Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Pescadores de homens…

novembro/2016

Estando Jesus a caminhar junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: Segui-me e eu vos farei pescadores de homens.[i] Eles, deixando imediatamente as redes, O seguiram…

Iniciava-se assim a reunião de doze homens, estruturando-se o colégio apostólico em doze pilares, a fim de que Jesus, com esse apoio basilar, erigisse e apresentasse ao mundo a grande catedral do amor, como sendo essa a Casa do Pai, o Reino de Deus que cada coração humano comportaria.

A saga da implantação do Reino de Deus dentre os homens continua seu curso.

Muito se tem feito nesse sentido. Muito ainda a se fazer.

E dizia-lhes: A colheita é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie operários para sua colheita.[ii]

Cada pessoa pode muito fazer. Juntando-se a outras, mais farão.

Lemos em Eclesiastes (4: 9 a 12): Mais vale dois que um só, porque terão proveito do seu trabalho. Porque se caem, um levanta o outro; mas o que será de alguém que cai sem ter um companheiro para levantá-lo? Se eles se deitam juntos, podem se aquecer; mas alguém sozinho como vai se aquecer? Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir, e a corda tripla não se rompe facilmente.

E O Espírito de Verdade[iii] arremata:

Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!”

Desde as primeiras ações, ditas públicas, de Jesus, Ele contou com a força da união.

E ampliou Sua rede de trabalhadores, sempre em regime de união, como bem se conhece pela narrativas de Lucas (10:1): Depois disso, o Senhor designou outros setenta e dois, e os enviou dois a dois à sua frente a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.

Espíritas! Amemo-nos, unamo-nos e irmanemo-nos.

Já se vai o tempo e se faz urgente a formação de grande Rede do Bem, incondicional, independente de credo, de raça, de posição social, de país, a fim de poder corresponder como devido e esperado aos apelos de dor e de padecimentos múltiplos que a Humanidade sofre.

Do mesmo modo que quando pessoas se dão as mãos não se dá um nó entre elas, mas um entrelaçamento, as malhas de uma rede também se entrelaçam, a fim de que seu cordame prossiga até a extensão que se pretenda para a tecedura completa. Sem interrupção. Sem solução de continuidade.

Assim deve ser a nossa Rede: tecida com mãos acostumadas ao serviço do Senhor da Vida, entrelaçando as malhas da solidariedade com laços fortes do trabalho comum ao próximo. E guiados pelas mãos do Celeste Pescador, arremessar a Rede Luminescente do Bem com mãos tolerantes e firmes, determinadas e destemidas, confiantes e corajosas, fraternas e amigas.

Espíritas, cristãos, homens de boa vontade! Consolidemos a grande equipe de trabalhadores, agindo em perfeita interdependência.

Da qualidade do nosso esforço nasce o êxito ou surge o fracasso do conjunto.

Fala-nos ao coração o Espírito Emmanuel:[iv]

(…) somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.

É necessário desintegrar o velho cárcere do “ponto de vista” para nos devotarmos ao serviço do próximo.

Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do “eu”, excursionaremos através do grande continente denominado “interesse geral”. E, na infinita extensão dele, encontraremos a “terra das almas”, sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.

Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças…

Ouçamos a voz doce e suave de Jesus, repetindo o convite feito a Simão (Lc. 5: 4ss): “Faze-te ao largo” e a todos: “Lançai vossas redes para a pesca.

Simão respondeu:Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes.”

Fizeram isso e apanharam tamanha quantidade de peixes que suas redes se rompiam.

E por fim, Jesus disse a Simão, este então muito surpreso: ” Doravante serás pescador de homens.”

Para nós, já desponta a aurora de um novo dia, tendo Jesus, nosso Sol de Primeira Grandeza, a iluminá-lo. Em meio da grande noite do sofrimento humano, é necessário acendamos a nossa luz.

Jesus conclama: hora de se iniciar a pescaria. Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis... [v]

Fora da caridade não há salvação!

Fora do amor não há caridade, uma vez que caridade é o próprio amor em ação.

Lancemos a Rede…

 

1. BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 4, vers. 19.

2. Op. cit. Lucas. cap. 10, vers. 2.

3. KARDEC, Allan. O evangelho segundo o Espiritismo. 128. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. cap. XX, item 5.

4. XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. cap. 64.

5. BÍBLIA, N. T. João. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 21, vers. 6.

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