Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

O uso do tempo

junho/2016 - Por Antônio Moris Cury

Como se sabe, o dia é o período de tempo que corresponde a uma volta completa da Terra sobre seu eixo. Na contagem da Humanidade terrestre, é constituído por vinte e quatro horas, que são iguais para todos os que nela habitam. A diferença reside no que cada um faz do tempo de que dispõe. Muitos o aproveitam da melhor forma possível e outros, ao contrário, simplesmente o desperdiçam, usando de seu livre-arbítrio que, segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, é a liberdade para tomar decisões de acordo com seu próprio discernimento.

Interessante notar que os mais ocupados são, em geral, os que mais conseguem realizar tarefas adicionais que lhes são solicitadas. Nada obstante estejam com a agenda completa, com disciplina e boa vontade sempre conseguem encaixar e acrescentar algo a mais, e se aceitam, sem nenhuma dúvida, cumprirão o compromisso extra, a tempo e a hora.

Já os que dispõem de bastante tempo, e não estão tão ocupados, em geral, apresentam desculpas de variadíssima ordem para declinar do convite e não realizar a tarefa extra que lhes foi proposta.

A vontade e a disciplina são fatores fundamentais para o bom uso do tempo. Com a utilização do bom senso que ajuda as nossas escolhas, as vinte e quatro horas do dia podem ser bem distribuídas entre trabalho, atividade física, lazer, entretenimento, leitura e estudo, descanso, etc.

A propósito, como muito bem esclareceu Léon Denis: A vontade é a maior de todas as potências; é, em sua ação, comparável ao imã. A vontade de viver, de desenvolver em nós a vida, atrai-nos novos recursos vitais; tal é o segredo da lei de evolução [O problema do ser, do destino e da dor, capítulo XX, 32ª ed. FEB, 2014, pág. 291].

Não foi por acaso, portanto, que a sabedoria popular, depois de longa e aguda observação do dia a dia, construiu a expressão querer é poder.

Por outra parte, é deveras curioso observar que as cédulas do dinheiro norte-americano contêm a inscrição Nós confiamos em Deus [In God we trust] e, apesar disso, os cidadãos que habitam aquele país, de um modo geral, consagram de maneira muito forte a ideia de que tempo é dinheiro [Time is Money].

O dinheiro, seja de que país for, é neutro. Se for bem utilizado, ótimo. Se for mal empregado, que lástima [vale registrar que as cédulas do dinheiro brasileiro, em letras miúdas, contêm a expressão Deus seja louvado].

No entanto, muito mais que dinheiro, tempo é oportunidade como muito bem apontado pelo Espírito Joanes, através da psicografia do eminente médium Raul Teixeira:

Com calma você entenderá cada ocorrência à sua volta e cada pessoa em seu caminho.

Nada você perderá pelo uso da calma em sua trajetória humana, pois, longe de alimentar-se da ideia materialista de que tempo é dinheiro, você começará a pensar que, fundamentalmente, tempo é oportunidade, e que você deverá aproveitá-la para o melhor.

Mesmo que deixe de lucrar algumas poucas moedas no jogo enlouquecido das competições, você conquistará harmonia e saúde, a fim de prosseguir na rota da felicidade que tanto deseja [Para uso Diário, capítulo 7, 6ª ed. Fráter, 2014, página 54].

Tempo é oportunidade! E que baita oportunidade!

Oportunidade de aprendizado; de correção de erros, males e equívocos de passado recente ou remoto, ainda que de modo parcial; de aperfeiçoamento pessoal, intelectual e moral; de crescimento através do trabalho; de conhecimento que pode ser obtido nos campos das ciências, da filosofia, das artes, das letras; de ampliação do conhecimento de si mesmo, que é a chave do progresso individual (questão 919 de O Livro dos Espíritos); da reforma íntima, para melhor; da mudança de postura e de compostura, para citar apenas algumas poucas hipóteses que o bom uso do tempo pode nos proporcionar.

Sobre a oportunidade do trabalho, por exemplo, o mesmo Espírito Joanes, antes referido, igualmente através da psicografia do ínclito médium Raul Teixeira, recomenda:

Faça do melhor modo o seu trabalho. Esteja certo de que, se trabalha mal, se empresta má vontade àquilo que faz, embora possa causar transtornos aos outros, a si mesmo é que estará prejudicando.

Ainda quando você não receba as considerações e reconhecimento como gostaria, na Terra, pense na oportunidade que lhe está oferecendo o Pai da Criação. Ao seu tempo tudo melhorará.

Não se perca, evitando perturbar-se em sua atividade profissional. Antes, aprimore-se. Faça tudo com carinho e rigor para que a sua estada no mundo seja de muito proveito para o seu grande futuro.

A sua vida pode tornar-se um estuário de felicidade, num campo de alegria, evadindo-se das cadeias do remorso, do pessimismo, do egoísmo, do mal, enfim, para que a sua travessia humana seja um hino de ventura para o seu encontro com Deus por meio do seu semelhante [Para uso Diário, capítulo 11, 6ª ed. Fráter, 2014, página 74].

De outro lado, o emprego do tempo de modo adequado, equilibrado e positivo, com análise e observação atentas e, ainda, com leitura e estudo crescentes e permanentes, pode resultar em significativo avanço moral.

Pode nos ajudar a conseguir sermos pessoas de Bem, voltadas para o Bem e para a sua prática, úteis onde quer que nos encontremos, bem dispostas a cumprir a parte que nos compete, com zelo, com empenho, com competência, com qualidade e com amor.

Se já sabemos que uma das finalidades do Espiritismo é a de tornar melhores as pessoas que o compreendem (Revista Espírita, julho de 1858) podemos nos empenhar em conhecê-lo e compreendê-lo melhor [e, por este modo, estaremos usando muitíssimo bem o tempo de que dispomos], lendo e estudando, ainda que a pouco e pouco, as cinco obras fundamentais (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo e a Gênese), os doze primeiros volumes da Revista Espírita e também o livro O que é o Espiritismo, do próprio Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, o nosso Allan Kardec.

Tornando-nos melhores, será mais fácil enxergar no próximo um irmão e fazer a ele somente o que gostaríamos que ele nos fizesse, com o que estaremos colocando em prática o ensinamento máximo de Jesus, o Cristo, Modelo e Guia da Humanidade, nosso Irmão, nosso Mestre, nosso Amigo de todas as horas.

E sendo melhores, sem um átimo de dúvida, seremos mais felizes desde logo e aqui mesmo na Terra.

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