Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O dia de finados

novembro/2008

Finar é o mesmo que morrer, é o findar do processo biológico, o fim do corpo físico.

Porém, importa esclarecer que deixar a dimensão da vida material não significa, para o Espírito liberto, o fim de seus sentimentos, dos seus ideais e das suas afeições.

Daí a necessidade que se impõe, a nós espíritas, de não resvalarmos para o absurdo da afirmação de que “os mortos” não frequentam os cemitérios no chamado “dia de finados”, por ser uma criação do dogmatismo religioso.

Os exageros, o folclore, os rituais… flagrantes nesse “dia” não devem obscurecer ou ocultar a verdade, que a Doutrina Espírita nos traz com absoluta clareza.

Foi, por essa razão, que Allan Kardec, ao compor “O Livro dos Espíritos”, na segunda parte, capítulo VI, buscou amparo na visão dos benfeitores que assessoram a Codificação, mais precisamente na questão 321, quando indaga:

“O dia de comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?

R. “Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então, também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos amigos e não pela multidão dos indiferentes”.

O culto aos “mortos” é uma herança de épocas remotíssimas. Tribos e grupamentos sociais sempre externaram sua saudade pelos seres amados nos chamados “campos santos”.

Os mistérios da morte encantavam os antigos egípcios. A magia do insondável mundo dos antepassados e suas tradições ainda hoje empolgam os estudiosos.

A veneração dos que permanecem é a certeza da imortalidade decantada por todos os credos e crenças, embora a diversidade de cenários exteriores e emocionais, por todos os títulos respeitáveis.

Nada acrescentou o esforço dos pregoeiros do materialismo, objetivando a sinistra idéia do aniquilamento da alma. Sua eternidade, com os fachos clareadores do Espiritismo, surge límpida e inquestionável.

O Espírito, ao despedir-se do corpo pela desencarnação, não se despede da vida. Ao contrário, a encontra em toda a sua plenitude, para habitar uma das “muitas moradas” da casa de nosso Pai.

Imprecações e blasfêmias não calarão o amor daqueles que se ligaram pelos mais nobres sentimentos.

Resta-nos trabalhar, como preceitua a Doutrina Espírita, a consciência coletiva da Humanidade, fazendo-a compreender que o “Espírito sopra aonde quer” e que a verdadeira manifestação de carinho deva dar-se na intimidade do coração, onde estejamos sempre que a saudade doer mais forte. Pela prece, que é o “celular” infalível que a bondade de Deus nos deu, estaremos sempre imantados uns com os outros.

As vibrações sinceras do afeto alcançarão sempre os que atravessaram a aduana dimensional da morte, porque permanecem entre nós como a suavidade de um perfume e como os acordes de uma doce melodia.

Sim, porque a morte não é a morte, mas a porta de entrada para a glória da vida.

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