidade ou da sociedade mais ampla.1

Muito importante observar que a atuação do jovem nesta participação ativa e construtiva deve ocorrer sempre com o apoio e em conjunto com aqueles mais experientes, que o precedem na tarefa nesta encarnação:2

(…) o protagonismo preconiza um tipo de relação pedagógica que tem a solidariedade entre gerações como base, a colaboração educador-educando como meio e a autonomia do jovem como fim.

De fundamental importância atentar para a aplicação deste conceito que se encaixa perfeitamente nos conteúdos doutrinários que aplicamos nos nossos roteiros de evangelização, abordando o respeito aos mais velhos, respeito às diferenças de opiniões, dando-lhes assim oportunidade de vivenciar esses ensinamentos, percebendo o quão produtiva pode ser a atuação conjunta da vitalidade e vigor juvenis com a ponderação e serenidade, mais característicos da maturidade dos que já possuem experiência desta caminhada. Ação conjunta esta que vai acolhendo a vontade jovem de fazer e, ao mesmo tempo, desenvolvendo sua autonomia para que ele possa, logo à frente, tomar as rédeas não só de sua vida, com segurança e assertividade, mas também a colaborar com o Cristo, de forma efetiva para a construção do mundo novo.

É o plantio dos lavradores que hoje estão com a enxada na mão, colocando a boa semente não só nas mentes dos jovens, mas tocando também seus corações e auxiliando-os a pôr mãos à obra para a semeadura e colheita futura.

Conhecimento doutrinário, levando ao aprimoramento moral, impulsionando a transformação social. Esse é o trabalho de hoje, inspirado e possibilitado pelo exemplo e pelo esforço dos trabalhadores de ontem, escudeiros do Cristo que ouviram Seu chamado, atenderam Seu apelo e realizaram a contento a tarefa que permite a colheita de hoje!

 

Referências:

1 FEB/CFN. Orientação para a ação evangelizadora espírita da juventude: subsídios e diretrizes. Brasília, 2016. pt. 1, cap. 1.

2 COSTA, A. C. G. da. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000.

 

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