Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Pierre-Gaëtan Leymarie

abril/2015

Ele foi um homem notável, profundamente honesto, de caráter nobre e fiel aos seus ideais e ao Espiritismo.

Nasceu em Tulle, França, em 2 de maio de 1827. Ainda jovem, percebendo as dificuldades financeiras da família, procurando não sobrecarregá-la, parou seus estudos e mudou-se para Paris, em busca de trabalho.

Seguidor das ideias republicanas, quando ocorreu o golpe de Estado de 1851, foi constrangido ao exílio.

Proclamada a anistia, voltou à França. Casou-se com Marina Duclos, vinte anos mais jovem do que ele. Ela lhe foi a companheira enérgica e devotada em todos os momentos.

Ele era um apaixonado pelos livros e lia sobre tudo, de política a assuntos sociais, científicos, religiosos. O encontro com a Doutrina Espirita e os fenômenos vieram ao encontro de seu coração, não conseguindo ficar indiferente.

Logo se colocou a serviço do mestre lionês, Allan Kardec, que iniciava a publicação da Revue Spirite e de suas obras, tornando-se um dos seus mais ardentes discípulos, juntamente com Camille Flammarion e Victorien Sardou.

Antes de desencarnar, Kardec havia fundado uma Sociedade Anônima, à qual destinou os seus bens, com o objetivo de assegurar a difusão do Espiritismo. Monsieur Leymarie tornou-se um dos primeiros membros, sendo nomeado administrador. Com a morte do Codificador da Doutrina Espírita, em 1869, passou a redator-chefe e diretor da Revue Spirite (1870-1901).

Durante trinta anos, após a morte de Kardec, enquanto o Espiritismo foi alvo de zombarias e ataques, Leymarie esteve presente, batalhando sem cessar através da palavra e da pena. Jamais perdeu de vista o Fora da caridade não há salvação, e baniu de todas as discussões as ofensas pessoais.

Leymarie acreditava que, para a difusão do Espiritismo, eram necessários espíritas instruídos e esclarecidos, por isso, junto com seu amigo Jean Macé fundou a Liga de Ensino, tornando sua própria casa, na Rua Vivienne, o berço da Liga.

Os trabalhos de William Crookes, na Inglaterra, foram divulgados na Revue. Posteriormente, Leymarie publicou fotos produzidas por Édouard Buguet, fotógrafo e Alfred E. Firman. Ocorrendo suspeita de fraude na obtenção das fotografias, o Ministério Público arrolou em um mesmo processo Buguet, Firman e Leymarie, ocorrendo a primeira audiência em 16 de junho de 1875.

Os dois primeiros acabaram por furtar-se à prisão, enquanto Leymarie foi condenado a um ano de prisão e ao pagamento de quinhentos francos de multa.

O que se desejava, em verdade, era levar o Espiritismo à barra dos tribunais.

No cárcere, Leymarie elaborou uma notável Memória à Corte Suprema, atestando, perante a sua consciência e os seus filhos, a sua inocência, mostrando-se confiante na decisão final daquele tribunal. Com remorsos, Buguet escreveu ao Ministro da Justiça dando testemunho sobre a inocência de Leymarie, acrescentando que, embora muitas das fotos fossem verdadeiras, quando não as conseguia com sua mediunidade, praticava a fraude.

 

Cartas de solidariedade de todo o mundo foram enviadas a Leymarie. A Sociedade para Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec recebeu manifestações de simpatia de diversos países, inclusive do Brasil.

Pouco mais tarde, anulada a sentença condenatória, Leymarie voltou às atividades, retomando tanto a direção da Sociedade como da Revue Spirite.

Sua esposa, Marina, em defesa do marido redigiu a memória Procès des Spirites, fonte essencial para o estudo daquele período da História do Espiritismo.

Deve-se a Leymarie a tradução da obra kardequiana para vários idiomas. Ele realizou, ainda,  viagens à Bélgica, Espanha e Itália, difundindo a Doutrina dos Espíritos.

Participou, como delegado, do I Congresso de Bruxelas. Em 1888, foi eleito para uma das presidências do Congresso Espírita de Barcelona. Nessa ocasião, foi lida a comovente moção de gratidão enviada da prisão de Tarragona, por um   grupo de condenados a trabalhos forçados, convertidos à fé espírita.

Em 1889, Leymarie organizou o I Congresso Espírita da França.

Após sua desencarnação, em Paris, no dia 10 de abril de 1901, sua esposa o sucedeu nas tarefas e depois da morte dela, o filho Paul Leymarie deu continuidade ao labor.

A pedido de Pierre, suas cinzas repousam sob um dólmen no cemitério Père Lachaise  com a inscrição Morrer é deixar a sombra para entrar na claridade.

 Leymarie foi filho de suas próprias obras. Ao lado do pensador, nele havia ainda o homem dedicado e sensível, desinteressado e caridoso que amava profundamente a família e os amigos(…).3

 

Bibliografia:

1.GODOY, Paulo Alves. LUCENA, Antonio de Souza. Personagens do Espiritismo. São Paulo:  FEESP.

2.PIERRE-GAËTAN Leymarie. Reformador, Rio de Janeiro, fev.1976.

3.PIERRE-GAËTAN Leymarie: Centenário de desencarnação. Reformador, abril 2001.

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