Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

O bem precisa expandir-se

outubro/2016

Os dias atuais escancaram as consequências devastadoras que as regiões de conflito armado promovem, fruto de governos em desgoverno, sob a assistência financeira e armada de diversos outros países, que se separam entre si a fim de atenderem os diversos lados envolvidos na demanda sangrenta. Atuam, esses governos-algozes, não como mediadores da paz, mas como fomentadores da guerra, da qual tiram proveito econômico e político, enquanto homens e mulheres, adultos e crianças são mortos, ou se veem forçados a fugir, largando tudo e, se encontram amparo de alguma outra nação, são asilados nos campos de refugiados, por tempo indeterminado e sem qualquer perspectiva para o futuro, a não ser sobreviver.

Haja vista recente imagem que ganhou a imprensa mundial, de menino resgatado de escombros da destruição da guerra na Síria, com evidentes traumas físicos e emocionais, cujos familiares pereceram no conflito, que já matou milhares de pessoas. Imagem que evidencia o descaso do homem para com seu próximo, e que tem por trás, repetimos, grandes e poderosas nações, ditas de primeiro mundo, alimentando a matança com o fornecimento de armas e equipamentos, empréstimos financeiros, soldados e conselheiros militares.

Agem pela Paz? Não, insistimos. Agem pelo comércio de armas e controle de poços de petróleo!

A triste imagem daquela criança trouxe a esses líderes governamentais algum sentimento de compaixão, mesmo que muito palidamente? Por certo não, pois foi aquele menino apenas mais um efeito colateral da luta armada.

No entanto, nessas regiões em conflito, apresentam-se organizações humanitárias, governamentais ou não, com o objetivo de amparar e socorrer, levando água, comida, remédios, assistência médica e resgate.

Para que isso possa ser feito, além de intensa negociação entre os lados combatentes para terem autorização de socorrer, precisam escolher as vias de acesso, os meios de transporte, as pessoas de contato, os interlocutores com o povo sofrido, os seus trabalhadores e voluntários dispostos a irem até a frente de batalha, além de outras providências.

Quando conseguem reunir, de modo favorável, todas as variáveis da equação do socorro, esse se dá. Nem sempre, porém, conseguem. De todo modo, quando conseguem, o socorro somente chega depois de meses de tratativas e negociações. O espaço mental dos líderes combatentes e dos líderes provisionadores das lutas armadas está para a guerra, não para o socorro e a paz.

Num sentido mais amplo, na Terra ainda vige uma diuturna luta entre o Bem e o Mal.

E para fazer chegar o socorro celeste em nome do Bem junto a cada coração em sofrimento, Nosso Senhor também conta com trabalhadores de Sua Seara, voluntários, homens de boa vontade, organizações de benemerência, templos e líderes religiosos, e todos os demais que cerrem fileiras nesse exército da salvação.

O momento é grave e pede urgência.

O Bem precisa expandir-se, pensado, vivido, sacrificado, sofrido, se preciso for.

Os adultos vinculados ao trabalho de redenção, seu e do próximo, precisam reformular conceitos e práticas comportamentais, a fim de auxiliarem também com o exemplo e pela maior dedicação ao Bem, em sua verdadeira grandeza, reformulando sua forma de pensar e de agir, dando-lhe a celeridade que o contexto pede.

As crianças, por sua vez, precisam ser ensinadas a pensar tendo o Bem como sua base de raciocínio, a fim de que, no seu tempo, possam raciocinar, concluir, decidir e agir, tendo o Bem como paradigma.

Ensina a veneranda benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, em seu livro Vida: desafios e soluções, no capítulo onze, no subtítulo O pensamento bem direcionado, da lavra mediúnica de Divaldo Franco:

O pensamento é força viva e atuante, porque procede da mente que tem a sua sede no ser espiritual, sendo, portanto, a exteriorização da Entidade eterna.

Conforme o seu direcionamento, manifesta-se, no mundo das formas, a sua realização. A sua educação é relevante, porque se torna fator essencial para o enfrentamento dos desafios e encontro das soluções necessárias à vida saudável.(…)

A neurolinguística demonstra que as fixações mentais contribuem para as realizações humanas, e a neurociência confirma o poder da força mental na atividade humana.

As abençoadas tarefas da Evangelização Infantojuvenil têm a missão de iluminar as mentes jovens com os melhores ensinos sobre a vida e o viver, ensinando-lhes a arte de bem pensar e de descobrirem a vida verdadeira e a razão de existir.

Já ficou para trás o tempo da ditadura escolar com exigência em se decorar nomes, datas e feitos, supondo-se que isso era ensinar, e que isso feito seria conhecimento.

O pensamento atual identificou que a vida é repleta de desafios que pedem soluções, e que a mente infantojuvenil precisa estar preparada para pensar e atuar tendo a moral superior como viga mestra da edificação existencial.

Enquanto se homenageia a criança neste mês de outubro, vamos planejar meios e atuar visando os melhores fins para cada Entidade eterna ao nosso lado, seja o filho ou a filha, o amigo ou a amiga, o aluno ou a aluna, ou o evangelizando na Casa Espírita, colaborando efetivamente na forja dos caracteres do Bem em sua mente profunda, tanto quanto da esperança, da disposição ao trabalho e à caridade, ensinando-lhes diretrizes para o êxito espiritual, próprio e do mundo.

Paz! Que falta você faz…

Assine a versão impressa
Leia também