Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2021 Número 1648 Ano 89
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

Planeta Terra – um oásis de bênçãos – um universo a conhecer

março/2020

(…) sua constituição geológica é provida de riquezas tão vastas que os seus próprios habitantes não conseguiam conhecê-las todas e ainda menos mensurar suas profundas extensões.

(…) nas entranhas das suas imensas cavernas subterrâneas – ossatura do próprio globo – veios profusos de excelentes minérios (alguns já conhecidos do homem, a maioria ainda ignorada) se cruzam e fecundam em núpcias solenes para o soerguimento de espécies novas: gemas curiosas, metais, cristais, pedras e cem outros elementos, de um valor fantástico na economia da vida humana, na satisfação das suas necessidades e no seu conforto pessoal.

(…) combustíveis beneméritos, protetores e auxiliares do homem, no progresso físico a realizar dentro da sua escala de ação, jazem ignorados nas profundidades do solo, à espera da movimentação heroica que se resolva a levantar-lhes o segredo da existência, para deles se utilizar em prol da prosperidade humana.

(…) da exuberância mágica do seu solo, fecundado pelo magnetismo criador do próprio Sol, da própria atmosfera, das irradiações cósmicas e das influências lunares, uma Flora resplendente brota sob os dúlcidos ósculos de Primaveras e Outonos incansáveis na produção de messes generosas em homenagem ao Homem, e para servi-lo, ao mesmo tempo revelando o cuidado paternal do Absoluto, que, através da magia de leis invariáveis, faz crescer, frutescer e se multiplicarem as sementes ali depositadas; (…) florestas e florestas sem-fim, não plantadas pela mão do homem, guardam nos seus atraentes segredos tantas preciosidades em espécimes de madeiras, valiosas como o ouro, como em espécimes medicinais, alimentícias, aromáticas etc… para socorrerem as criaturas nas suas exigências sociais e necessidades pessoais.

(…) por toda a parte rios caudalosos, ribeiros serviçais, fontes abundantes de água pura, indispensáveis à vida planetária terrena, revelam ao homem a benevolência do Todo-Poderoso, que de nada esqueceu para suavizar as lutas evolutivas que aquele aí travará, na ascese para a perfeição, pois até o sol, de reflexos de ouro fulvo rebrilhante, unindo-se ao azul da ambiência etérica e aos coloridos mil vezes variegados da flora, emite belezas sutis e seduções constantes, cuja contemplação enterneceria os seus habitantes, predispondo-os à comunhão com o Belo, se os habitantes da Terra preferissem dedicar atenções aos esplendores sadios da Natureza, esquecendo as atrações apaixonadas ou ociosas dos vícios carnais.

(…)um número quase infinito de aves, de pássaros variados, úteis, formosos, ornavam suas matas, seus jardins e até suas montanhas, enfeitando também os ares com voos vertiginosos, arrojados ou graciosos, festejando-os com suas plumagens multicores, seus cânticos melodiosos, seus silvos inteligentes, e que sua vida era intensa e afanosa qual uma sociedade igualmente assinalada pelos impulsos da evolução sem limites.

(…) animais outros, mamíferos em profusão, avultavam e se multiplicavam em progressão constante: alguns mansos e humildes, quais criaturas humanas, amando o homem com ternura e servindo-o quais abnegados escravos; outros, ferozes, mas belos e majestosos, dirigindo a própria existência com inteligência digna de contemplação; e todos divididos e subdivididos em espécies, ou famílias, atestando o início de uma inteligência destinada a distender-se para culminâncias fulgurantes, formando uma sociedade, um vasto império, um mundo igualmente intenso e igualmente belo dentro das proporções terrestres. Desdobrando-se, essa sociedade se distendia até a vertigem, ao atingir espécies diferentes, como os insetos, seres portadores de ardor reprodutivo inconcebível, e tão profusos, de tão vastas categorias, que se tornam, por assim dizer, infinitos, tais quais os vegetais; e  ainda vermes, micróbios, animálculos invisíveis aos olhos humanos, seres que, tais como os anteriores, e o próprio homem, formam outros mundos, vivem em núcleos, em famílias, em raças, em sociedades tão vastas e mais intensas do que as humanas, impossíveis de os homens conhecê-las todas, estudá-las e classificá-las.

(…) o oceano! (…) esse novo universo, embora retido nos limites do próprio globo, vibra de ardores e fecundidades evolutivos tão surpreendentes que se equipara às galáxias nas profundidades siderais, pois o oceano, prodigioso laboratório da criação terrena, onde a vida ensaia o seu afloramento para estender-se depois em espécies sobre terra firme, também se apresentava mais intenso e mais vibrátil que o resto do planeta, com turbilhões de seres rudimentares agitando-se nos esforços para a conquista de posições definidas no plano da Criação, lutando e sofrendo no labor de fabulosas evoluções, visto que o sofrimento agencia o progresso, enquanto toda essa sublime epopeia era assistida e mantida pelo fluido inalterável do magnetismo divino que se espalha por todo o Universo.

(…) nas profundidades ignotas desse universo líquido, estão depositadas riquezas incalculáveis, que o homem desconhece, elaborando sempre novas espécies de preciosidades, em consórcios constantes através dos milênios, para satisfação de humanidades futuras.

(…) profusão de transições nos três reinos da Natureza, ou seja, o mineral movimentando-se para o vegetal: o vegetal caminhando para o animal, estados indecisos tão comuns nos laboratórios invisíveis do oceano; e também estranhos abismos, dos quais os homens se apavorariam se lhes fosse dado conhecê-los minuciosamente; e cidades submersas, e pátrias e civilizações que os homens esqueceram através dos milênios, mas que as águas conservam em seus arquivos dramáticos.

 

Referência:

1 PEREIRA, Yvonne A. Ressurreição e Vida. Pelo Espírito Léon Tolstoi. Rio de Janeiro: FEB, 2003. cap. 4. 1ª edição especial.

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