Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

O Brasil do futuro

setembro/2018

Sem uma consciência das nobres finalidades da vida, o homem pode adquirir recursos
para a sua e a comodidade do clã, nunca, porém, para a felicidade e a paz interior.1
Eurípedes Barsanulfo

O cenário atual não é dos mais animadores. As manchetes recorrentes, muitas vezes, nos causam indignação e até mesmo desalento quanto ao futuro, em especial do nosso próprio país. Notícias sobre violência que causam sofrimento, ceifam vidas, deixam profundas marcas naqueles que as sofrem, como também nos familiares, amigos e todos aqueles que fazem parte do seu convívio.

Notícias de desrespeito às leis, numa busca desenfreada na tentativa de levar vantagens particulares em detrimento do bem geral, privilegiando os que têm mais recursos e fazendo sofrer os menos afortunados. Falta de recursos para garantir um mínimo de qualidade na prestação dos serviços básicos à população, que sofre sem atendimento adequado na área da saúde, saneamento, segurança.

Mais triste ainda verificar a escassez de investimentos na área da educação, setor fundamental para o desenvolvimento de uma consciência mais crítica e, consequentemente, a transformação da dura realidade que vivemos.

Podemos citar, ainda, a crise econômica e política, a falta de assistência aos idosos e a falta de oportunidades aos mais jovens. Tudo isso pode nos levar a desacreditar na possibilidade de um futuro melhor, mais ditoso e mais justo. Muitos pais, inclusive pais espíritas, afirmam que incentivam seus filhos a saírem do país, não somente para estudar, mas também para desenvolver suas vidas em um lugar de melhores oportunidades.

Do ponto de vista material, realmente existem países mais desenvolvidos econômica e socialmente, com serviços de excelência em saúde e educação, que oferecem segurança e oportunidades de desenvolvimento profissional, capazes de proporcionar comodidades para a família que possa lá ser constituída. Isso aliado à possibilidade de uma aposentadoria que garanta uma provável velhice mais tranquila e feliz.

Sem julgar as decisões pessoais de cada um e suas motivações, nos perguntamos se, mediante tais afirmativas, não estamos mais uma vez voltando nossos interesses para as realizações prioritariamente materiais. Não estamos nos esquecendo de nossa condição espiritual e os objetivos de aprimoramento moral no plano terrestre, muito além do desenvolvimento intelectual,  que, em nosso orbe, não acabou com a miséria, com a injustiça, com a violência?

Não estamos sendo egoístas, deixando a dificuldade e o sofrimento de irmãos nossos para trás, buscando prioritariamente conforto e tranquilidade na nossa breve passagem, enquanto encarnados?

Sem dúvida que o bem pode ser praticado em qualquer lugar e o amor pode alcançar as mais longas distâncias. Contudo é preciso refletir que, conforme nos esclarece a Doutrina Espírita, não há coincidências ou acaso ante as Leis Divinas. Portanto, se nascemos neste Brasil, ainda de tantas injustiças e dificuldades, há de haver uma causa justa.

Qual o motivo de aqui nos encontrarmos? Qual o nosso compromisso para com esta nação? Temos possibilidade de auxiliar no seu desenvolvimento? Podemos criar filhos ensejando-lhes o desenvolvimento de valores morais que lhes possibilite trabalhar corajosamente pela transformação do Brasil em um país mais justo e pleno de oportunidades?

Fomos presenteados com uma pátria de natureza exuberante, de belezas incontestáveis, com um povo pacífico e amoroso. Que podemos fazer por este Brasil que nos acolhe? Que será dele, se todas as mentes brilhantes, se todos os sequiosos de justiça, se os jovens corações, plenos de força e alegria o abandonarem? Onde estaremos colocando o nosso tesouro? Como estaremos usando os nossos talentos? Esperamos receber as nossas recompensas na comodidade da vida terrena ou na consciência serena ao despertarmos no plano espiritual?

Com certeza, desejamos o melhor às nossas crianças e aos nossos jovens. Porém, temos de nos questionar o que é melhor a lhes oferecer, qual  a melhor orientação a lhes dar. Se lhes auxiliarmos a desenvolver a consciência das nobres finalidades da vida, se conseguirmos lhes demonstrar a confiança na Providência Divina, se lhes exemplificarmos através da nossa conduta o verdadeiro sentido da caridade, como o amor colocado em ação, este amor que caminha em direção ao irmão mais necessitado material ou espiritualmente, estaremos lhes dando ferramentas para que eles tomem as decisões mais acertadas em suas vidas, e não somente as mais fáceis…

Se o Brasil ainda não realizou completamente a sua missão de coração do mundo e pátria do Evangelho2, sem mãos fortes, amorosas e dispostas ao trabalho árduo é que tal feito não se realizará.

Reflitamos sobre o nosso posicionamento com relação à Pátria Mãe, sobre as nossas afirmativas e nosso pensamento. Encorajemos as crianças e os jovens a amá-la e respeitá-la, dando o melhor de si para a construção da Ordem e de Progresso que almejamos, seguindo o exemplo de muitos que hoje já fazem a diferença,trabalhando com amor e dedicação para o Brasil do futuro!

 

Referências:

1DUSI, Miriam Masotti et al. Sublime sementeira: evangelização Espírita infantojuvenil. Brasília: FEB, 2012. pt. 2, cap. 13.

2 XAVIER, Francisco Cândido. Brasil,coração do mundo, pátria do Evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

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