Jornal Mundo Espírita

Março de 2020 Número 1628 Ano 87

Lições para a vida

ONG criada por garota aos seis anos já atendeu mais de cem mil pessoas

julho/2014

Com apenas seis anos, Beatriz Martins decidiu que sua missão seria ajudar o próximo e fazer a corrente do bem se multiplicar. Um dia, passeando de carro com a família, parou em um semáforo e viu crianças, como ela, pedindo balas para os motoristas. Chocada, não conseguiu entender as diferenças sociais entre ela e os outros meninos.

Elas [as crianças] estavam com roupas rasgadas. Perguntei ao meu pai por que estavam daquele jeito, relembra, Bia, ainda inconformada com a cena. O pai, Ricardo Martins, empresário, 39 anos, explicou a ela as diferenças sociais.
A cena não saiu da cabeça de Bia. Ela queria ajudar. Apesar de não saber como isso poderia ser feito, passou quatro meses guardando toda bala, pirulito ou doce que ganhasse. Quando chegasse o Natal, o plano era distribuir todos os doces na comunidade daquelas crianças do semáforo.

Surpreso com a atitude da filha, Martins chamou amigos, vizinhos, parentes e quem mais pudesse ajudar para recolher donativos para aquelas crianças. No Natal daquele ano, atendemos seiscentas crianças, conta Bia. Ela ainda não sabia, mas acabara de fundar sua ONG. Na Páscoa e nas próximas datas comemorativas, a menina também entrou em ação, alcançando mais duas mil crianças em todo o Estado de São Paulo. Não demorou muito para a iniciativa ganhar nome – Olhar de Bia – e se consolidar.

Hoje, com treze anos e articulada como gente grande, Bia não para de multiplicar a corrente. Ampliou sua assistência para além das comunidades, e passou a fazer ações em escolas e creches. Em dezembro [2013], enviou doações para as vítimas das fortes chuvas do Espírito Santo, que deixaram mais de sessenta mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.

Em sete anos, a Olhar de Bia diz ter atendido mais de cem mil brasileiros. Em sua casa, existem dezenas de caixas de brinquedos, roupas e cestas básicas, nas quais ela mesma faz a triagem e distribuição. Todo o material é recebido na porta de casa ou via contato telefônico.

Futuro

A garotinha, que já foi deputada federal mirim em Brasília, sonha em ser jornalista e lutar pelas causas sociais, agora quer mais. Ela pretende oferecer cursos profissionalizantes para jovens, criar parcerias com outras organizações para levar assistência odontológica a escolas da periferia e construir uma sede para a ONG.

Com tudo arquitetado e um projeto escrito, ela busca apoio e espaço para pôr em prática a próxima etapa de seu sonho. A ideia é espalhar a sementinha, ajudando cada vez mais, diz.

 

Fonte: Prêmio Empreendedor Social do Jornal Folha de S. Paulo, 7.1.2014.

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