Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

O assalto do bem

dezembro/2008 - Por Rogério Coelho

“(…) Sigamos,  pois as coisas que servem para a paz e para a edificação”.
Paulo. (Ro., 14:19.)

 

Não será com os olhos postos no chão da Terra e nos alvitres do materialismo imediatista ou no hedonismo soez, que lograremos alcançar a paz do coração e tampouco repouso para nossas Almas.

Ao se inteirar do conteúdo doutrinário da Codificação espiritista, com sua filosofia ímpar, singular, o Dr. Bezerra de Menezes declarou: “Finalmente encontrei onde descansar a minha Alma”.

Tal como o preclaro Médico dos Pobres, inúmeros vexilários do amor e da paz encontraram – também – os seus “caminhos de Damasco”, entre eles Saulo convertido em Paulo, o impertérrito Bandeirante da Boa Nova, a renovada Maria de Magdala, egressa dos marnéis da devassidão moral para o posto de mãezinha abnegada e afetuosa dos leprosos;  Zaqueu, o rico fariseu, onzenário, que dobra a cerviz aos alcandorados alvitres do Meigo Pastor das Almas;  Francisco de Assis, rico herdeiro elege a dama pobreza como companheira inseparável; Santo Agostinho, que se tornou um dos Pais da Igreja e profícuo colaborador da Codificação Espiritista; Chico Xavier, Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, o libertador do povo indiano…  Não será exagero dizer que, de repente, esses Irmãos Maiores tomaram de assalto o Reino dos Céus.

Para seguir-lhes as luminosas pegadas, nosso querido confrade Jorge Andréa dos Santos nos aconselha[1] a “procurar a convivência no Bem, nas realizações, por mais simples que sejam, nos auxílios adequados aos necessitados, enfim, espalhando probidade, nobreza, amor, a fim de alimentarmos a rede nervosa (perispírito e corpo físico), equilibrando o impulso evolutivo a que estamos subordinados, a fim de serem detidos os desequilíbrios pe­las respostas ajustadas.

Temos que lutar contra as emo­ções destoantes e destrutivas, e evitarmos ser o que alguém disse: “emocionólatras”.   Precisamos com­bater os vícios dos sentimentos, apa­gando as sombras existentes, com uma autêntica filtragem dos pensa­mentos. Estamos encarnados para preencher nossos sentimentos com emoções felizes e criadoras, tornan­do presente o que ainda não conhe­cemos devidamente: – o real impulso da evolução.

Encontramo-nos na Terra em momento cíclico de transformações, a fim de procurarmos, de braços dados com a ciência, novas e mais precisas avaliações do Espírito Imor­tal, percorrendo o caminho de nos­sas destinações felizes, buscando as coisas novas que nos esperam e aguardam, ou seja:  a busca da felicidade em patamares dimensionais ainda desconhecidos”.

Na introdução do notável livro: “Entre os Dois Mundos”, psicografado por Divaldo Franco, o egrégio Espírito Manoel Philomeno de Miranda aduz:

“(…) Cada criatura gera campo emocional de identificação com uma esfera equivalente entre os dois mundos, passando a habitá-la desde então, mediante a nutrição ideológica mantida.  Eis por que a ascensão é feita passo a passo ou é conquistada de assalto, quando existe a resolução de alterar, por definitivo, a maneira de encarar a existên­cia e de entregar-se aos objetivos sublimes que a to­dos aguardam”.

Os Irmãos Maiores anteriormente citados são alguns dos melhores exemplos desse assalto ao reino dos Céus.

Conclui Miranda:

“(…) Saltando da faixa em que se encontra­vam para os esplendores da Vida Abundante, ali se instalaram, após as refregas que os santificaram.  Mas não o conseguiram por privilégios, que não exis­tem, mas sim pelo empreendimento de total entrega a Deus e a Seu Filho, seguindo-Lhe as pegadas e abra­çando o sofrimento da Humanidade como de sua pró­pria necessidade evolutiva.

Assim, é natural que, nem todos aqueles que se candidatam à santificação, consigam desembaraçar-se do cipoal das paixões a que se encontram atados, necessitando de reforço de energia e de encorajamen­to, a fim de poderem enfrentar os desafios externos e os impulsos interiores que procedem dos vícios não superados e das paixões inferiores não sublimadas.

Investimentos espirituais de alto valor são realizados em benefício de reencarnações importantes, que nem sempre redundam em êxito, como decorrência das fixações anteriores e dos hábitos perniciosos de que não se conseguiram libertar esses candidatos à eleva­ção. Muitas vezes, malbaratando a ensancha nobre, porque ressumam os condicionamentos que os tomam por completo, tombam nos resvaladouros do insuces­so, retornando, aflitos e infelizes, passando por longo período de convalescença, a fim de volverem a futuras experiências iluminativas.

Noutras circunstâncias, reencontrando aqueles aos quais prejudicaram, sofrem-lhes as injunções penosas, as perseguições contínuas, sendo arrastados a proces­sos lamentáveis de obsessões, em que se perturbam gravemente, distanciando-se dos deveres que deveri­am cumprir mesmo que através de sacrifícios continu­ados.

Em outras ocasiões, experimentando os efeitos da­nosos dos atos transatos, debilitam-se diante de enfer­midades dilaceradoras ou de transtornos na área da afetividade, que os empurram a fugas espetaculares na direção de depressões graves, que redundam em suicídios danosos e de consequências imprevisíveis.

Objetivando a diminuição dos problemas, em face dos graves compromissos assumidos, Amigos espirituais devotados, em nome do Amor constantemente visitam-nos, de modo a tornar-lhes menos ásperas as provações e a auxiliá-los na desincumbência das responsabilidades que lhes dizem respeito.”.

Como podemos depreender, é de toda conveniência abandonarmos – em regime de urgência – as nossas idiossincrasias negativas e não retardarmos ainda mais o dia “D” de nossas vidas, tomando logo de assalto o Reino dos Céus, a fim de estabelecermos em nossa intimidade e em redor dos nossos passos o primado da paz e do amor, tendo – finalmente –, onde descansar nossa Alma, sob as bênçãos d`Aquele que é manso e humilde de coração cujo fardo é leve e suave o jugo.



[1] – SANTOS, Jorge Andréa. Revista “Presença Espírita”. Bimestre Jul/Ago/2008, nº. 267, p. 36.

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