Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O Céu e o Inferno

setembro/2019

Parte do conjunto de cinco obras da Codificação Espírita, o livro O céu e o inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo foi compilado por Allan Kardec e publicado pela primeira vez em 1º de agosto de 1865, em Paris, França.

Comenta Kardec1: O título desta obra indica claramente o seu objetivo. Nela reunimos todos os elementos destinados a esclarecer o homem quanto ao seu destino. Como em nossas publicações anteriores sobre a Doutrina Espírita, nada colocamos neste livro que seja produto de um sistema preconcebido ou de concepção pessoal, que aliás, não teria nenhuma autoridade. Tudo foi deduzido da observação e da concordância dos fatos.

Foi destacado pelo Codificador, na página de abertura, a citação de Ezequiel2: Por mim mesmo juro – disse o Senhor Deus – que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva.

De seu conteúdo destacamos trecho no qual Claire, Espírito3, manifesta-se nestes termos:

O mal não está fora de mim, reside em mim, devendo ser eu que me transforme e não as coisas exteriores. Em nós e conosco trazemos o céu e o inferno.

Já no Código Penal da Vida Futura4, lê-se:

O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver almas felizes.

*

Estes simples destaques nos levam, compreensivelmente, ao alcance da citação de Joanna de Ângelis5: O céu ou o inferno, são, pois, estados de consciência.

Nós fazemos nossas escolhas, e essas escolhas acabam nos fazendo.

A cada momento temos acesso a uma infinidade de escolhas. Algumas são feitas de forma consciente, outras não. Infelizmente, muitas de nossas escolhas, por terem sido feitas sem consciência, não nos parecem escolhas – no entanto, são.

A vivência delas traz resultados. Uns alegres, outros não. Uns saudáveis, outros não. Uns felizes, outros não.

Há milhares de anos, no Vedas, em sua parte final, no Upanishad, foi escrito6:

 

O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo.

O que for o teu desejo, assim será tua vontade.

O que for tua vontade, assim serão teus atos.

O que forem teus atos, assim será teu destino.

 

O livro O Céu e o Inferno, com seus 154 anos de edição, é um convite à Vida mas, especialmente, à aquisição da consciência das razões da Vida e do viver, em que, ainda para nós, precisamos da noite para divisar a claridade das estrelas, até em certo dia, não muito distante, percebermos a Unidade que abriga tanto a noite como o dia.

Essa caminhada rumo ao pleno despertar da consciência, qual planta que busca o sol, ou como aqueles que buscamos o Céu, vem expressa por Martin Luther King, pastor protestante e ativista político estadunidense, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo:

 

A covardia coloca a questão: “É seguro?”

O comodismo coloca a questão: “É popular?”

A etiqueta coloca a questão: “É elegante?”

Mas a consciência coloca a questão: “É correto?”

 

E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

 Vem como impulso às nossas ações renovadoras, rumo ao Céu, em forma de esperança e estímulo para realizações no bem, a anotação do Apóstolo Pedro7:

Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.

Todos estamos fadados, pelo finalismo Divino, à felicidade.

Escreveu o Evangelista Mateus8: Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.

Caminhemos, pois, sempre em frente e para o Alto, em permanente renovação moral para melhor, como leciona Allan Kardec9: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

E por fim, recita-nos o renomado poeta Gibran Khalil Gibran10:

A consciência de uma planta no meio do inverno não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar. 

A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. 

Se as plantas estão certas de que a primavera virá, por que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queríamos?

 

Referências:

1.KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. Ano 1865, v. IX. São Paulo: EDICEL, 1999. Notas bibliográficas.

2.BÍBLIA, A. T. Ezequiel. Português. O antigo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 33, vers. 11.

  1. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. pt. 2,  cap. IV,  item 6.
  2. Op. cit. pt. 1, cap. VII, item 5.

5.FRANCO, Divaldo Pereira. Dimensões da Verdade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 2000. cap. Céu e inferno.

  1. Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5
  2. BÍBLIA, N. T. I Pedro. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 4, vers. 8.
  3. Op. cit. Mateus. cap. 18, vers. 14.
  4. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. XVII, item 4.

10.GIBRAN, Khalil. Cartas de amor do Profeta. São Paulo: EDIOURO, 1999.

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