Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2019 Número 1625 Ano 87

Onde canta o Sabiá

novembro/2013 - Por Andrey Cechelero

Coração do Mundo, pulsa…

Pulsa e empurra tua seiva de vida para todos os cantos desta Terra

Para as almas cansadas de guerra

Para os corpos caídos no chão

 

Coração do Mundo, pulsa…

Celebra o áureo raiar de uma nova era

Celebra a fraternidade e a diversidade

Leva o sorriso a quem ainda tem medo de sorrir

E aos galhos secos, o verde da afetividade

 

Coração do Mundo, descobre tua missão bendita.

Coração do Mundo, Pátria do Evangelho… Brasil.

 

Estas foram as primeiras palavras ouvidas na noite do dia 5 de outubro de 2013, no Teatro da FEP.

O vídeo de abertura mostrou, por algum tempo, a imagem dos galhos de uma árvore em detalhes. Da beleza do singelo, então surgiu um Brasil inigualável, adornado não apenas de riquezas naturais, mas, sobretudo, por uma luz espiritual que está no sorriso, na fraternidade, na generosidade potencial do seu povo.

Andrey Cechelero, que assina a concepção artística do espetáculo, assim como a direção geral, apresentou em diversos textos, verdadeiras pérolas de escritores e poetas brasileiros, além de lembrar a importante obra do Espírito Humberto de Campos: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, psicografada em 1938, por Francisco Cândido Xavier.

O que tornou a noite de estrelas sem igual foi a riqueza da música brasileira na voz inspirada e emocionada do Coral do Centro Espírita Ildefonso Correia e convidados.

No palco, pouco mais de vinte e cinco cantores mas, ao se fechar os olhos e abrir outros sentidos, se escutavam centenas de corações exaltando o Brasil do fundo d’alma.

Villa Lobos, Ary Barroso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso, Almir Sater, Beto Guedes e outros estavam ali, representados por seus tesouros musicais para enaltecer o Brasil Espiritual, o Brasil da Missão de ser o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho.

Outro grande destaque do concerto foi a voz e a presença encantadora de Liane Guariente, conceituada preparadora vocal brasileira, integrante do importante grupo de música e pesquisa histórica Terra Sonora, que emocionou com sua alegria e competência no palco.

Interpretando Melodia Sentimental, de Villa Lobos e Dora Vasconcelos, Liane parecia bailar pelas naves pintadas de azul do teatro. Em Vide Vida Marvada, de Rolando Boldrin, levantou o público que, com alegria e empolgação, a ela se associou no canto.

Atento à formação de novos trabalhadores, o Coral também trouxe ao palco seu grupo de canto infantil, que conquistou os corações com a interpretação da obra de Villa Lobos, Trenzinho do Caipira.

Foram quase duas horas de música e reflexão, conduzidas com muito cuidado e qualidade pelo balé das mãos de Doriane Rossi, maestrina que atua, de forma voluntária, na condução do Coral, e que assinou diversos arranjos das obras apresentadas.

Nenhum trabalho como esse se faz sem Maestro e, em todo processo de se reger, de se conduzir um grupo de pessoas e instrumentistas, faz-se necessário o equilíbrio do pulso firme (que prima pela qualidade, pela perfeição do trabalho) e do carinho (que cuida das relações do objetivo da música como condutora da beleza aos corações humanos), e Doriane, vibrante em cada música, mostrou que isso é possível, mesmo com um grupo amador de cantores.

Onde Canta o Sabiá certamente ainda está ecoando pelas naves espirituais do Teatro da FEP e por toda cidade de Curitiba, pois nos trouxe o Amor à Pátria, de uma forma muito doce e bela, ao mesmo tempo, mostrando o compromisso, a responsabilidade que temos como brasileiros.

A apresentação do Coral, que foi reprisada no domingo, 6 de outubro, foi iniciativa do Centro Espírita Ildefonso Correia, no intuito de angariar fundos para a realização da XVI Conferência Estadual Espírita, a se realizar em 2014, no mês de março, no Expotrade.

Com essa contribuição, o CEIC se associa aos tantos amigos da Conferência, que almejam que o evento de grandeza doutrinária prossiga a se concretizar anualmente, semeando luzes nas mentes e nos corações.

 

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.


Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite –

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

 

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Gonçalves Dias

 

Ficha técnica:

Direção Geral e Produção: Andrey Cechelero

Direção Musical e Arranjos: Doriane Rossi

Teclado: Davi Sartori

Violão e Viola: Luciano Grube

Acordeon: Marina Camargo

Percussão: Léo Cardoso

Contrabaixo: Marsal

Solistas convidados: Liane Guariente e Andrey Cechelero

 

Coral adulto:

Analígia Fernandes Oliveira

André Romano

Andréa Romano

Anthon Cechelero

Bruno Paul

Cláudia Almeida

Cleber Souza

Cleide Campos

Fabiane Correia

Flávio Terêncio

Henrique Lee

Jorge Tavares

Juliana Cechelero

Lizandra Savi

Lúcius Savi

Luis Fernando Teixeira

Luiz Fernando Campos

Maria Aparecida Almeida

Maria Luiza Costa Campos

Maria Mercedes Cerci

Mariana Tavares

Nelson Christiano

Paula Rizental

Rosângela P. Fidalgo

Simone Christiano

Taty Quevedo Schimidt

 

Coral de crianças:

Ana Beatriz Rossi

Ana Cecília Battini

Beatriz Rabello de Mello Radaelli

Eduarda Taborda Skibinski

Elena Tavares

Giovana Fistarol Daniel

Isabella Santos Castilho

Julia Taborda Skibinski

Luiza Santos de Castilho

 

Crédito das fotos: Ari Almeida

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