Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

Possíveis tendências da Evangelização Espírita

junho/2013 - Por Cezar Braga Said

Se o homem conhecesse a extensão dos recursos que nele germinam, talvez ficasse deslumbrado e, em vez de se julgar fraco e temer o futuro, compreenderia a sua força, sentiria que ele próprio poderia criar este futuro.

                        Léon Denis

(O problema do Ser, do destino e da dor, cap. XX, terceira parte).

           

Desde que a Federação Espírita Brasileira, sob a inspiração do mundo espiritual superior, lançou a bandeira da evangelização infanto- juvenil, em épocas recuadas, e as demais federativas e órgãos de unificação abraçaram a ideia, diversas instituições do nosso movimento começaram a implantar e aperfeiçoar esse trabalho de educação.

Apesar do tempo, do progresso e da importância que essa tarefa tem no contexto do centro e do movimento espírita, ainda existem desafios a serem encarados e dificuldades a serem vencidas, sobretudo na conscientização dos dirigentes, das lideranças e dos próprios evangelizadores sobre a relevância dessa tarefa que demanda um aperfeiçoamento contínuo.

Quando pensamos em possíveis tendências da evangelização espírita, estamos fazendo um exercício, ao mesmo tempo, de observação, constatação e simultaneamente de projeção, imaginando possíveis cenários, caminhos que essa atividade possa seguir a partir das nossas iniciativas e decisões.

As tendências que aqui apresentamos podem não se aplicar, em sua totalidade, na imensa e rica diversidade do movimento de evangelização espírita infanto-juvenil, existente no Brasil e fora dele, mas podem servir para uma reflexão em torno de algo já conseguido ou algo a ser tentado, fazendo-se as devidas adequações, dentro das singularidades de cada grupo espírita.

1, Criação nas instituições espíritas de grupos de estudo sobre as relações do Espiritismo com a educação, de modo a desvelar cada vez mais e melhor, das páginas da Codificação Espírita e de obras do gênero, a pedagogia e a educação espíritas.

2. Capacitação permanente dos evangelizadores, por meio dos grupos de estudo e de cursos intensivos/extensivos promovidos pelas instituições espíritas e órgãos de unificação.

3. Maior percepção do caráter educativo da Doutrina e do centro espírita, por parte de dirigentes e trabalhadores e a consequente valorização da causa da Evangelização Espírita.

4. Crescimento quantitativo e qualitativo dos encontros para capacitação e troca de experiências em torno da prática evangelizadora.

5. Maior compreensão das questões ligadas à avaliação, de modo a aferir melhor o aproveitamento das crianças e jovens.

6. Maior contato e troca de experiências entre os grupos espíritas que lidam com a evangelização, graças ao avanço e popularização dos veículos de comunicação (e-mail, Orkut, twitter, facebook etc.).

7. Maior integração dos evangelizadores com as famílias dos evangelizandos.

8. Maior participação dos pais no planejamento anual ou semestral que é elaborado para o DIJ, a princípio sugerindo temas e, posteriormente, participando em outras etapas do processo (inclusive evangelizando).

9. Maior integração dos conteúdos abordados com a realidade social.

10.Maior conhecimento e concomitante aproveitamento dos princípios da Pedagogia de Jesus.

11.Adequação do ambiente, quando possível, propiciando instalações compatíveis com a tarefa evangelizadora.

12.Crescimento gradativo das publicações sobre educação espírita, com abordagens específicas sobre a evangelização.

13.Atividades evangelizadoras centradas em vivências que oportunizem:

13.1.descobertas e construções de conhecimentos por parte das crianças e adolescentes;

13.2.maior exploração da relação do Espírito com seu corpo;

13.3.maior contato com crianças e pessoas que vivam em condições de penúria;

13.4.maior participação dos evangelizandos no desenvolvimento das atividades, rompendo com a passividade que reforça a condição de objeto e impede que eles se percebam e se construam como sujeitos.

14.Evangelizandos cada vez mais inteligentes (vide A Gênese- cap. XVIII – A geração nova) exigindo evangelizadores cada vez mais preparados no conhecimento da Doutrina, das diversas ciências que interagem com a educação e compromissados com o próprio aperfeiçoamento espiritual.

15.Promoção de um maior número de eventos voltados para as crianças e os adolescentes.

16.Quando possível e desde que existam condições, ampliação do tempo destinado à evangelização espírita.

17.Maior apoio do setor ou departamento encarregado pela educação mediúnica, no sentido de auxiliar os evangelizadores a entenderem melhor as limitações e problemas de certos  evangelizandos, que tenham, naturalmente, algum componente de ordem espiritual.

18.Integração dos idosos que frequentam e trabalham no grupo espírita com os evangelizandos.

19.Crescimento qualitativo e quantitativo de composições musicais alegres que propiciem reflexões, estimulem parcerias, trabalhem a ludicidade e desenvolvam a sensibilidade.

20.Maior prazer, entusiasmo, vontade de estudar e alegria no coração de todos os que estiverem envolvidos com a evangelização espírita.

Estas tendências podem ser ampliadas, revistas e até recusadas por parte do leitor espírita estudioso e crítico, pois abraçamos uma Doutrina que nos estimula a pensar e repensar, tanto a nossa postura interna quanto a nossa prática, de modo a avançarmos no aperfeiçoamento íntimo.

De um modo ou de outro precisamos saber para onde caminha uma atividade, quais os nossos objetivos com ela, os rumos que ela está tomando à nossa volta, a fim de podermos comparar, rever, corrigir, acompanhando sempre o progresso, de modo a não ficarmos para trás com visões e práticas obsoletas que acabam gerando desânimo nos evangelizadores e evangelizandos.

Sem que haja um contato frequente entre os que se encontram irmanados nessa atividade, para troca de experiências, auxílio e aprendizados mútuos, rompendo com o isolamento, dificilmente lograremos alcançar o êxito desejado.

Evangelizar é assumir um compromisso com a própria consciência de colaborar com Jesus no aperfeiçoamento do planeta, logo, não basta apenas boa vontade, é preciso preparo sério e alegria no coração, pois trata-se da Boa Nova anunciada pelo Cristo e restaurada pelo Espiritismo.

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