Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2017 Número 1599 Ano 85
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Padre Opeka, o pedreiro de Deus

junho/2017 - Por Mary Ishiyama

Os cocriadores com Deus renascem em todos os lugares e no seio das mais diversas religiões, porque Deus não está circunscrito, nem definido por nomes e denominações humanas. Ele é, apenas, Amor.

Foi em San Martin, província de Buenos Aires, Argentina, que nasceu Pedro Paulo Opeka, de pai refugiado esloveno, exímio trabalhador da construção civil.

Pedro disse que a decisão de ser padre se deu em função da fé, em sua família, não se constituir de palavras vazias, mas feita de vida e de obras, exemplo dos pais.

Muito jovem, ao ler o Evangelho de Jesus pensou: Esse homem eu não vou imitar, eu vou seguir.

E confessa: Jesus viveu e amou os pobres e isso me impactou. Nas férias e feriados eu acompanhava meu pai no auxilio aos mais necessitados. Trabalhei como pedreiro e até a sua morte eu agradeci a ele por ter me ensinado o oficio de poder construir com minhas próprias mãos. Vi isso como uma graça, um dom, que ajudou muito na minha missão.

Aos vinte e dois anos, sacerdote pela Ordem São Vicente de Paulo, foi pela primeira vez à África, onde trabalhou durante treze anos com camponeses pobres do Sudeste da Ilha Grande, no plantio de arroz. Simultaneamente, passou a visitar outras áreas e se deparou com uma população enorme, onde muitos morriam de fome diariamente. Pediu licença de sua Ordem e foi trabalhar com os seminaristas na capital de Madagascar, Antananarivo.

Viu no lixão da cidade, crianças, homens e mulheres que dividiam e competiam por comida com urubus, cães e porcos.

Foram árduos os primeiros contatos porque eles não acreditavam naquele jovem branco que falava coisas que eles estavam cansados de ouvir, nada recebendo.

Foram mais de seis meses de visitas diárias, tentativas de fazê-los entender a necessidade de darem vida digna aos seus filhos. As crianças sempre foram prioridade para o padre Opeka.

Finalmente, setenta famílias cederam ao lema Não é permitido falar, é necessário agir e Padre Opeka conseguiu, com o governo, uma área a sessenta quilômetros da cidade, onde criou, em 1989, a vila Antolojanahary, em malgaxe, língua nativa, Dom de Deus.  Em 1990, ele criou a Associação Humanitária Akamasoa, que significa Os bons amigos.

O objetivo de Pai Pedro, como é chamado, é dar dignidade às pessoas, através de três passos: telhado, trabalho e educação. A mudança permanente deve ser feita de dentro para fora, alterando hábitos, trabalhando junto, a fim de tirá-los do círculo de desespero, delinquência e crime a que pareciam condenados.

A Associação Akamasoa em sua luta constante contra a pobreza no país, mas especialmente de amor por um povo, já atendeu mais de quinhentos mil malagaxes.Vinte e cinco mil vivem em dezoito aldeias construídas pela Associação. Somam mais de três mil as casas construídas, além de escolas, centros de saúde, e instalações desportivas.O sistema de ensino é um dos pilares da Associação. Hoje estão matriculadas mais de doze mil crianças em suas escolas. E o trabalho voluntário, além dos colaboradores magaxes, aceita jovens de outros países.Todas as vilas dispõem de creche, berçário, escola primária, ensino médio e, em Antolojanahary  existe a universidade, a  Escola Superior de Pedagogia.

Ao lado de ensino geral, há também formação profissional em oficinas de carpintaria, mecânica, alvenaria e vestuário.

Na educação, os enfoques são para valores como o trabalho, a disciplina, o respeito, a solidariedade, essencial para a vida da comunidade, porque é a única maneira de ajudar a moldar personalidades estáveis, capaz de formar cidadãos conscientes que participam na vida de sua nação.A Associação oferece salário para mais de três mil profissionais, que trabalham  na construção e manutenção da própria vila (pedreiros, artesãos, professores, profissionais que atuam na saúde, nas cantinas etc.).

Aos domingos, crianças, jovens e adultos se reunem no estádio coberto que serve como igreja, na colina de Manantenasoa. Dezenas de turistas de vários países participam das orações, na qual crianças cantam em voz alta, em louvor a Deus.

Padre Opeka  se esforça na manutenção da Associação, angariando doações, tendo entre outros parceiros, a UNICEF e através de conferências, que realiza em todo o mundo. Relatórios sobre suas atividades são frequentemente transmitidos em canais de televisão na França e outros países europeus.

Padre Opeka foi indicado ao Prêmio Nobel em 2011, 2013 e 2015, com o apoio dos governos da Eslovênia, de Madagascar, de parlamentares franceses, da União Europeia,  de associações e organizações canadenses. Também da Argentina, Austrália e Mônaco.

Entre vários prêmios, recebeu o de Cavaleiro da Ordem Nacional de Madagascar (1996), a Pomba de Ouro da Eslovênia (1996), de Oficial da Ordem Nacional do Mérito da França (1998), o Prêmio Humanitário First, pela Habitat for Humanity International Association (2001), o de Cavaleiro da Legião de Honra da França (2007), o Prêmio Cardeal Van Thuan ao Desenvolvimento e Solidariedade, outorgado pelo Vaticano (2008), Honor Award, da Associação Kiwanis, da Áustria (2011), Honor Spirit of Service, da Universidade de St. John, em Nova York (2015) e Price Fethullah Gülen, pelo Instituto Ravinala Madagascar (2015).

Padre Opeka afirma que é possível vencer a pobreza, é possível devolver aos pobres sua dignidade de filhos de Deus. Vivo em meio a um povo que vivia na extrema pobreza e, com dignidade, com fé, com compaixão, levantamo-nos desse estado.

 

Bibliografia;

http://www.perepedro-akamasoa.org/
http://webcatolicodejavier.org/PedroOpeka.html
http://www.clarin.com/sociedad/Cura-argentino-hambre-Africa-Opeka_0_1386461385.html

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