Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

Para viver melhor

julho/2015 - Por Antônio Moris Cury

Em geral, os seres humanos encarnados na Terra têm o desejo de viver melhor. Sem qualquer dúvida, trata-se de aspiração das mais legítimas, que merece até mesmo ser incentivada, uma vez que para alcançar este objetivo é indispensável a reforma íntima, a renovação interior, que implica mudança de comportamento, de postura e compostura, para melhor, sendo esta uma das bandeiras da veneranda Doutrina Espírita.

A este propósito, é gigantesca a contribuição que o Espiritismo pode oferecer a quem se disponha a ler e a estudar suas obras fundamentais, de fácil acesso e entendimento.

Quem as lê, e principalmente quem as estuda, certamente ficará convencido, por si [sem qualquer imposição], que é um Espírito, neste momento aqui encarnado para aprender, progredir e evoluir, intelectual e moralmente, dentre tantas outras finalidades que enxergará com bastante facilidade.

Perceberá, com solar clareza, que o Espírito é o ser pensante da Criação, de origem divina, imortal e indestrutível, que viverá para sempre (morre o corpo físico, sim, que se decompõe e se transforma ou é cremado, mas o Espírito jamais morre – sai do corpo e permanece na Vida), com sua individualidade inteiramente preservada, vale dizer, para exemplificar, prossegue em sua jornada evolutiva com o conhecimento que adquiriu, com as virtudes que conquistou, assim como com os males, erros e equívocos que não pôde suplantar nesta encarnação e que adiante certamente conseguirá pela via da correção e respectiva reparação.

Perceberá também que o Espiritismo interpreta os ensinamentos de Jesus, o Cristo, o Ser mais perfeito que até agora habitou o planeta Terra, à luz da lógica, do bom senso e, muito especialmente, da razão, a ponto de definir que Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade [definição encontrável na página de abertura de O Evangelho segundo o Espiritismo, uma de suas obras basilares], além de recomendar que tudo aquilo que não passe pelo crivo de nossa razão deve ser rejeitado. Assim, a fé é raciocinada e o Espiritismo é todo racional, como concluirá com facilidade quem ler, e preferencialmente estudar, suas obras fundamentais.

Por esta acanhada introdução, pode-se deduzir que o verdadeiro Ser é o Espírito, que viverá para sempre; que estamos no planeta Terra para aprender e progredir, a começar pelo aprendizado da fraternidade, como nos ensinou Jesus [Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo]; que a reforma íntima depende de cada um de nós.

Com a leitura e o estudo das obras fundamentais, particularmente de O Livro dos Espíritos, a mais importante do Espiritismo, chegar-se-á a uma série de conclusões, de que são exemplos: somos todos irmãos, uma vez que somos filhos do mesmo Pai Celestial [nesta encarnação estamos em diferentes posições: homem, mulher, filho, amigo, colega, branco, negro, amarelo, pobre, rico, mendigo, letrado, iletrado, aluno, professor – algumas passíveis de alteração, aqui mesmo na Terra, com o passar do tempo: o professor de hoje foi o aluno de ontem – etc.]; a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória; a cada um segundo as suas obras; cada um de nós terá que dar conta de sua administração; somos todos regidos por Leis Divinas ou Naturais, ainda que não o percebamos, que são perfeitas e, exatamente por este motivo, imutáveis; em geral, somos dotados de livre-arbítrio, que é a Liberdade para tomar decisões de acordo com o seu próprio discernimento (Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, 2ª reimpressão, 2012, página 792); não praticar, não fazer o mal é um passo, mas não o suficiente, visto que ao ser humano cumpre fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem (questão 642 de O Livro dos Espíritos, a obra fundamental da excelente Doutrina dos Espíritos); o Amor é a Lei maior da Vida etc.

De posse desses importantes ensinamentos, sobretudo quando deles decorrer convicção capaz de enfrentar qualquer análise, poderemos viver melhor, muito melhor, em harmonia, com compreensão, com paz, com amor, na mente e no coração.

Sabedores de que ora vivemos em um planeta de expiações e de provas, de categoria inferior no Universo, em que ainda prevalecem o mal e a imperfeição, certamente enxergaremos o próximo de modo diferente, como um irmão, que também está a caminho da perfeição relativa, que todos um dia, mais cedo ou mais tarde, alcançaremos. Se o tratarmos como gostaríamos que ele nos tratasse, estaremos aplicando, ainda que em parcela mínima, o ensino máximo do Cristo, consubstanciado na célebre e milenar sentença, antes reproduzida, Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, extraordinária síntese de toda a lei e dos profetas feita pelo Mestre dos mestres, que dividiu a História da Humanidade entre antes e depois de Cristo.

Esses ensinos, por igual, esclarecem que só o Bem é real e permanente, ao contrário do que as aparências possam indicar ou sugerir, de tal modo que a opção pelo Bem é sempre a melhor, seja qual for a circunstância ou a situação. Fazer o Bem faz bem e não tem nenhuma contraindicação. E, de quebra, importante lembrar que mais se beneficia quem melhor serve.

Restará muito clara a necessidade de que cada um de nós cumpra a parte que lhe compete fazer, com esforço, com empenho, com dedicação, com zelo, com esmero, com competência e com amor. No dia em que cada um realizar a sua parte a Terra será melhor, muito melhor [Deus não nos entregou o planeta pronto e acabado]. E, como bem observado por Cezar Braga Said: Não lamente o tempo perdido, pense naquele de que você ainda dispõe daqui para frente. Viva com sabedoria tornando cada instante um momento precioso e importante para a sua evolução (Crescendo com você, 1ª ed. CELD, 2003, páginas 141 e 142).

Recordemo-nos de que a sociedade é o reflexo do que acontece em nossos lares, de maneira que havendo melhora nestes obrigatoriamente haverá melhora naquela. Por fim, nestas brevíssimas considerações, vale a pena destacar que a consciência (onde, aliás, estão escritas as Leis Divinas ou Naturais que regem a nossa existência) é o grande Tribunal de cada um de nós. Esforcemo-nos, pois, por nos aperfeiçoar permanentemente, cumprindo a nossa parte e optando pelo Bem sempre, sem hesitação. Seguramente, nossa vida será melhor, muito melhor, e feliz, muito mais feliz.

Assine a versão impressa
Leia também