Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2017 Número 1600 Ano 85

O silêncio do servidor

janeiro/2014 - Por Cezar Braga Said

O amor, devidamente compreendido, é a energia que nos diviniza, é o traço que nos liga ao
Criador,i mpulsionando-nos a espalhar a sua vontade pelo universo.

Camilo
Educação e vivências, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter

Há exatos dois anos sua voz não mais se fez ouvir nos auditórios do Brasil e do mundo, em razão do acidente vascular cerebral que o vitimou. Mas, os livros psicografados, as histórias a seu respeito, as palestras e seminários gravados são ouvidos e estudados por toda parte.

Preces dos mais diversos lugares do globo se elevam em sua intenção de todos aqueles que, um dia, receberam os benefícios das suas palavras, um abraço festivo, um beijo na face, um sorriso de alegria.

Notícias chegam daqui e dali informando que é visto trabalhando ativamente no plano espiritual durante o sono, que segue fazendo palestras, conversando, aconselhando, ensinando e aprendendo, quando seu corpo se encontra adormecido.

Alguns amigos promovem encontros em benefício do Centro Espírita e da obra social que criou, junto com colaboradores anônimos, outros o convidam para participar de eventos onde autografa suas obras e é homenageado, com palmas demoradas e reconhecidas ao seu intenso e fecundo labor.

Amável e gentil, mesmo não podendo ainda movimentar plenamente o braço direito, estende a mão esquerda na direção de quem o busca e também conversa cada vez melhor, menos hesitante e com frases mais longas.

Continua em sua maratona de tratamentos, empenhando-se ao máximo para obter a melhora possível a alguém com as limitações temporárias que possui. Passo a passo, num exercício de paciência e recolhimento, sem perder a alegria que sempre o caracterizou, não recusa o desafio diário que a vida lhe trouxe, dando lições de otimismo e aceitação construtiva.

Afirma, sem nenhum receio, que se encontra num resgate, pois se vê uma alma endividada com as Leis Divinas. Não se vitima a fim de inspirar a comiseração alheia, nem lamenta o golpe recebido, ao contrário, coloca-se à disposição de Jesus para que Ele utilize suas faculdades como lhe aprouver e o guie pelos caminhos que desejar.

Segue médium, fazendo os registros e mantendo as percepções que sempre teve, anotando, com frequência, a presença do Espírito Camilo e de sua mãe, Dona Benedita.

Nos instantes em que nos encontramos, quando a visitação é possível, enlaça-nos no carinho da amizade forjada no ouro da ternura, da afabilidade e da doçura, vibrando com nossas pequenas conquistas e dando-nos da água viva dos seus exemplos cristãos, nesta hora de grandes testemunhos.

Não está exemplificando agora, pois sua vida e sua lida como cidadão, onde quer que estivesse, sempre foi correta e pautada nos ensinamentos de Jesus e Kardec, referências que adotou desde os albores da sua juventude. O que agora se dá são outras formas de testemunho e de aprendizado, para ele e para nós, que admiramos seu jeito de ser e de se entregar com fidelidade aos compromissos abraçados.

Seu silêncio é deveras eloquente para os que tenhamos ouvidos de ouvir, pois, assim como sua vida, ele é pautado num sentido de humanidade, nunca se colocando acima ou abaixo de ninguém, sempre recusando qualquer santificação ou idolatria, reconhecendo suas imperfeições, rindo e chorando como qualquer um de nós e nisso ele se torna grande, um gigante do bem, ensinando que é possível, mesmo com um passado obscuro, caminharmos para a luz, sermos luz.

Que o silêncio fecundo e repleto de ensinamentos que Raul Teixeira segue dando, nos remeta a Jesus, o Mestre incomparável que ele sempre divulgou, procurando compreender e viver, sem deixar de nos ajudar também a entender e a internalizar, pois nunca desejou crescer sozinho, mas em comunhão com seus irmãos, que somos todos nós.

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