Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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O ilustre filho da Índia

dezembro/2015 - Por Mary Ishiyama

Sua vida foi marcada pela arte, literatura, espiritualidade e busca por justiça. Nasceu em 7 de maio de 1861, na cidade de Calcutá, na Índia, sendo o mais novo dos filhos de Debendranath Tagore e Sarada Devi.

Renascido como Rabindranath Thakura tornou-se Tagore, nome ocidentalizado que, em sânscrito, significa homem nobre, senhor. Na intimidade, era carinhosamente chamado de Rabi, O sol. Os indianos chamavam-no de O sol da Índia. Gandhi chamou-o O grande mestre.

Criança se embevecia com a natureza, suas cores, movimentos e sons, por isso a escola lhe foi um tormento. Sentia-se tolhido, precisava de espaço para se expressar, para explorar o mundo, sendo impedido de sonhar por um modelo educacional castrador.

Depois de cinco anos, seu pai o retirou da escola regular e em casa aprendeu línguas, música, medicina, astronomia, física e demais matérias.

Aos oito anos, um parente pediu-lhe que escrevesse um poema e ensinou-lhe a técnica do verso de quatorze sílabas. O suave cantor de Bengala nunca mais cessou os seus gorjeios.

Com dezesseis anos, publicou sua primeira poesia sob o pseudônimo Bhanushingho (Sun Lion). Escreveu seus primeiros contos e dramas em 1877, em bengali, idioma dos bengalis, grupo étnico de Bengala, território dividido entre a Índia e Bangladesh. Seus romances, histórias, canções, danças dramáticas e ensaios falavam sobre temas políticos e pessoais.

Não se ligou à nenhuma religião, embora tenha chegado a compor hinos para a instituição religiosa que seu pai dirigia. Espiritualista, narra um episódio interessante, ocorrido após a desencarnação de um servidor da família, de nome Kailash, homem muito brincalhão.

Certa noite, com alguns familiares,  utilizando-se da prancheta,  obteve a manifestação do desencarnado. Indagado sobre a vida no além, o servidor deu provas de sua identidade ao responder jocosamente: De mim é que vocês não pilharão o menor esclarecimento. É o cúmulo do comodismo, quererem que eu lhes revele, por tão baixo preço, aquilo que me custou a vida para ficar sabendo.2

Aos vinte e três anos, Tagore casou-se com Mrinalini Devi, com quem teve cinco filhos. Nesse período, começou a trabalhar com o pai na administração da propriedade rural da família, o que lhe permitiu entrar em contato, pela primeira vez, com a realidade da vida dos camponeses de Bengala, passando a observar os rituais das culturas tradicionais, suas alegrias e sofrimentos, vindos principalmente da rigidez social, além de desenvolver uma profunda devoção à natureza.

Mais do que apenas administrar as terras, uniu-se às comunidades, elaborou programas de alfabetização, movimentos de cooperação e de autogestão, embora poucos estivessem interessados em suas mudanças.

Em 1901, fundou a escola de Shantiniketan (Porto de paz), no terreno da família em Belpur, Bengala, que, vinte anos depois se transformou na Universidade de Visva-Barathi (A voz universal), aberta a qualquer pessoa. Funcionava ao ar livre. Tagore afirmava que a verdadeira educação não vem de fontes exteriores, inculcadas por bomba de pressão, até se empanturrar o educando; ao contrário, ela ajuda a trazer à superfície a infinita reserva de sabedoria interior.1

Apoiador da Independência da Índia e dos princípios de não violência conheceu Gandhi em 1914, tornando-se grande amigo e admirador. Chamava-o Mahatma, que em sânscrito significa Grande alma.

Tagore mobilizou-se contra o preconceito aos dalits, os intocáveis, fazendo com que fossem heróis em seus contos e poemas, além de conseguir que tivessem o direito de frequentar o Templo de Guruvayur, na costa sudoeste da Índia.

Rabindranath foi teatrólogo, educador, pintor. Como músico criou um estilo chamado rabindrasangita. Como escritor produziu e fez sucesso em todos os gêneros literários: poemas, contos, romances, ensaios de variados tipos, diários de viagem. Seus livros, traduzidos para vários idiomas, o tornaram conhecido no Ocidente.

Entre os anos de 1902 e 1907, desencarnaram seu pai, sua esposa e dois filhos. Ele se recolheu, escrevendo profundos poemas místicos. Em 1913, o livro Gitânjali, traduzido como A oferenda lírica,  recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, sendo o primeiro escritor indiano a receber esse prêmio.

Aos sessenta e três anos, esteve no Peru, ao ensejo da celebração do centenário da sua Independência. Em seu retorno, atravessou o Brasil, saindo do país pelo Rio de Janeiro. Foi recebido com entusiasmo pelos intelectuais brasileiros, em especial por Cecília Meireles.

No dia 7 de agosto de 1941, o pássaro foi chamado a cantar na Espiritualidade.

Alguns anos depois, em 1947, a Índia alcançou sua independência, embora tenha permanecido como um domínio da Coroa Britânica até 1950. A canção Jana Gana Mana, escrita por Tagore em 1911, tornou-se o hino do país.

Liberto, Tagore prossegue cantando e, em uma noite estrelada de 1949, enviou sua melodia de amor a outro ser iluminado, Divaldo Pereira Franco. Pelas mãos da psicografia, nos ofertou as obras Estesia, Filigranas de Luz e Pássaros Livres, todas editadas pela LEAL.

Com os Espíritos Marco Prisco e Joanna de Ângelis, nos brinda com mensagens no livro Momentos de Renovação, da mesma editora.

 

1.CARNEIRO, Celeste. Rabindranath Tagore. Minibiografia. Presença Espírita, Salvador, ano XXIX, n. 235, mar. 2003.

2. LOUREIRO, Carlos Bernardo. As experiências mediúnicas de Rabindranath Tagore. Reformador, ano 118, n. 2050, jan. 2000.

3. http://www.divaldofranco.com.br/noticias.php?not=160

4. http://feparana.com.br/topico/?topico=702

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