Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Precisa de renovação

fevereiro/2016

Passaram os festejos. O calendário indica o segundo mês do novo ano. As notícias gerais da grande imprensa não mudaram muito. Tudo indica que o ano não é tão novo assim.

Precisa de renovação.

Se não podemos mudar o desfavorável contexto mundial, podemos e devemos mudar o nosso mundo íntimo e o restrito contexto onde estamos agindo.

Inegável o quadro geral, naquilo que a imprensa destaca para informar (quase tudo ruim), muito complexo, grave, sofrido.

Não é de hoje esse panorama existencial turbulento e violento.

Tanto que Jesus, o Consolador por Excelência, tendo deixado Suas sublimes lições, anunciou a vinda (por necessidade remanescente) de outro Consolador: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre. (Jo, 14:16)

Corporificado nas letras do Espiritismo, o Consolador aguarda mais mãos diligentes, impulsionadas por corações repletos de solidariedade, fraternidade, amor, para mais servir os seus propósitos na Terra.

Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. [1]

Grande a extensão dos domínios da dor? Grande a abrangência que a caridade precisa alcançar na sua prática.

Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado. (Lc, 12:48)

Os Espíritas e nossas organizações temos grande responsabilidade no socorro à Humanidade padecente.

Não só na divulgação da mensagem de consolo e esperança, de que a Doutrina Espírita é revestida, mas na vivência de seus postulados e na prática da caridade.

Nossas organizações precisam estar estruturadas nas sólidas bases do amor, que é a essência da mensagem cristã, como ensinou Jesus:

Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento, e com toda a tua força, esse o primeiro mandamento. O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não existe outro mandamento maior do que estes. (Mc, 12: 30-31)

E o Espírito de Verdade, enfatizando tais preceitos, nos leciona: Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. [2]

Para que o amor impere, é urgente que se estabeleça a união fraterna entre todos, em nome do compromisso assumido com Jesus.

Trazemos novamente as especiais palavras do Espírito de Verdade, muito conhecidas, mas pouco adotadas, falando ao coração dos espíritas, dos cristãos:

Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra, porquanto o Senhor lhes dirá: Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra! Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! [3]

Como pode uma organização, um grupamento de espíritas, estruturada nas promessas da fraternidade e do amor ao próximo, que tem suas portas abertas em nome de Jesus, deixar proliferar em sua intimidade a calúnia, a dissensão, a intriga, a maledicência?

Os que lideramos e os que trabalhamos nesse Movimento de revivescência do Evangelho, em sua simplicidade e pureza, os que guardamos os compromissos diretivos das organizações, precisamos dar o primeiro passo rumo à consolidação da fraternidade madura e legítima entre todos, aproximando-nos uns dos outros, com espírito de irmãos. Estabelecer programas e ações para que o espírito do Espiritismo se faça presente em cada coração, em cada organização.

Onde houver sinais de dissensão, empreender esforço pela concórdia.

Nas manifestações de orgulho e arrogância, agir com a grandeza da humildade.

Quando da falta de solidariedade e fraternidade, utilizar o amor como fonte e forma de diálogo esclarecedor.

Diante de exigência de concessões desfigurativas dos postulados cristãos, que nosso falar seja sim, sim, não, não.

Sob o guante das perseguições, mantermo-nos sob o pálio protetor de Jesus e de seus Luminares Prepostos, luarizando-nos com as luzes da oração.

Identificando comportamentos alheios às bases do Espiritismo, convidar ao estudo reflexivo do grandioso tesouro de conhecimentos superiores que a doutrina oferece, afastando-nos de opiniões pessoais e pontos de vista.

Diante da calúnia, o perdão.

Diante de situações amigas e favoráveis, aproveitar para empreender fortalecimento das raízes do amor e permitir a frutificação mais ampla do bem.

Lins de Vasconcellos, Espírito, velho jequitibá[4] das terras paranaenses, convida-nos à amadurecida reflexão:

Mais do que nunca estamos sendo convidados a um trabalho positivo de construção da nova Humanidade. Que nossas atitudes não venham comprometer o programa superior, que no momento repousa em nossas débeis e agitadas mãos. [5]

 



[1] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. VI, item 7.

[2] ______. Op. cit. cap. VI, item 5.

[3] ______. Op.cit. cap. XX, item 5.

[4] Jequitibá – árvore cujo nome, em Tupi, significa: o gigante da floresta.

[5] FRANCO, Divaldo Pereira. Sementeira da fraternidade. Por diversos Espíritos. Salvador: LEAL, 2008. cap. 19.

 

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