Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

O desafio da educação

julho/2008

Antigamente ninguém sequer discutia o assunto. Criança não sabia nada, portanto, deveria aprender. E cabia aos adultos ensinar-lhes. Quando a criança fazia algo errado, como por exemplo, respondia mal a um adulto, ou agredia um colega, não fazia o dever de casa, não havia dúvida, lá vinha um castigo – muitos até batiam!

Com as mudanças ocorridas no século XX no que diz respeito às relações humanas e também na questão da educação, as pessoas foram aprendendo a respeitar as crianças, entendendo que elas têm sim querer, gostos, aptidões, e até indisposições, como nós adultos.

Com isso muita coisa melhorou na relação pais e filhos. O relacionamento ficou mais autêntico e menos autoritário. O poder absoluto dos pais foi substituído por uma relação mais democrática. O entendimento cresceu, porém as coisas não aconteceram assim, de forma tão fácil e harmoniosa.

Muitos pais têm tido dificuldades em educar seus filhos, nas novas teorias pedagógicas onde o importante e a relação fraterna, amiga e harmoniosa entre pais e filhos, educar para a vida sem autoritarismo, mas com muito amor.

Pais e mães veem-se em sérias dificuldades ao tentarem colocar em prática uma educação diferente daquela que estávamos acostumados, onde criança não tinha querer, e acabam permitindo muitas coisas e deseducam seus filhos. Como saber a hora de dizer sim e a hora de dizer não? Negar alguma coisa para os filhos parece um crime, um ato autoritário, um modelo antiquado de educar. Em verdade no afã de se atender as novas ideias da pedagogia e da psicologia, os pais perderam um pouco o rumo, quiseram tanto acertar – que acabaram errando.

É fundamental acreditar que dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro, ninguém pode respeitar o outro se não aprende quais são seus limites, e isso inclui aprender que na vida nem tudo que se deseja pode ser feito. É necessário que a criança compreenda a ideia de que poderá fazer muitas coisas, a maioria do que deseja, mas nem tudo e nem sempre. Essa diferença é sutil, mas fundamental. Entre satisfazer o próprio desejo e pensar no direito do outro, muitos tendem a satisfazer o seu próprio desejo, mesmo que isso prejudique alguém.

Precisamos compreender que dar limites não é bater nos filhos para que eles se comportem pois só atesta nossa falta de controle, de argumentos e incapacidade de resolver uma situação ou fazer só o que nós, pais ou mães, queremos ou estamos com vontade de fazer. Compreender que uma criança no restaurante às 10h da noite, dormindo na mesa e os pais querem que ele se comporte, não será possível. Ser pai é sacrificar-se, abrir mão…

Dar limites é ensinar que existem outras pessoas no mundo, é fazer as crianças compreenderem que seus direitos acabam onde começam os dos outros e ainda dizer “sim” sempre que possível e “não” sempre que necessário. Mostrar que algumas coisas podem ser feitas e outras não e ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade. Evitar que seu filho cresça achando que todos no mundo têm de satisfazer seus mínimos desejos. Ter autoridade, respeito, ouvir, mas se preciso, agir de forma mais dura.

Educar envolve um novo desafio a cada dia.

Cuidemos de nossos filhos, amemo-los, sabendo dar-lhes o espaço para que seja criança em sua época, saudável e feliz, certos de que estaremos assim semeando bênção para o nosso Planeta, em razão da forma como encaminhamos nossos filhos!

Para saber mais:

Desafios da Vida Familiar, Raul Teixeira
Constelação Familiar, Divaldo Pereira Franco

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