Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Para se liderar os diversamente iguais

setembro/2007

Qualquer conjunto de ideias e princípios que conta com os homens para se espalhar, para se difundir, por mais excelente que seja o seu conteúdo, esbarra sempre nas limitações dos próprios homens.

Dentre as limitações estão as de recursos intelectuais, de saúde, de tempo, de disposição, de vontade, de compreensão do conteúdo, da importância e da aplicabilidade do que se propôs a difundir.

Com a mensagem espírita, não poderia ser diferente.

Inicialmente os que estão na qualidade de trabalhadores e dirigentes de um Centro Espírita, que é o foco original irradiador dos princípios e das propostas espíritas, sabem que assumiram esse compromisso perante a própria consciência, espontaneamente.

Para dar conta do recado, e como bom começo, importante também aos que estão incumbidos de divulgar e de orientar a difusão dessas ideias, que examinem a diferença entre dirigir liderando e dirigir comandando.

Para melhor nos posicionarmos diante dos conceitos, entendamos que: 1) Dirigir é dar direção, dar orientação, gerir, administrar; 2) Liderar é forma de direção baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos; e, 3) Comandar é dirigir como um superior, mandar, ordenar, prescrever.

Pela simples conceituação dos termos, vê-se que a forma diretiva que melhor se enquadra com as ideias espíritas é aquela exercida por força de legítima liderança.

Assim, quando se conceitua que a liderança começa com base no prestígio pessoal, entenda-se que se fala no bom  êxito individual de alguém em qualquer setor de atividade, que é admitido pela maioria de um dado meio social, dando-lhe reconhecimento e respeito.

Dirigir os diversamente iguais é uma arte muito especial, que exige qualidades capitais como bom-senso, tolerância, solidariedade e muito trabalho. O líder não é quem indica caminhos a serem trilhados, mas quem está à frente dos demais e diz que podem vir com ele, que é seguro.

Naquele meio onde as pessoas são reconhecidas e tratadas por igual, as ideias e os princípios terão supremacia e não as pessoas, nem a figura do líder. O melhor destaque que um líder pode obter não é o de ser visto num lugar a parte dos demais, mas encontrado ao lado, junto com todos. Não se esquecendo de que é função da liderança produzir mais líderes e não seguidores. Que todos aprendam e compreendam que fazer bem pequenas coisas é o primeiro passo para fazer melhor as grandes coisas.

E nesse contexto, o melhor amálgama que pode cimentar o relacionamento harmonioso, onde impere o respeito, a cortesia, a afabilidade, é a amizade.

Para se ter amigos, é preciso começar por ser amigo.

Aquilo que nos agrada em nossos amigos é a atenção que eles nos dedicam, diz Tristan Bernard.

Já Thomas Fuller lembra que amigo é quem socorre, não quem se compadece. Nessa mesma batida de pensamentos, Do Panchatantra é incisivo ao afirmar que amigo é quem o é no infortúnio, e Publius Syrus relembra que a prosperidade faz amigos e a adversidade testa-os.

Amizade é tão essencial na relação dos seres, e de tal magnitude, que Jesus, o Líder por excelência, deu-lhe o devido lugar de destaque ao sol, ao confidenciar àqueles do Seu colegiado mais íntimo, em Jo. 15:15: “ vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.”

Utilizando-se da amizade, o orientador espírita fará prodígios na disseminação e fixação das ideias, princípios e propostas que se propôs a divulgar.

Se quiser conquistar um homem para sua causa, primeiro convença-o de que você é seu amigo sincero, recomenda Abraham Lincoln. E uma das melhores formas de persuadir as pessoas é ouvi-los.

Trabalhemos por superar os nossos limites para que a mensagem espírita se propague ainda mais e com mais rapidez.

Os Centros Espíritas e os espíritas em geral precisamos abrir espaço para o império da amizade pura e transparente.

Os Centros Espíritas necessitam de modelo diretivo apoiado em lideranças.

 

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