Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O Livro dos Espíritos – As impressões da Imprensa Leiga

junho/2007

É na Revue Spirite, de janeiro de 1858, que Allan Kardec reproduz algumas das que, cremos, devam ter sido das primeiras manifestações da imprensa leiga, a respeito da publicação de  O Livro dos Espíritos, na capital parisiense, em abril de 1857.

O Courrier de Paris, de 11 de julho daquele ano, publicou matéria assinada pelo jornalista G. du Chalard, que não somente reconhece a grandeza da obra recém editada, quanto do homem que a ofereceu ao Mundo, o Sr. Allan Kardec.

 

A Doutrina Espírita

 

O Editor Dentu acaba de publicar uma obra deveras notável; diríamos mesmo bastante curiosa, mas há coisas que repelem toda qualificação banal.

O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do grande livro do infinito, e estamos persuadidos de que um marcador assinalará essa página. Ficaríamos desolados se pensassem que acabamos de fazer aqui um anúncio bibliográfico; se pudéssemos supor que assim fora, quebraríamos nossa pena imediatamente. Não conhecemos absolutamente o autor, mas confessamos abertamente que ficaríamos felizes em conhecê-lo. Aquele que escreveu a introdução que inicia O Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres.

Aliás, para que não se possa suspeitar de nossa boa-fé e nos acusar de tomar partido, diremos com toda sinceridade que jamais fizemos um estudo aprofundado das questões sobrenaturais. Apenas, se os fatos que se produziram nos causaram admiração, pelos menos jamais nos levaram a dar de ombros. Somos um pouco dessas pessoas que se chamam de sonhadores, porque não pensamos absolutamente como todo o mundo. A vinte léguas de Paris, à noite sob as grandes árvores, quando não tínhamos em torno de nós senão choupanas esparsas, pensávamos naturalmente em qualquer coisa, menos na Bolsa, no macadame dos bulevares ou nas corridas de Longchamp. Diversas vezes nos interrogamos, e isto muito tempo antes de ter ouvido falar em médiuns, o que haveria de passar no que se convencionou chamar o Alto. Outrora chegamos mesmo a esboçar uma teoria sobre os mundos invisíveis, guardando-a cuidadosamente para nós, e ficamos muito felizes de reencontrá-la quase por inteiro no livro do Sr. Allan Kardec.

A todos os deserdados da Terra, a todos os que caminham e caem, regando com suas lágrimas o pó da estrada, diremos: Lede O Livro dos Espíritos; isso vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que pelos caminhos só encontram os aplausos da multidão ou os correios da fortuna, diremos: Estudai-o; ele vos tornará melhores.

O corpo da obra, diz o Sr. Allan Kardec, deve ser reivindicado inteiramente pelos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente classificado por perguntas e por respostas. Algumas vezes, estas últimas são sublimes, e isso não nos surpreende; mas, não foi preciso um grande mérito a quem as soube provocar?

Desafiamos a rir os mais incrédulos quando lerem este livro, no silêncio e na solidão. Todos honrarão o homem que lhe escreveu o prefácio.

A doutrina se resume em duas palavras: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem. Lamentamos que o Sr. Allan Kardec não tenha acrescentado: e fazei aos outros o que gostaríeis que vos fosse feito. O livro, aliás, o diz claramente e a doutrina, sem isto, não estaria completa. Não basta não fazer o mal; é preciso também fazer o bem. Se apenas sois um homem de bem, não tereis cumprido senão a metade do vosso dever. Sois um átomo imperceptível desta grande máquina que se chama mundo, onde nada deve ser inútil. Sobretudo, não nos digais que se pode ser útil sem fazer o bem; ver-nos-íamos forçados de vos replicar por um volume.

Lendo as admiráveis respostas dos Espíritos na obra do Sr. Kardec, dissemos a nós mesmos que haveria um belo livro a escrever. Bem depressa reconhecemos que nos havíamos enganado: o livro já estava escrito. Apenas o estragaríamos se tentássemos completá-lo.

Sois homem de estudo e possuís a boa-fé, que não pede senão para se instruir? lede o Livro Primeiro sobre a Doutrina Espírita.

Estais colocado na classe dos que só se ocupam consigo mesmos e que, como se diz, fazem os seus pequenos negócios muito tranquilamente, nada vendo além dos próprios interesses? Lede as Leis Morais.

A desgraça vos persegue com furor, e a dúvida vos envolve, por vezes, com o seu abraço gelado? Estudai o Livro Terceiro: Esperanças e Consolações. I

Todos vós que abrigais nobres pensamentos no coração e que acreditais no bem, lede o livro do começo ao fim.

Se alguém nele encontrasse matéria para zombaria, nós o lamentaríamos sinceramente.

 

I.    O Livro dos Espíritos, 1ª ed. era dividido em três partes, ou três livros, contendo 501 questões.

 

 

O Livro dos Espíritos

 

A raça humana dos nossos dias tem trazido para si mesmo violência, delinquência e insatisfação, como resultado do avanço da Tecnologia e da louca perseguição de muitos conceitos.

Entretanto, os problemas urgentes do íntimo do homem encontram resposta dentro dos princípios espíritas.

O Livro dos Espíritos é chave para contrabalançar as questões perturbadoras do comportamento social e emocional dos nossos tempos.

O Livro dos Espíritos torna muitas pessoas conscientes de suas responsabilidades através da fé racional bem fundada sobre fatos. Isto trará o renascimento do Cristianismo em toda a sua pureza.

Dessa forma, O Livro dos Espíritos é a síntese da Ciência, Filosofia e Religião, trazendo a resposta de Deus aos clamores do homem – o Consolador prometido por Jesus.

Joanna de Angelis

 Psicografia especular, em inglês, recebida por Divaldo Pereira Franco, durante o 2º Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília, no dia 15 de abril de 2007. Traduzida, no momento, por João Dalledone, presidente do British Union of Spiritist Societies (BUSS).

 

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