Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

Pai: a importância de servir de exemplo

agosto/2014 - Por Antônio Moris Cury

Ao contrário do que alguns pensam, ser pai implica enorme responsabilidade. E, sem qualquer exagero, constitui verdadeira missão.

O Livro dos Espíritos, a obra fundamental do Espiritismo, na questão 491, ao tratar do Espírito Protetor ou Anjo da Guarda define a sua missão como sendo a de um pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida (93ª ed. FEB, 2013, página 247).

Não é pouca coisa.

Primeiro, porque equipara a missão do pai [biológico ou não] à do Espírito Protetor ou Anjo da Guarda, quando se sabe que este pertence a uma ordem elevada (questão 490 da monumental obra antes citada, que completou 157 anos de circulação, em 18 de abril de 2014).

Segundo, por que guiar o filho pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo em suas aflições e levantar-lhe o ânimo nas provas da vida não é tarefa simples, embora seja perfeitamente factível.

Por que não é uma tarefa simples?

Por várias razões, entre elas a de que vivemos na Terra, um planeta de expiações e de provas, de categoria inferior no Universo, onde imperam o mal e a imperfeição. Logo, o bom encaminhamento dos filhos exige maior firmeza ainda, maior consciência, mais conhecimento, mais dedicação, maior empenho e, sobretudo, os melhores exemplos, naturalmente, tudo isto com muito amor na mente e no coração. A propósito do exemplo: sabemos, todos, de cor e salteado, que o exemplo vale mais do que mil palavras.

Por que esta tarefa é perfeitamente factível?

Por fazer parte do curso natural das existências. Ontem fomos filhos, hoje somos pais, amanhã seremos avós (pais com açúcar, pais duas vezes), e assim sucessivamente.

Os ensinamentos cristãos, à luz da veneranda Doutrina Espírita, tornam a tarefa da paternidade bastante facilitada, uma vez que, desde logo, se compreende que o filho que chega à nossa casa é um Ser Espiritual, com a sua individualidade inteiramente preservada e constituída da bagagem que construiu em outras existências [com o conhecimento que obteve e consolidou, com as virtudes que conquistou e, também, com os erros, males e equívocos que não conseguiu superar e reparar anteriormente] e, em geral, no pleno exercício de seu livre-arbítrio.

Chega frágil e dependente, exatamente para receber o de que necessita para se desenvolver em todos os sentidos. Extraordinária sabedoria de Deus, que, assim, promove a produção de ensinamento duplo, a um só tempo. Rico, riquíssimo, aprendizado para ambos, pai e filho.

Aprendizagem especialíssima, visto que a Vida tem seu curso natural, normal, no plano material, onde agora nos encontramos, e prossegue no plano espiritual, para onde voltaremos, uma vez que somos os seres pensantes da Criação, imortais e indestrutíveis. Viveremos para sempre, ora no corpo físico, ora fora dele. Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei, tal como se pode ler no túmulo do corpo físico de Allan Kardec no Cemitério Père Lachaise, em Paris, França.

Com magnífica inspiração, Carlos Torres Pastorino afirmou: Você, que é pai, é a criatura mais feliz sobre a face da Terra. Levante os braços aos céus e agradeça a Deus a misericórdia que lhe concedeu. Mas lembre-se de que não basta dar aos filhos o sustento e a instrução. Algo existe mais importante que tudo isso: é o exemplo. Dê a seus filhos o exemplo do trabalho, da honestidade, da dignidade em toda a sua vida (Minutos de Sabedoria, 23ª ed. Vozes, 1985, página 184).

Há muitos e muitos séculos, o jurista romano Ulpiano aconselhava aos juízes que, no exercício de seu ofício, não lesassem o próximo, dessem a cada um o que era seu e vivessem honestamente. Claro que tal aconselhamento servia, como hoje ainda serve, para todos, e não apenas para os magistrados de então.

Na mesma linha de pensamento, o Espírito Thereza de Brito, através do eminente e ilustrado médium Raul Teixeira, orienta: Você sabe que ser pai no mundo é honrosa oportunidade com que Deus brinda o homem, com que abençoa a masculinidade, homenageando a sua função co-criadora, ao lado da mulher que se fez mãe pelos vínculos carnais… Você pode e necessita, meu amigo, na condição de genitor, participar desse luminoso esforço, que é o de conduzir ao Criador as almas que lhe foram apresentadas na função de filhos… Mas não se olvide de que todas as suas orientações, palavras e ensinos se esboroarão, ruirão por terra, se você apenas quiser ensinar, sem que viva, nobremente, os ensinos que ministra. (Vereda Familiar, 3ª ed. Fráter, 1995, páginas 117 e 119).

Trabalho, honestidade, ética, dignidade, dedicação, opção pelo Bem, amor. Virtudes, qualidades, características que todos podemos e devemos conquistar, exercer e transmitir [não esqueçamos que sempre é tempo de começar ou de recomeçar], pelo exemplo, e, sobretudo, pelo próprio exemplo.

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