Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O espírita no mundo

maio/2018 - Por Rogério Coelho

Meu Pai trabalha até agora, e Eu também.
Jo, 5:17

Os Espíritos Superiores não transmitiram os ensinamentos codificados por Allan Kardec para que a Humanidade se isentasse do trabalho ou para livrar os Espíritos calcetas do sofrimento e das vicissitudes naturais do carreiro evolutivo. Engana-se o espírita que se considera imune ao sofrimento por simplesmente abraçar a fé raciocinada que o Espiritismo faculta. Acreditar nisso seria considerar Deus um monarca terrestre venal que vincularia a doação de favores segundo as bajulações recebidas…

A situação do espírita-cristão é muito diversa!

Os Espíritos amigos mostraram que os títulos do Cristo não são os da inatividade beatífica, com isenção de responsabilidade e esforço.1

O quadro social hodierno, pintado com as negras tintas da criminalidade, exibindo as deprimentes expressões da sexualidade atribulada; as crises morais e sociais avassalantes; o abuso das drogas alucinógenas e toda a sua coorte de consequências e sequelas inquietantes, falam do imenso campo de trabalho do cristão decidido que não se atordoa ante a enormidade do serviço sem saber como agir.

Basta examinar o Evangelho e auscultar os próprios sentimentos, pois eles nortearão a conduta que será balizada pelo axioma messiânico que sintetiza toda a verdade cristã: Não fazer a outrem o que para nós não desejamos.

Um Amigo Espiritual revelou algures que o Pai confia em nós, que já perlustramos a estrada que Jesus traçou e Kardec pavimentou. Ele confia em nós, cabendo, por nossa vez, confiar nEle, de modo a tornarmo-nos trabalhadores ativos na obra do Bem.

Emmanuel esclarece com sua habitual lucidez[1]: Todos os chamados ao trabalho evangélico não podem esquecer as necessidades do serviço.

O Mestre, naturalmente, precisa companheiros que nEle confiem, mas não prescindirá dos que se revelem colaboradores fiéis de Sua obra.

É indispensável que as turmas de bons obreiros se dirijam às zonas de serviço, preparados para os testemunhos dos ensinamentos recebidos.

A atitude do espírita-cristão, portanto, não deve ser diversa da atitude do Pai e do Mestre que até hoje trabalham em favor de todos, vez que o espírita no mundo é um colaborador de Deus, seguindo os exemplos de virtude e trabalho do Cristo.

1.XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo
Espírito Emmanuel. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003. cap. 117.

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