Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2018 Número 1612 Ano 86
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

O Espiritismo Triunfa

setembro/2018

Desde as memoráveis investigações da douta Society for Psychical Research, de Londres, motivadas pelos maravilhosos fenômenos observados em vários pontos do planeta por homens de indubitável reputação, particularmente pelas memoráveis materializações de Kate King nos laboratórios de Sir William Crookes, por espaço de cerca de três anos, os sábios dignos desse nome voltaram a sua atenção para um novo campo do mistério em que o imprevisto dos fenômenos, a sua inteligência e a sua autonomia revelam agentes outros que não as forças conhecidas da natureza.

A consciência das grandes responsabilidades que um juízo leviano e precipitado pode acarretar para o homem afeito à multiplicidade dos fenômenos observados levou muitos sábios a uma prudente reserva que, aliás, valeu-lhes acres e injustas recriminações de críticos insensatos. Outros, entretanto, possuindo uma clarividência mais profunda das coisas ocultas, guiados por uma intuição segura da causa determinante dos fenômenos, não vacilaram um só momento em proclamar desde logo as suas convicções, consubstanciadas em várias hipóteses explicativas dos novos fatos.

William Crookes, [Alfred] Russel Wallace, [Paul] Gibier, [Alexandre] Aksakof, [Cesare] Lombroso, [Ernesto] Bozzano, William James, Oliver Lodge e tantos outros abraçaram sem restrições a hipótese espírita. Outros sábios ilustres, entre os quais citaremos o eminente professor Charles Richet, membro da Academia de Ciências, limitaram-se a observar os fenômenos e proclamar as suas condições anormais, guardando, todavia, a mais prudente reserva quanto à natureza da sua causa determinante.

Mais de cem obras de psiquismo e espiritismo publicaram-se depois de 1918. Fundou-se em Paris o Instituto Metapsíquico Internacional, cujos trabalhos, orientados pelo que a Europa tem de mais sábio e de mais reputado, deram como resultado a constatação rigorosa dos fenômenos chamados espíritas, a eliminação da fraude como desnecessária, a existência de uma substância primordial (ectoplasma) e de uma causa diretriz e organizadora (dínamo-psiquismo) nos fenômenos de materialização, a relatividade das noções de espaço e de tempo para as faculdades subconscientes, os fenômenos de telecinesia (movimentos sem contato aparente), e outras muitas manifestações supranormais do que a placa fotográfica e vários aparelhos registradores puderam constatar a objetividade.

Charles Richet pôde afinal enfeixar num grosso volume de cerca de oitocentas páginas, o resultado das suas experiências, apresentando-o em fevereiro último ao exame dos seus colegas da Academia de Ciências. Tratado de Metapsíquica, tal é o título desse precioso trabalho, com que o ilustre sábio pretende oficializar essa ciência dos loucos, sistematizada há sessenta anos pelo gênio imortal de Allan Kardec.

Metapsíquica é um nome novo ainda não sovado pelo látego impenitente da intransigência científica e religiosa. Receando justamente a resistência imbecil que os pretensos sábios oporiam à palavra Espiritismo, Richet resolveu vestir a nova ciência com roupagens mais modernas, batizando-a de Metapsíquica. Mas Metapsíquica é simplesmente Espiritismo, como dínamo-psiquismo é perispírito, como criptomnésia é memória subconsciente, como telecinesia é movimento sem contato, como ectoplasma é o fluido vital, a substância primordial que se exterioriza do médium para formar essas materializações: enfim, uma nova tecnologia para os conhecidos nomes propostos por Kardec, a fim de satisfazer ao naturalíssimo amor próprio dos sábios e não escandalizar os senhores acadêmicos em sua proverbial circunspecção científica.

Mas isso pouco ou nada importa. O que é fato é que o Espiritismo entrou na Academia de Ciências de Paris, não sem ferir profundamente a suscetibilidade de quantos ainda pleiteiam as ideias do seu eminente fundador, o Cardeal Richelieu.

Não há nada como um dia depois do outro, – diz o provérbio. Dia virá e não muito longe, em que, pela boca dos seus doutos membros a Academia de Ciências praticará um ato de verdadeira e sincera justiça: a consagração do gênio fecundo e iluminado de Allan Kardec, o grande precursor da Metapsíquica.

Flávio Luz
Revista de Espiritualismo, março de 1922

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