Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Pilates, uma vida de disciplina

outubro/2018 - Por Mary Ishiyama

Há uma frase atribuída a Robert Maynard: Sempre que sinto vontade de me exercitar, fico deitado até a vontade passar.

Com certeza muitas pessoas concordarão com ele e haverá outras tantas que não dispensam um bom exercício físico. Independentemente de nossas preferências, Joseph Hubertus Pilates revolucionou e marcou sua passagem neste planeta ensinando e mostrando, através de seu próprio corpo, que o homem não nasceu para ser sedentário, não nasceu para ficar acomodado em uma poltrona.

Essa máquina maravilhosa chamada corpo humano foi criada para o movimento, desde finos como movimento de pinça, que é o que nos difere dos primatas, até a leveza de uma bailarina fazendo gestos delicados e graciosos como no ballet O lago dos Cisnes.

Pilates nasceu em 10 de dezembro de 1883, em Mönchengladbach, Alemanha. Foi uma criança muito doente, portador de asma, raquitismo e febre reumática. A previsão do seu futuro era uma cadeira de rodas.

Por conta própria, estudou medicina oriental, anatomia, fisiologia humana e yoga.

Desenvolveu uma série de exercícios que o curaram de seus problemas de saúde e tornou-se obcecado em superar suas limitações físicas.

Seu método sofreu influência da yoga, artes marciais e meditação. Um biógrafo afirma que por ser raquítico, teria sofrido bullying dos valentões, o que o levou a aprender técnicas de defesa pessoal. Em 1912, foi para a Inglaterra para se aperfeiçoar em boxe. Enquanto ali esteve, trabalhou como artista circense e ministrou aulas de defesa pessoal para o quartel general da polícia civil inglesa.

Em 1914, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Pilates foi levado para o campo de concentração da Ilha de Man, onde trabalhou como enfermeiro. Observando o estado físico depauperado dos prisioneiros de guerra, insistia para que todos participassem das rotinas diárias de exercícios, para manter o bem-estar físico e mental.

Graças à boa forma conquistada, esses prisioneiros sobreviveram à pandemia de 1918. Para os soldados feridos, que não podiam sair da cama, Joseph improvisou, tirando as molas dos colchões e prendendo na cabeceira das macas, para que eles pudessem  se exercitar.

Nem as cadeiras de rodas fugiram das adaptações dele.
Hoje, vemos muitos equipamentos de fisioterapia e nas academias, originados das invenções de Pilates. Ele mesmo disse que as pessoas só entenderiam o brilho do seu trabalho após uns cinquenta anos.

Após a guerra, ele voltou para seu país onde seu método de exercício ganhou apoio e força entre os dançarinos, músicos e artistas que necessitam de preparação física para suas atividades.

Emigrando, naturalizou-se americano e em 1920, seu método passou a ser difundido nos Estados Unidos. No Brasil, chegou na década de 1990, e vem sendo utilizado na melhora do condicionamento físico, reabilitação e saúde física.

Vários estudos científicos, principalmente nas áreas de Fisioterapia e Educação Física, confirmam os benefícios de seus exercícios para a melhora da flexibilidade, força muscular, elevação da capacidade respiratória, melhoria de males advindos da má postura.

Pilates, juntamente com William John Miller, escreveu dois livros: Sua Saúde, em 1934 e O Retorno à vida pela Contrologia em 1945, ambos preocupados com o sedentarismo da sociedade de sua época e o seu malefício à saúde.

Pilates associava a necessidade do equilíbrio entre a mente e o corpo para ter o controle consciente de todos os movimentos musculares. Afirmava que se os seres humanos soubessem e obedecessem as simples leis da natureza, chegaríamos à saúde universal e ao Milênio da Saúde.

Paradoxalmente, embora interessado em saúde física e com uma vida de disciplina física, morreu de enfisema, em 1967, aos 83 anos, dado seu gosto por charutos.

Isso, no entanto, não lhe tira o brilho, não nos impede de sermos gratos, não impede de milhares de pessoas, no mundo, serem beneficiadas com sua genialidade para melhora física e consciência corporal.

Entre tantas de suas frases podemos citar: Paciência e persistência são qualidades vitais na realização final bem-sucedida de qualquer empreendimento que valha a pena.

Seu corpo é seu maior bem. Ele guarda e reflete sua alma. Cuide dele como se fosse uma pedra preciosa e nós o lapidaremos.

 

Referências:

  1. PACHECO, Julian. A literatura de Joseph Pilates e a produção acadêmica voltada ao método Pilates. Dissertação (Especialização) – em Ciência e Treinamento Desportivo do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014.
  2. CRAIG, Collen. Pilates com bola. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2005.
  3. ROBINSON, Lynne; NAPPER, Howard. Exercícios inteligentes com Pilates e Yoga. São Paulo: Pensamento, 2002.
  4. http://www.easyvigour.net.nz/pilates/h_biography.htm#bullied
  5. http://revistapilates.com.br/2011/12/22/biografia-de-joseph-pilates/
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