Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
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Petra Karin Kelly

dezembro/2016 - Por Mary Ishiyama

A ambientalista Petra Karen Kelly nasceu em 29 de novembro de 1947, em Günzgurg, Bavaria, na Alemanha.

Mudou-se com sua família para Columbus, Estado da Georgia, nos Estados Unidos, entre 1959 e 1970. Manteve sua cidadania alemã, por toda a vida.

Como estudante de Ciências Políticas, na Universidade de Washington, e admiradora de Martin Luther King, Jr., passou a integrar movimentos ecopacifista e ecofeminista dos direitos civis.

Na década de 70, retornou à Europa, cursando Mestrado na Universidade de Amsterdã, na Holanda. Participou de campanhas a favor da paz e o meio ambiente na Alemanha e em outros países.

Ao lado do filósofo Bertrand Russel, lutou a favor de uma Europa livre de armas nucleares e pela justiça social.

Foi uma das fundadoras do Partido Verde, na Alemanha, Die Grünen e se tornou a primeira mulher a liderar um partido político representando os Verdes, no parlamento, como a voz dos ambientalistas.

Referia-se a si mesma como terna e subversiva ao mesmo tempo, o que, para ela, significava ser verde. Afirmava ser necessário se ter uma relação de ternura pela natureza, composta pelos animais, plantas, águas, atmosfera; as nações respeitando os idiomas, as artes e, certamente, relações humanas sem violência.

Tudo isso globalizado em uma unidade orgânica viva, mas havia momentos em que necessitava ser subversiva, afirmava, não no sentido da violência mas de se rebelar contra tantas agressões ao meio ambiente, pois o planeta nos cobra o cuidado e a necessidade de sermos coerentes e responsáveis com ele, que é nossa casa.

Segundo ela, a relação de convivência entre os seres vivos e o meio ambiente deve ser de respeito porque há interdependência, precisamos um do outro.

Defendia a necessidade de nos preocuparmos com o todo e não com partes, finalizando seu pensamento com a frase: A Terra e eu temos as mesmas raízes.

Seguindo sua linha de raciocínio o filme Avatar, de James Cameron, nos mostra que tudo está, de fato, interligado: nós fazemos parte do todo.

A década de 80 foi muito movimentada para Petra. Esteve em Nuremberg, no tribunal, contra a produção de armas pelos Estados Unidos, Inglaterra, China, França e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas; fez protestos antinucleares e a favor dos direitos humanos em Berlim e Moscou; participou de comícios e bloqueios em bases militares norte-americanas; organizou uma conferência buscando soluções pacíficas para o conflito da OTAN – Pacto de Varsóvia.

Com membros de seu partido, na embaixada alemã em Pretória (África do Sul), protestou contra o apoio econômico e político do seu país, durante o Apartheid.

Todas essas atividades lhe renderam prisão e, por vezes, extenuada, precisou ser internada para tratamento.

Conheceu Gerd Bastian, que era do alto comando do exército alemão, que abandou a carreira militar para se juntar a ela, na militância ecopacifista.

Petra Kelly foi considerada uma das pessoas mais importantes do século XX, seu nome sendo colocado ao lado de Martin Luther King, Jr. e Nelson Mandela, por sua luta a favor da igualdade, de maneira global, ultrapassando fronteiras e bandeiras.

Defendia que não se podia eliminar a violência com a violência, nem a guerra com guerra, nem a injustiça com base  na injustiça.

Afirmava crer em Deus, pois não somos somente um corpo que perecerá, mas também uma alma imortal. Creio na consciência imortal, na consciência que está onde está nossa alma, onde se encontra a matéria mais sutil do nosso ser, não importando se nos encontramos no corpo físico ou se já o temos deixado para trás. Deus é para mim a unidade total, o amor total, a luz, a força e muitas coisas mais, o fundamento de todo ser vivo. Deus está presente em todos nós.

Recebeu em 1982 o prêmio Right Livelihood Award (Prêmio Nobel Alternativo) por sua visão de conjunto entre ecologia, desarmamento, justiça social e direitos humanos e em 1983, o Women’s Strike For Peace (Mulher do Ano).

Petra morreu assassinada, enquanto dormia, em 1º de outubro de 1992, em Bonn, Alemanha.

Em 2002 recebeu, in memoriam, o prêmio A Luz da Verdade Award, em Graz, Áustralia, do Dalai Lama, em reconhecimento ao seu trabalho de conscientização do povo tibetano sobre direitos humanos e a liberdade democrática para o povo.

Em 2006, a cidade de Bonn homenageou-a dando o seu nome a uma parte da Rua Franz Josef Straub Allee.

A Fundação Heinrich Boll criou a Fundação Petra Kelly, com o objetivo de manter vivas suas mensagens e ideias políticas, criando também o Prêmio Petra Kelly, que é entregue, anualmente, para pessoas que lutam pelos direitos humanos.

Com certeza, essa mulher deixou sua marca neste planeta azul, que, como disse ela, deve ser cuidado com muita ternura, mas também com severidade de postura e moral.

 

Bibliografia:

1.The Life and Death of Petra Kelly, by Sara Parkin, Rivers Oram Press/Pandora, 1995.

2.Thinking Green! Essays on Environmentalism, Feminism, and Nonviolence, by Petra K. Kelly, Parallax Press, Berkeley, California, 1994.

3.Nonviolence Speaks to Power, by Petra K. Kelly, online book, almost complete text (also, out of print, published by Matsunaga Institute for Peace, University of Hawaii, 1992).

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