Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2020 Número 1637 Ano 88

Por onde anda o seu riso?

setembro/2020 - Por Cezar Braga Said

Há quanto tempo você não ri espontaneamente, não se diverte com leveza e descontração sem precisar recorrer a um regulador do humor, uma bebida alcoólica, uma ironia ferina e depreciativa, uma fofoca?

Há quanto tempo o siso, a contração facial, o ar de intelectual ou mesmo as preocupações, as ansiedades e os medos substituíram aquele rosto jovial e aquele olhar curioso e doce que encantava quem se acercava de você?

É possível parar e identificar em que momento seu riso se ocultou e se entranhou, para em seguida iniciar a procura que possa restituí-lo ao lugar de onde nunca deveria ter saído: o seu coração!

Se dançar resgata seu riso, dance!

Se cantar acorda seu riso, cante!

Se conversar acende seu riso, converse!

Se o silêncio aflora seu riso, silencie!

Se brincar desperta seu riso, brinque!

Se ler, escrever, dormir, beijar, namorar, viajar, fazer exercícios, permite que um fluxo diferente de alegria seja renovado, se permita, se presenteie, crie essa dinâmica o quanto antes e usufrua da alegria que anda guardada e esquecida dentro da alma. O Apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos1 menciona essa emoção básica de todo ser humano.

Rir faz rejuvenescer, melhora a imunidade, liberta-nos de ideias fixas, afasta perturbações, higieniza a mente.

Rir é plantar flores, colher fruta madura, tomar sol, andar descalço na terra ou na areia, contar estrelas, deitar na relva, observar nuvens deixando a imaginação nos guiar, é regar plantas, comer chocolate e tomar sorvete. É permitir que, apesar de todas as dores e dificuldades, a vida possa, ao menos de vez em quando, nos fazer cócegas, revirando-nos por dentro.

Tenhamos cuidado para que as responsabilidades cotidianas não nos tornem cegos, surdos e mudos para a necessidade de rir, sorrir, gargalhar.

E que haja em nós, dentro do peito, um verso, um acorde, uma cor, uma paisagem, uma singela história, uma rápida conversa, um abraço, um olhar, um versículo, uma palavra que ao ser lembrada abra um arco-íris de alegria em nossos lábios mesmo que com ele venha uma chuva de lágrimas, mas lágrimas renovadoras e fecundantes, lágrimas de contentamento puro e verdadeiro, lágrimas que nos lavem e nos ajudem a virar a página de qualquer tristeza cujo prazo de validade já tenha vencido e não tenhamos percebido.

Ria quando quiser e o quanto puder!

 

Referência:

  1. BÍBLIA, N. T. Epístola aos romanos. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 11, vers. 12.
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