Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Progredir sem cessar

março/2013 - Por Antônio Moris Cury

Desde a primeira vez que lemos o texto  Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei [em tradução livre de Naître, mourir, renaître encore et progresser sans cesse telle est la loi], sentimos forte impacto, positivo, que fez vibrar as fibras mais sutis de nossa intimidade, de nossa alma, uma vez que ali se encontrava inspirado resumo da veneranda Doutrina Espírita em termos de progresso e de justiça, ficando claramente subentendido que, entre nascer e morrer, havia também o viver no corpo, ainda que por pouco tempo. A frase, acima mencionada, encontra-se inscrita no túmulo do professor Hyppolite Léon Denizard Rivail, o nosso Allan Kardec, no Cemitério Père-Lachaise em Paris, França, onde foi sepultado o seu corpo material. Até hoje, decorridos muitos anos, basta que leiamos ou ouçamos o texto para vivenciarmos as mesmas reações.

Em ligeiras linhas, procuremos examinar aqui tão-somente a questão do progresso, de conformidade com o título deste artigo.

Como teoricamente sabem os Espíritas, de cor e salteado, o progresso é uma Lei da Natureza. Por isso, é importante enfatizar: as Leis da Natureza, de que é exemplo a Lei do Progresso, regem a nossa vida, a nossa atual existência, percebamos ou não, concordemos ou não, aceitemos ou não, duvidemos ou não, acreditemos ou não. A atenta e aguda observação dos atos e principalmente dos fatos do dia a dia é mais que suficiente para que cheguemos a esta conclusão.

A propósito, como bem esclarece a questão 614 de O Livro dos Espíritos, a obra fundamental do Espiritismo: A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.  (75ª edição FEB, 1994, página 305)

Por outra parte, e para dizer o mínimo, o progresso pode ser material, intelectual e moral.

Ao contrário do que alguns supõem ou imaginam, o Espiritismo não faz apologia da pobreza. Bem ao contrário, considera legítima a aspiração pela conquista de bens materiais que, sem dúvida, trazem conforto e bem-estar, além de gerar amplas possibilidades de progresso em termos de educação, saúde etc. É legítima, porém, desde que legítimos e lícitos sejam os meios empregados para essa conquista: trabalho, dedicação, esforço, honestidade, merecimento, enfim.

Por sua vez, o progresso intelectual engendra o progresso moral.

Na definição de O Livro dos Espíritos, A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus. (edição antes citada, questão 629, pág. 310)

Neste ponto convém recordar o que disse Sócrates, filósofo grego [antes de Cristo]: Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

Assim, na medida em que vamos alcançando maior e melhor nível de informação e de conhecimento, alavancamos, algumas vezes sem o perceber, o nosso progresso moral, razão pela qual ler e estudar é importantíssimo, sempre. O conhecimento que adquirimos é nosso, uma vez que a ferrugem não o corrói, a traça não o come e não há ladrão que o possa roubar. Mais: permanecerá sempre conosco, como parte integrante de nossa individualidade, visto que somos os seres pensantes da Criação, Espíritos imortais e, portanto, indestrutíveis, isto é, com a morte física saímos do corpo, mas não saímos da vida.

O economista José Pio Martins, professor e reitor da Universidade Positivo de Curitiba, recentemente escreveu: O ser humano não é uma ameba que morre do jeito que nasce. Corrigir, adaptar, melhorar e evoluir… são verbos que podemos incorporar ao nosso vocabulário e vê-los como amigos diletos, a quem devemos cultivar com alegria e devoção. Mesmo sabendo que o caminho é árduo, o processo de evoluir constantemente é um belo projeto de vida e uma razão por que viver. É uma forma de ter motivação e ideal. Você é o seu maior projeto. (encontrável no livro Seu Futuro, Editora Fundamento, 1ª edição, 2011, página 30).

Ao texto antes reproduzido, excelente por todos os títulos [com especial destaque para Mesmo sabendo que o caminho é árduo, o processo de evoluir constantemente é um belo projeto de vida e uma razão por que viver], gostaríamos de acrescentar o que aconselhava Pitágoras, outro grego, matemático e filósofo [também antes de Jesus, o Cristo]:  Escolha sempre o caminho que pareça o melhor, mesmo que seja o mais difícil; o hábito brevemente o tornará fácil e agradável.

Com estas brevíssimas considerações, não será difícil concluir a indispensável e inadiável necessidade que todos temos de progredir continuamente, sempre, nas múltiplas expressões que o progresso comporta, sem nos esquecermos de que O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual. (questão 919 de O Livro dos Espíritos, edição anteriormente apontada, p. 424).

Com efeito, o autoconhecimento é tão importante que integra a milenar, célebre e imbatível sentença do Cristo, com a qual resumiu todas a lei e os profetas: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, uma vez que só pode amar ao próximo como a si mesmo aquele que se ama e para amar-se é preciso conhecer-se.

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei.

Logo, progredir sem cessar é da lei [Lei Natural: única e verdadeira para a felicidade do homem]. Compete-nos, portanto, observá-la e cumpri-la.

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