Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O excelente instrumento do mundo espiritual para a humanidade

outubro/2014

A história da Humanidade guarda páginas de luz e de sombras.

Na Roma antiga, por exemplo, vemos que suas conquistas espetaculares propiciaram benefícios, mas deixaram rastro de destruição e morte.

Nesse contexto, Caio Júlio César Otávio chegara ao poder e uma nova era principiara com aquele jovem enérgico e magnânimo.

O grande império do mundo, como comentado por Humberto de Campos[1], Espírito, como que influenciado por um conjunto de forças estranhas, descansava numa onda de harmonia e de júbilo, depois de guerras seculares e tenebrosas.

(…) Acercavam-se de Roma e do mundo não mais espíritos belicosos, como Alexandre ou Aníbal, porém outros que se vestiram dos andrajos dos pescadores, para servirem de base indestrutível aos eternos ensinos do Cordeiro.

Ia chegar à Terra o Sublime Emissário. Sua lição de verdade e de luz ia espalhar-se pelo mundo inteiro, como chuva de bênçãos magníficas e confortadoras. A Humanidade vivia, então, o século da Boa Nova.

Eis Jesus, o Sol de Primeira Grandeza, em nossa História.

Ele veio, estabelecendo as regras da vida honorável, as diretrizes de segurança para a construção da sociedade justa e feliz, embora soubesse que as criaturas, ainda sem a necessária maturidade espiritual para vivenciar os ensinamentos profundos do amor, alterariam significativamente aquelas instruções sublimes, tombando, não poucas vezes, nos abismos da alucinação e do crime.

No transcorrer dos séculos, a Igreja nascente que havia se proposto guardar e disseminar a mensagem do Cristo, adotou caminhos adversos, glorificando os valores da Terra em detrimento dos valores do Céu.

A verdade é que, à medida que os anos se sucederam, a musicalidade sublime pareceu silenciar nas páginas da História e os indivíduos volveram a ser lobos contra ovelhas, devorando-as, ao invés de beberem juntos no córrego da fraternidade a mesma linfa.[2]

Foi nesse momento tormentoso, de incontáveis padecimentos que João, o discípulo amado, trocou as glórias da Espiritualidade superior para mergulhar nas roupagens físicas e tentar reviver em toda a sua pulcritude e grandeza, o período inolvidável das praias da Galileia de antes, restaurando o esplendor da pobreza e da humildade sem jaça.

Eis Francisco, o Sol de Assis, em nossa História.

Em plena treva ele acendeu a luz da alegria de viver, cantou a felicidade plena, mediante o autoabandono, apresentou-O, enquanto se diminuía, sacudiu a sociedade do seu e dos futuros tempos, para que retornasse aos inexcedíveis dias que haviam ficado no passado.

Demonstrou ele que é possível viver-se o Sermão da Montanha e aplicar-se no íntimo o Canto do Irmão Sol e de todas as criaturas.

Apesar do brilho do Sol de Assis, que ilumina ainda muitos corações, mas nem todos, apesar do Sol de Primeira Grandeza, Jesus, cobrindo a Terra, ainda tantos corações se fecham em sombras, insistindo em se manterem afastados da verdade.

Confirmando a citação do pensador sueco, Vilhelm Ekelund: A origem de toda a angústia é a de ter perdido o contato com a verdade, mais séculos se passaram na contagem do tempo, sem que as aflições dessem trégua aos homens.

E a assertiva de Jesus, conforme Jo. 8:32: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará, segue esquecida.

No século XIX, ensombrada[3], a França parecia sentir um novo dia…

(…) A Divina Providência faz que mergulhe nas sombras da Terra o eminente Espírito de Jan Huss, que se dera em sacrifício, no século XV, em favor da libertação do Evangelho de Jesus. Reencarnando, em Lyon, a 3 de outubro de 1804, recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, que trouxe a indeclinável tarefa de modificar as estruturas do conhecimento e abrir espaços para a restauração do pensamento do Cristo, conforme Ele e Seus discípulos o haviam vivido, dezenove séculos antes, na Palestina.

O jovem Rivail, em Paris, a 18 de abril de 1857, sob os auspícios do Espírito de Verdade, lega à Humanidade, revivescendo a mensagem sublime de Jesus, a Doutrina Espírita.

Eis Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, em nossa História.

No momento em que variam as técnicas das “ ciências da alma”, no estudo da personalidade humana e dos problemas que lhe são correlatos, o Espiritismo, conforme a Codificação Kardequiana, é a resposta clara e insofismável para as aflições que se abatem sobre o homem, dando cumprimento à promessa de Jesus, quanto ao Consolador, de que este, em vindo à Terra, não somente Lhe recordaria as lições, como também esclareceria, confortaria e conduziria o ser através dos tempos… [4]

O Espiritismo, consolidando a promessa de Jesus Cristo, trouxe à Terra um novo “modus-operandi” capaz de estimular o espírito humano no roteiro da dignificação pessoal e social, fazendo-o religioso com religiosidade íntima, capaz de ligá-lo realmente a Deus, destarte, convocando-o para o auxílio aos náufragos e vencidos morais do mar proceloso das aflições, redimindo-se, por fim, através da redenção que propicia ao próximo.5

Dessa forma, recordando o Prof. Rivail, agradecemos a sua contribuição e valor, por haver sido o Excelente Instrumento do Mundo Espiritual para a Humanidade no momento mais grave do pensamento histórico de todos os tempos.

 



[1] XAVIER, Francisco Cândido. Boa Nova. Pelo Espírito Humberto de Campos. Rio de Janeiro: FEB. cap. 1.

[2] FRANCO, Divaldo Pereira. A segunda Carta Magna da Humanidade. Pelo Espírito Amélia Rodrigues. www.divaldofranco.com.br

[3] FRANCO, Divaldo Pereira. Reflexões Espíritas. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador: LEAL. cap. 1.

[4] FRANCO, Divaldo Pereira. Enfoques Espíritas. Pelo Espírita Vianna de Carvalho. Salvador: LEAL. cap. 40.

[5] FRANCO, Divaldo Pereira. Sementeira da Fraternidade.Por diversos Espíritos. Salvador: LEAL. cap. 52.

Assine a versão impressa
Leia também