Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Por que prevalecer a morte e não a vida?

dezembro/2015

Não sei se o nosso leitor tem a mesma impressão mas, quando se fala de Jesus, para boa parte das pessoas, a ideia inicial que têm Dele é  crucificado ou com a expressão de padecimento com a coroa de espinhos. Ele é mais lembrado pelo martírio do que pelo Seu nascimento e vida, pelos Seus feitos e ditos. Em várias organizações, religiosas ou não, se mantém exposta a imagem de Jesus preso à cruz.

Nada contra os fatos históricos e a grandeza do Seu gesto ao entregar-se ao martírio.

Porém, restam as perguntas: Por que não ser Ele lembrado vivo, atuante, dinâmico, solidário, amigo, falando, amparando e realizando o bem? Por que prevalecer a morte e não a vida dEle?

A sua morte, em especial, tem grande significado e é forte convite à profunda e madura reflexão sobre a Imortalidade. É parte de Seu legado à Humanidade. Mas foi em toda Sua vida exemplar que o magnífico livro da revelação do Reino dos Céus foi escrito, diariamente, palavra a palavra, feito a feito.

Quando Pilatos apresentou Jesus ao povo, disse: Eis o Homem! E O apresentou muito bem, afirmando-Lhe a condição especial.

O Seu nascimento foi festejado pela natureza, que se apresentou em noite especialmente vestida com céu límpido, ricamente tecido pelas luzes das estrelas, com destaque para a inusitada Estrela de Belém.

Nessa noite, narram as tradições, mirífica luz distinguia os contornos das casas, das árvores e dos montes, e suave melodia era ouvida pelos homens de corações simples que laboravam no pastoreio das ovelhas e não menos melodiosa era a voz dos Anjos, que se fazia ouvir no íntimo dos que tinham ouvidos de ouvir: Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens.

Aquele recém-nascido cresceu e em todos seus dias demonstrava ser o Sublime Jardineiro de Deus, ao semear as melhores sementes dos frutos de bênçãos e ofertar flores de alegria, com suas pétalas balsamizadas pelo consolo e esperança, aos seus familiares, vizinhos e caravaneiros que passavam pelas cercanias de Nazaré.

Cresceu como todo homem e, na mesma proporção, cresceu também Sua expressão de amor para com tudo e com todos.

Sua fala era entendida pelos homens simples do povo e causava estupefação nos doutores de então, o que se dá ainda hoje.

Mestre por excelência, ao lecionar sobre a Boa Nova e ensinar o mapa da felicidade possível, se utilizava da simplicidade de grãos de mostarda, das moedas de dinheiro, dos pés de figos e das videiras, do joio e do grão de trigo.

Médico das Almas, fazia com que cegos enxergassem, paralíticos andassem, leprosos se vissem curados, recomendando que não tornassem a pecar contra as Leis de Deus.

Líder de Homens e Anjos enaltecia a fé diante do Centurião; socorria a falta de fé como ao Jovem Rico; recomendava a fé, retirando Lázaro do túmulo ou acordando a menina Talita de seu sono, bem como aplacava tempestades.

Senhor dos Espíritos, confabulava com Moisés e Elias no Monte Tabor, e apartava os maus Espíritos, como no caso da mulher encurvada, do jovem enlouquecido, do gadareno, socorrendo-os todos – homens e Espíritos.

Consolador por excelência, espalhava Seu carinho, dando colo às crianças e orientando os adultos de que o Pai não desejava a morte do pecador mas sim do pecado.

Amigo Incondicional, deixava o convite para ir até Ele quem estivesse cansado e aflito, a qualquer momento, pois que teria alívio.

Pescador de Homens e Almas, demonstrava ser o Caminho, para que todos O seguissem.

Libertador de Corações, apresentava a Verdade para todos conhecê-la e com ela se fazerem livres para sempre.

Seiva Divina alimentava as esperanças com a abertura do grande portal da Vida, da vida em abundância.

Amor Corporificado, ensinava o dever de se amar ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas.

Humilde, dizia que Bom era o Pai, e que Ele falava e realizava tudo o que o Pai Lhe mandara fazer.

Soberano, apresentava o Seu Reino, que não era deste mundo, nem feito de pedras, mas que começava no coração de cada um.

Filho Exemplar, recomendava que todos deveriam crer em Deus e também nEle, que só fazia a vontade do Pai e ali não estava para julgar, mas para auxiliar.

Perdão personificado, mesmo martirizado e pregado na cruz da infâmia, rogava ao Pai perdoar os Seus perseguidores pois que não sabiam o que faziam, e repassava a lição de perdoar os inimigos setenta vezes sete vezes.

Um novo Natal estamos por comemorar na Terra.

Que seja essa data forte motivo para que abramos nossos corações e, qual Gruta de Belém, possa Ele nascer para nós, e dentro de nós possa crescer e viver, reprisando a Glória a Deus, agora por nossas mãos, ditos e feitos.

E quando junto aos entes caros, no dia de Natal e em todos os demais dias de sua vida, não apenas abracemo-los, mas sejamos o próprio abraço. Não apenas os amemos, mas nos transformemos no próprio amor.

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