Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Sugestão de Leitura Envie para um amigo Imprimir

Os mensageiros

setembro/2008

Editada em 1944, é a segunda obra da série André Luiz, publicada logo após “Nosso lar”.

Segundo Emmanuel, que o prefacia, o livro “constitui o relatório incompleto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros do bem, junto aos homens”.

Sempre sob a supervisão de Aniceto, elevado benfeitor, o autor incorpora-se a um grupo de servidores para o exercício do socorro fraterno junto à comunidade terrestre.

Inicialmente, André Luiz visita o Centro de mensageiros, no Ministério da Comunicação, recebendo elucidações a respeito dos nobres propósitos dessa instituição, cujo objetivo primordial é de “preparar entidades a fim de que se transformem em cartas vivas de socorro e auxílio dos que sofrem no umbral, na crosta e nas trevas”.

Tobias, que se fez amigo de André Luiz, revela: ”saem milhares de mensageiros aptos para o serviço, mas são muito raros os que triunfam. Alguns conseguem execução parcial da tarefa, outros muitos fracassam de todo. O serviço legítimo não é fantasia.”

Com pouco mais de 250 páginas, distribuídas em 27 capítulos, tem seu foco voltado para as clamorosas quedas de espíritas que, iludidos pelas fantasias mundanas e dominados por um orgulho incontrolável, esqueceram as abençoadas lições trazidas da Espiritualidade Superior.

São cinco exemplos de fracasso dos que renasceram com amplas condições de vitória sobre si mesmos.

Otávio deixou para trás seis crianças carentes de sua assistência pra consorciar-se com desequilibrada mulher que se acompanhava de monstruosa entidade. Deixou-se viciar pelo sexo e pelo álcool, desencarnando roído pela sífilis.

“O desastre de Acelino” é comovente advertência aos que fazem de sua mediunidade instrumento de ganho financeiro.”Apesar das lições maravilhosas de amor evangélico, inclinei-me a transformar minhas faculdades em fonte de renda material”, diz Acelino, em dolorosa confissão.

A “ Experiência de Joel” retrata a irresponsabilidade de médiuns que ignoram as ponderações do bom senso doutrinário, para se entregarem à especulação psíquica, em busca de fenômenos a pretexto de convencerem observadores tão-somente curiosos, esquecidos de que a verdadeira força de convencimento alheio vem do exemplo vivido com a dignidade cristã.

O caso de Belarmino, o doutrinador, é bastante traumático, por refletir ações em que se encaixam quase todos os espíritas: as diversas formas de divulgação doutrinária. Revela: “desde criança, meus pais socorreram-me com as noções consoladoras e edificantes do Espiritismo cristão”, prosseguindo, mais adiante: “ acabei meus dias com uma bela situação financeira no mundo e … um corpo crivado de enfermidades; com um palácio confortável de pedra e um deserto no coração”.

Monteiro faz uma afirmação estarrecedora, quanto esclarecedora: “tenho a impressão de que as bênçãos do Espiritismo chegaram prematuramente ao caminho dos homens.” Tinha sede de serviço, verdadeira “ volúpia na doutrinação aos desencarnados de condição inferior”. Recomendava reforma intima, serenidade, desprendimento dos bens materiais… Mas não aplicava a si mesmo.

Desencarnou sofrido e revoltado. O venerável Espírito Veneranda ouviu suas lamúrias por duas horas, para dizer-lhe depois, numa síntese impressionante: “entregou-se você,excessivamente ao Espiritismo prático, junto dos homens, nossos irmãos, mas nunca se interessou pela verdadeira pratica do Espiritismo junto a Jesus, nosso Mestre.”

Nesta obra, que todos os espíritas, imbuídos do sincero propósito de se conscientizarem das verdades eternas, deveriam ler, há descrições detalhadas das atividades desenvolvidas por um posto de socorro nas regiões umbralinas. Trata-se do campo da Paz, uma colônia de Nosso Lar nas esferas de regeneração pela dor.

As últimas páginas trazem-nos muitas reflexões de extrema valia, lembrando-nos o apóstolo Paulo, em sua epístola aos Hebreus, no capítulo 12, quando pondera a necessidade de vigilância e oração, afirmando que “o homem está cercado de uma grande nuvem de testemunhas”.

“Testemunhas” do nosso esforço de recuperação, mas também de nossa desatenção nos cuidados que devemos ter na vida de relação a cada dia.

Autor espiritual: André Luiz
Médium: Chico Xavier
Editora: Federação Espírita Brasileira

Assine a versão impressa
Leia também