Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Para quem deseja servir, aqui está uma boa oportunidade!

junho/2016 - Por Voluntários do Posto CVV Curitiba

Um grupo de dezessete jovens espíritas de São Paulo desejava empreender um trabalho que auxiliasse as pessoas, mas não sabiam ao certo por onde começar.

O comandante Edgard Armond, espírita atuante, havia conhecido uma curiosa e moderna forma de atendimento e apoio ante o sofrimento humano, uma doação de amizade: a escuta voluntária para a prevenção do suicídio, criada pelo reverendo Chad Varah (1911-2007), da Igreja Anglicana de Londres. Inspirado numa parábola cristã contra os preconceitos, o serviço recebeu o nome de Samaritanos, ideia simbólica que se espalharia rapidamente pelos cinco continentes.

Armond, ao saber do desejo dos jovens, resolveu compartilhar sua descoberta, enviando-lhes um envelope pardo com um recorte de jornal sobre os Samaritanos e os dizeres: Para quem deseja servir, aqui está uma boa oportunidade!

Esse grupo criou, em 1962, no Brasil, o Centro de Valorização da Vida – CVV, que passou por várias fases de amadurecimento, estabelecendo uma relação de ajuda, possibilitando à pessoa se expressar como ela realmente é, praticando princípios básicos de compreensão, aceitação e respeito.

O CVV não possui vínculos políticos, nem religiosos e seus voluntários estão à disposição para um atendimento baseado no acolhimento, sigilo, não diretividade e não julgamento, acreditando que o ser humano é capaz de tomar as suas próprias decisões, mas que, em momentos de fragilidade emocional, precisa de um amigo sempre disponível.

Os voluntários aprendem a perceber o valor da escuta numa sociedade onde a maioria absoluta das pessoas simplesmente não tem tempo, nem paciência para ouvir o outro. (André Trigueiro, Viver é a melhor opção)

Conforme a Organização Mundial da Saúde – OMS, é estimado que oitocentas e quatro mil pessoas tenham se suicidado no mundo no ano de 2012. São dois mil e duzentos casos consumados por dia, um a cada quarenta segundos. E, para cada pessoa que consegue se suicidar, mais de vinte realizam a tentativa, sem sucesso, uma ou mais vezes.

Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida, e desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso.

A primeira medida preventiva é a educação. É preciso abandonar o medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. O suicídio é um problema de saúde pública, e deve ser tratado com prevenção. Isso se faz com informação, pois 90% dos casos podem ser prevenidos.

Além dos atendimentos por telefone, pessoalmente, chat, e-mail ou skype, outros serviços são oferecidos pelo CVV à comunidade:

– Realização de palestras gratuitas sobre prevenção do suicídio;

– Cine Ser: exibição de filme e participação em diálogo, com a visão de desenvolver a sensibilidade, a empatia e o autoconhecimento;

– Caminho da Renovação Contínua: proporcionar um encontro consigo mesmo, desenvolver o autoconhecimento, auxiliar na compreensão da coletividade;

Grupo de apoio aos sobreviventes de suicídio: proporcionar a troca de experiências e de apoio emocional. Os sobreviventes precisam de um espaço em que possam falar das suas emoções, do seu sofrimento. Estar junto com outras pessoas que estão vivendo a mesma situação pode proporcionar ajuda mútua para a quebra do silêncio em torno do problema; para que se fortaleçam; para elaborar a perda e para enfrentar a vida.

 

O voluntário

O voluntário do CVV doa seu tempo, sua atenção, para quem precisa conversar sobre suas dores e descobertas, dificuldades e alegrias, e não tem conseguido fazê-lo com as pessoas próximas.

Quem tenha mais de dezoito anos de idade, pelo menos quatro horas e meia disponíveis por semana e vontade de ajudar pessoas, pode ser um plantonista do Programa de Apoio Emocional do CVV. Para isso, precisa participar de um curso gratuito de preparação de voluntários. Pode se inscrever pelo telefone ou por e-mail.

 

Expansão de novos postos

O Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, em 1973. São aproximadamente setenta e dois Postos e dois mil voluntários, que se revezam em plantões de quatro horas e meia por semana, para o atendimento vinte e quatro horas por dia, inclusive domingos e feriados.

No Paraná temos postos em Curitiba, desde 1981 e em Londrina, desde 1980. Interessados em abrir postos em sua cidade, podem entrar em contato pelo telefone ou por e-mail.

 

Manutenção da instituição

É mantida com as contribuições dos próprios voluntários e também por doações, feitas por pessoas e segmentos da sociedade que reconhecem a importância do trabalho.

 

Contatos

Telefone nacional: 141

Site nacional: www.cvv.org.br

Posto Curitiba: 41.3342-4111

Rua Carneiro Lobo, 35 – Água Verde

curitiba@cvv.org.br

 

Posto Londrina: 43.3356-4111

Atendimento: 14h às 18h30, diariamente

Rua Bahia, 23 A

londrina@cvv.org.br

 

Bibliografia:

Cartilha Falando abertamente sobre suicídio – CVV

Site www.cvv.org.br

TRIGUEIRO, André. Viver é a melhor opção. São Bernardo do Campo: Correio Fraterno, 2015.

Nos caminhos da amizade – 25 anos de CVV. São Paulo: Aliança, 1987.

Assine a versão impressa
Leia também