Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O espiritismo é religião? (2)

novembro/2010

Em nosso editorial de setembro passado afirmamos que “ao longo de toda Codificação, Allan Kardec deixou claro o aspecto religioso da Doutrina Espírita, que se completa com as vertentes da Filosofia e da Ciência”.

Destacamos, de forma inquestionável, os temas de caráter eminentemente religioso das cinco principais obras, o chamado “Pentateuco kardequiano”.

Para encerrar definitivamente a questão, transcrevemos preciosos trechos do último discurso, sua derradeira aparição pública, que Allan Kardec fez na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, na “Sessão anual comemorativa dos mortos”, em 1º de novembro de 1868, cinco meses antes de sua desencarnação que ocorreu em 31 de março de 1869, vitimado pela ruptura de um aneurisma cardíaco: “Se assim é, perguntarão então, o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos, porque é a Doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da Natureza”.

No parágrafo imediato, ele, o Codificador, explica por que, anteriormente, chegou a declarar que o Espiritismo não é uma religião, ou seja, não é uma religião convencional, dogmática, com princípios irracionais, de origem mundana.

São dez páginas altamente esclarecedoras, em que ele estabelece as bases religiosas de nossa Doutrina, dizendo: “Eis o credo, a religião do Espiritismo, religião que se pode conciliar com todos os cultos”.

Insistir em contrário é semear cizânia, é demonstrar ranço intelectual inadmissível num meio que deve sustentar-se na humildade consciente que notabiliza as grandes almas, que identifica os que são verdadeiramente idealistas.

Assine a versão impressa
Leia também