Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88

Primavera da esperança

setembro/2020

Apenas a crença não é suficiente, se não leva a resultados.

Nossas crenças estão postas diariamente à prova e nossa fé clama por coragem para superações.

Os problemas pedem ação, devotamento e sacrifício, na busca de soluções.

*

No presente momento, é como se sombras acinzentadas cobrissem o azul do céu de nossos sonhos de alegria, felicidade e êxito na jornada.

São dezenas as regiões no planeta que se enfrentam em confronto armado; dezenas de milhões de pessoas recolhidas em campos humanitários de refugiados; testes nucleares retomados pelos governos beligerantes; destruição de vidas em várias regiões do planeta; uma pandemia que impôs ao mundo regime de isolamento social; dias com, praticamente, todos os aviões em solo, navios ancorados, trens parados, ônibus estacionados, ruas sem carros, lojas e fábricas fechadas, parques e praças sem ninguém, e uma Humanidade amedrontada pela COVID-19.

Hoje:

Desespero é o contorno das faces que perderam o brilho da confiança.

Desconforto pelas incertezas e sentimento de fracasso pelos ideais abalados.

Angústia parte do coração e irriga toda a mente com as tintas do pessimismo.

*

Lembremo-nos do Consolador Sublime:

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.1

*

Isso também vai passar.

Haverá uma trégua. Logo chegará a bonança.

Confiemos!

*

Disse Ele: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança…2

*

O poeta de origem libanesa, Khalil Gibran, com a suavidade de sua sensibilidade, escreveu:

No coração de todos os invernos vive uma primavera pulsante, e depois de cada noite, sempre vem uma aurora sorridente.

E em outro momento, anotou:

Se o Inverno dissesse: “A Primavera está no meu coração”, quem acreditaria no Inverno?

E sublinhou ainda:

A consciência de uma planta no meio do inverno não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a primavera virá, por que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queríamos?

*

A esperança renova alegrias.

Na vida cotidiana, percebemos que tudo tem seu apogeu e seu declínio.

Também é da natureza que, qual a semente que morre para deixar surgir a árvore, a vida ressurge, triunfante e bela, tão logo cessada a invernia dos dias.

Novas folhas, novas flores, na infinita bênção do recomeço!

Os jardins explodem em cores e perfumes.

As matas reverdecem e espalham seu frescor.

Os pássaros começam a cantar para não mais parar.

Os riachos engrossam suas correntezas e levam vida por onde vão.

O azul retorna aos céus.

Crianças preenchem o silêncio com os risos e barulho de suas brincadeiras.

A brisa suave acorda as folhas para que possam farfalhar e anunciar nova estação.

Primavera é esperança.

Mesmo às voltas com legítimas preocupações de agora, ouçamos o canto suave e o sublime convite do Jardineiro Celestial:

Vinde a mim todos vós que estais cansados e aflitos, e eu vos aliviarei, eu vos consolarei…3

Tende bom ânimo, eu venci o mundo.4

*

O momento-vida nos pede tolerância para com tudo e todos, compaixão para com o próximo, paciência, harmonia no pensar e no agir e fé em dias melhores, certo de que o Senhor é nosso Pastor e nada nos faltará.

O nobre Codificador do Espiritismo escreveu e fala-nos ao coração:5

(…) para os que compreendem o Espiritismo filosófico e nele veem outra coisa, que não somente fenômenos mais ou menos curiosos, diversos são os seus efeitos.

O primeiro e mais geral consiste em desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais. (…)

O segundo efeito, quase tão geral quanto o primeiro, é a resignação nas vicissitudes da vida. O Espiritismo dá a ver as coisas de tão alto, que, perdendo a vida terrena três quartas partes da sua importância, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham. Daí, mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos. (…)

O terceiro efeito é o de estimular no homem a indulgência para com os defeitos alheios. (…)

*

Em seus poemas, Khalil Gibran faz a esperança brilhar para que todos possamos enxergá-la:

Sinto-me como uma semente no meio do inverno, sabendo que a primavera se aproxima. O broto romperá a casca e a vida que ainda dorme em mim haverá de subir para a superfície, quando for chamada. O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar.

*

Esperemos pelos desígnios da Divindade!

E com nossos corações ungidos pelo bálsamo da fé, deixemos nossa alma colorir-se com as cores da vida verdadeira e abundante, visível aos olhos de todos os homens de boa vontade.

Isso inspirará a primavera da esperança para todos ao nosso redor, o refrigério da confiança em dias melhores.

Jesus é, e está conosco.

 

Referências:

  1. BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 6, vers. 34.
  2. Op. cit. Marcos. cap. 4, vers. 39.
  3. Op. cit. Mateus. cap. 11, vers. 28.
  4. Op. cit. João. cap. 16, vers. 33.
  5. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. Conclusão, item VII.

 

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