Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89
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O profeta da Nova Revelação

março/2021 - Por Mary Ishiyama

Andrew Jackson Davis foi um dos maiores médiuns da sua época, devido aos fenômenos que produzia e de sua obra no campo da literatura. Foi chamado de Allan Kardec americano ou o Profeta da Nova Revelação por levantar o véu que cobre os mistérios da vida.

Nasceu em 11 de agosto de 1826, no povoado de Blooming Grove, no vale do Rio Hudson, Estados Unidos. Seu pai, Samuel Davis, pobre, analfabeto, alcoólatra, sobrevivia como tecelão, sapateiro, lavrador.  Sua mãe, também analfabeta, profundamente religiosa, possuía o dom da vidência. A família vivia em constante mudança, dependendo dos trabalhos que o pai conseguisse.

Davis era um menino franzino e de pouca cultura. Na infância, ouvia vozes que lhe davam conforto. Aos dezessete anos, desabrochou-lhe a mediunidade.

Em 1844, em um fenômeno de transporte, foi levado às montanhas de Catskill, cerca de sessenta quilômetros de sua casa. Ali travou contato com os Espíritos do médico grego Galeno e do cientista e teólogo sueco Emanuel Swedenborg, que lhe informaram sobre seu compromisso com os enfermos da alma e do corpo e se revelaram como seus mentores.

Andrew conseguia ver e descrever o corpo humano, que se tornava transparente aos seus olhos espirituais. Dizia ele que cada órgão do corpo aparecia claro e transparente, mas se tornava escuro quando apresentava enfermidade. Fornecia o diagnóstico e o devido tratamento.

A partir de 1845 deu prioridade para a escrita. Até 1847, realizou quase duzentas palestras em Nova York, em transe mediúnico, sendo inspirado por Swedenborg e outros Espíritos. Abordava temas sobre arqueologia histórica e bíblica, mitologia, temas linguísticos e sociais. Seu primeiro livro, Os princípios da natureza, sua divina revelação e uma voz para a Humanidade, teve trinta e quatro edições, em menos de trinta anos.

A obra tinha oitocentas páginas, com informações sobre a origem do Universo, História das religiões, criação, destino e comunicação dos Espíritos, pluralidade dos mundos habitados e outras informações do mundo espiritual.

Graças à qualidade do conteúdo, homens de renome foram atraídos para esses novos ensinos, entre eles, Dr. Lyon, o reverendo Guilherme Fishbough e Edgar Allan Poe.

Arthur Conan Doyle se referiu como sendo um dos livros mais profundos e originais de Filosofia.

Posteriormente, recebeu, mediunicamente, outras obras, atribuídas ao Espírito Swedenborg e publicadas sob o título geral de Filosofia Harmônica.

Davis não era exatamente religioso ou místico, não aceitava os ensinos bíblicos de forma literal. Era um homem sério, incorruptível, preocupado com a veracidade das informações. Tinha imensa responsabilidade por tudo o que dizia ou escrevia, vindo dos Espíritos.

Em 1847, Davis profetizou uma grande manifestação entre os Espíritos e os homens. Sem saber, preparava o terreno para os grandes acontecimentos da Terceira Revelação.

Ele escreveu, no dia 31 de março de 1848: Esta madrugada um sopro fresco passou pelo meu rosto, e ouvi uma voz, suave e firme, dizer-me: “Irmão, foi dado início a um bom trabalho. Contempla a demonstração viva que surge.” Pus-me a cismar no significado de tal mensagem.1

Nessa mesma noite, as irmãs Fox, em Hydesville, conversariam, por meio de batidas, com o Espírito Charles Rosma, inaugurando o grandioso movimento espiritista mundial.

Profetizou, também, o aparecimento do automóvel, dos veículos aéreos, da máquina de escrever e, ao que tudo indica, das locomotivas com motores de combustão interna. Tudo isso consta em sua obra centenária Penetralia, ainda comercializada.

Andrew descreveu a vida no mundo espiritual semelhante à da Terra, com a diferença de que aquela é semimaterial. Afirmou que nossos gostos e objetivos permanecem, a morte não os destrói. Viu, também, que o trabalho científico, artístico, literário e o humanitário não cessam, e que lá como aqui existem vários graus de progresso espiritual.

Observamos em suas obras, a universalidade dos ensinos espirituais quando comparamos as informações dadas por Davis e aquelas trazidas pelo Espírito André Luiz, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier. Também muito do conteúdo de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, publicado em 1857.

Em uma de suas viagens espirituais, Davis presenciou, em um lugar a que chamou Summerland, a educação das crianças desencarnadas, reunidas por grupos, em grandes e belos edifícios, nos quais recebiam instrução e cuidados especiais, tudo de acordo com a sua idade e os seus conhecimentos.

Ficou tão maravilhado com o sistema e organização ali adotado que, em 1863, em uma palestra motivou os ouvintes sobre a importância de ampliar o potencial das crianças além do conhecimento acadêmico.

Em 25 de janeiro de 1863, em Dodsworth Hall, Broadway, Nova Iorque, nasceu o primeiro Liceu Espiritista, logo mais copiado pela Inglaterra, Áustria e outros países.

Esse precursor do Espiritismo desencarnou em 13 de janeiro de 1910, com a idade de 84 anos, na sua residência de Watertown, no Estado de Massachusetts.

 

Referências:

  1. LUCENA, Antônio de Souza; GODOY, Paulo Alves. Personagens do Espiritismo – Do Brasil e de outras terras. São Paulo: FEESP, 1982. cap. Andrew Jackson Davis.
  2. DOYLE, Arthur Conan. História do Espiritualismo – De Swedenborg ao início do século XX. Brasília: FEB, 2013. cap. 3.
  3. HUNGRIA. Yeda. Andrew Jackson Davis, um dos precursores do espiritismo. Revista Internacional de Espiritismo, ano LXXX, n. 12, jan. 2006.
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